ELEIÇÕES 2026

Oposição critica decisão de Moraes sobre Flávio Bolsonaro: 'Autoritária'

Líderes da oposição classificaram suspensão das visitas de Flávio ao pai como "autoritária" e argumentam que medida busca isolar o ex-presidente; Moraes também determinou apuração sobre possível propaganda eleitoral antecipada

Nomes da oposição foram a público nesta segunda-feira (13/7) para criticar a decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender as visitas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência da República, ao pai, Jair Bolsonaro, por 90 dias. Parlamentares questionam a legitimidade da decisão e os impactos a corrida eleitoral de Flávio.

O líder da oposição no Senado Federal, Rogério Marinho (PL-RN), se manifestou após a divulgação da decisão. De acordo com o parlamentar, a medida é “autoritária e desproporcional”, além de ter o objetivo de tornar o ex-presidente incomunicável, o que configura uma “clara interferência no jogo político”. 

Moraes também mandou apurar possível propaganda eleitoral antecipada. A defesa de Flávio tem 48 horas para explicar se Jair sabia que a carta seria divulgada. Cópias da decisão e dos vídeos foram enviadas à Procuradoria-Geral Eleitoral, que vai analisar possíveis providências. 

Além de Marinho, o líder da opsição no Congresso, senador Izalci Lucas (PL-DF), também se manifestou. Para o parlamentar, a medida agride os preceitos mais básicos do direito de defesa e do convívio familiar: "O que assistimos, infelizmente, é o avanço de um processo de silenciamento forçado que tenta enfraquecer e inviabilizar a atuação do principal campo de oposição política no país", pontua.

A leitura pública da carta do ex-presidente foi feita por Flávio no último sábado (11/7), após uma de suas visitas. Por meio dela, Jair Bolsonaro afirma estar com “saudades” de falar ao povo brasileiro e diz que o momento é de “se empenhar para pelo nosso pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, a quem nomeou o “porta-voz” da direita”. 

“A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição”, diz Rogério Marinho.

Marinho e Izalci fizeram um paralelo entre a prisão de Lula e a de Jair Bolsonaro. Na avaliação de Marinho, enquanto esteve preso, Lula pôde manter contato com seus aliados políticos, inclusive com Fernando Haddad, que foi o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) em 2018.

“Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais”, destaca Marinho. "Negar ao ex-presidente Bolsonaro as mesmas garantias de comunicação e, ainda por cima, punir um filho por manter contato com o pai, é criar um padrão jurídico inaceitável", diz nota de Izalci.

A mesma comparação foi feita pelo deputado federal Rodrigo Valadares (PL-SE), por meio de duas redes sociais: "Em 2018, Lula, condenado e preso por corrupção, deu 22 entrevistas, recebeu visitas e transformou a prisão em um verdadeiro comitê de campanha. Em 2026, Jair Bolsonaro, preso injustamente, é impedido até de receber a visita do próprio filho. Se isso não é dois pesos e duas medidas, o que é?", escreveu o parlamentar.

Para o deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS), a decisão de Alexandre de Moraes "escancara seu ódio por Jair Bolsonaro" e expõe uma tentaiva de interferir nas eleições: "Ao proibir Flávio Bolsonaro de visitar seu pai, Alexandre de Moraes escancara seu ódio por Jair Bolsonaro. Além disso, aponta para uma inaceitável tentativa de interferir no processo eleitoral, em nítida afronta ao estado democrático de direito que Moraes finge estar defendendo", publicou Sanderson em seu peril do X.

Leia na íntegra a carta de Jair Bolsonaro: 

"11 de julho de 2026, Carta aos brasileiros,

Saudoso do contato com o povo ao qual devo lealdade. Escrevo num momento de decisão para todos nós. O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento. Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade. Um afetuoso abraço a todos na certeza de que juntos tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade.

Jair Bolsonaro".

 

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