
A Polícia Federal (PF) afirma que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro deu orientações sobre a forma como recursos enviados por Daniel Vorcaro poderiam ser administrados nos Estados Unidos. Os valores são investigados no âmbito da produção de Dark Horse, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), as remessas teriam como destino um fundo de investimentos sediado no Texas ligado ao financiamento da produção cinematográfica. A PF identificou uma conversa atribuída a Eduardo na qual são discutidos os mecanismos para movimentação dos valores em território norte-americano.
“Em 21/03/2025, THIAGO MIRANDA encaminhou a DANIEL VORCARO captura de tela de conversa atribuída a EDUARDO BOLSONARO, na qual eram apresentadas orientações sobre a forma pela qual os recursos poderiam ser geridos nos Estados Unidos, com menção à possibilidade de envio da maior quantidade possível de valores pelo modelo então em curso e referência à disponibilidade de ALTIERES SANTANA”, diz a PF.
Para os investigadores, as mensagens integram um conjunto mais amplo de elementos que justificaram a abertura de investigação sobre a movimentação financeira relacionada ao projeto. A PF cita um contrato que previa aportes de aproximadamente R$ 134 milhões para a produção nacional e aponta uma “elevada discrepância desse valor em relação aos custos normalmente observados em obras brasileiras de semelhante porte”.
O relatório também destaca “a coincidência entre o cronograma contratual e as remessas internacionais identificadas pelo Coaf”, além das mensagens em que DANIEL VORCARO orienta que os pagamentos sejam realizados “via Entre”, do comprovante de transferência ao fundo Havengate e das tratativas envolvendo Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto e Altieres Santana sobre a estrutura financeira utilizada.
A PF ainda menciona “as reiteradas cobranças realizadas por FLÁVIO BOLSONARO para liberação dos recursos” e sustenta que os elementos reunidos formam “um conjunto coerente de elementos que evidencia justa causa para a instauração da investigação, a fim de esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados”.
As informações fazem parte da representação apresentada pela PF para abertura de inquérito contra Eduardo e o senador Flávio Bolsonaro. O pedido foi posteriormente autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF.
No caso de Flávio, os investigadores apontam cobranças relacionadas à liberação dos valores e registram encontros pessoais com Vorcaro. “A partir de agosto de 2025, surgem registros de interlocução direta entre DANIEL VORCARO e o Senador FLÁVIO BOLSONARO. No dia 20/08/2025, há mensagens indicando provável encontro presencial entre ambos, ocasião em que DANIEL VORCARO informa horário e FLÁVIO BOLSONARO responde que estava 'a caminho'.”
A reportagem entrou em contato com o ex-deputado, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

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