ENTREVISTA EXCLUSIVA

"Sou mais cobrada do qualquer homem", diz Raquel Lyra

Candidata à reeleição afirma que ataques sobre a morte do marido são violência política de gênero e cobra investigação da PF e da Polícia Civil

Raquel Lyra:
Raquel Lyra: "Os ataques já se intensificaram no mesmo dia em que os denunciamos: chegaram a me acusar de ter plantado os próprios panfletos para ganhar a eleição. Não há limite para quem age assim" - (crédito: Governo de Pernambuco)

Após ser alvo de panfletos com acusações sem provas sobre a morte do marido, Fernando Lucena, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), afirmou ao Correio que passou a ser acusada de ter colocado o próprio material nas ruas para obter vantagem eleitoral. Segundo ela, os ataques se intensificaram depois que o caso veio a público e ultrapassaram os limites da disputa política. "Os ataques já se intensificaram no mesmo dia em que os denunciamos: chegaram a me acusar de ter plantado os próprios panfletos para ganhar a eleição. Não há limite para quem age assim", afirmou. A distribuição dos materiais, que fazem acusações sem apresentar provas sobre a morte de Lucena, é investigada pela Polícia Civil e também foi levada à Polícia Federal e ao Ministério Público Eleitoral pela coligação da governadora. Raquel disse que pretende acompanhar as apurações "até o fim" e responsabilizar autores e financiadores. Para ela, o episódio configura violência política de gênero por atingir sua honra, os filhos, a família e a memória do marido.

A senhora teme que ataques pessoais como esses se intensifiquem durante a campanha?

Vamos seguir firmes, mostrando o que foi feito para virar a chave de Pernambuco na economia, na saúde, na infraestrutura, na educação e na segurança. E o que ainda vamos fazer para manter esse ciclo depois de oito anos de estagnação. Os ataques já se intensificaram no mesmo dia em que os denunciamos: chegaram a me acusar de ter plantado os próprios panfletos para ganhar a eleição. Não há limite para quem age assim. Mas há limite para o que a lei tolera, e confio na polícia e na Justiça para dar a resposta à altura.

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A senhora recebeu alguma informação sobre a autoria ou o financiamento desse material?

Identificar autores e financiadores cabe à Polícia Federal e à Polícia Civil, que já foram acionadas. Nossa coligação também levou o caso ao Ministério Público Eleitoral, para assegurar o livre exercício do voto e o equilíbrio do pleito. Quem se esconde no anonimato para caluniar será encontrado.

Até onde a senhora pretende levar as investigações e a responsabilização dos autores?

Até o fim. Vou denunciar cada ato de ódio e colaborar com as autoridades em tudo o que for preciso. Costumo dizer que, quando uma mulher se ergue, ela ergue todas as outras. E é isso que me move. O carinho dos pernambucanos em cada caminhada pelo Estado, o apoio da minha família, dos meus filhos João e Nando, dos meus pais, me lembra todos os dias por que sigo em pé e por que sigo lutando.

A senhora acredita que essa escalada de ataques pode mudar o tom da eleição em Pernambuco?

Da nossa parte, o tom será sempre o mesmo: discutir Pernambuco. O estado lidera o crescimento econômico no país e só perde para São Paulo na geração de empregos na construção civil, resultado do investimento que fizemos em obras. É disso que quero falar com cada eleitor, olho no olho. Esse é o debate que Pernambuco merece.

Como é ser mulher na política e enfrentar ataques que, muitas vezes, ultrapassam o debate político e atingem a vida pessoal?

Sou mais cobrada do que qualquer homem que governou Pernambuco, e faço questão de responder a cada cobrança com trabalho, porque a cobrança é parte da democracia. O que não é parte da democracia é o que veio depois: ataques que abandonaram a crítica política e viraram violência política de gênero, atingindo a minha honra, meus filhos, minha família e a memória de Fernando. Transformaram uma perda em arma eleitoral desde a nossa vitória. Como a primeira mulher a governar Pernambuco, já fui atacada até dentro da Assembleia Legislativa e na tribuna de uma Câmara Municipal. Quando atacam uma mulher no poder, atacam a representatividade de todas e a própria democracia. Mas não vão silenciar a minha voz nem a de nenhuma mulher.

A senhora acredita que os ataques têm relação direta com a disputa eleitoral de 2026?

Não tenho dúvida de que são motivados pela disputa. Pernambuco já viu violência política em outras campanhas. As redes sociais ampliaram o alcance, mas sem aposentar as velhas práticas, como espalhar panfletos criminosos pela cidade.

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postado em 06/09/2026 05:00
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