
Flávio Bolsonaro quer evitar que a vitória do PL nas urnas fique restrita ao resultado do primeiro turno. Em reunião com parlamentares e governadores eleitos pelo partido, nesta quarta-feira (7/10), em Brasília, o candidato transformou a força da legenda no Congresso em argumento para a disputa presidencial e pediu que os aliados mantenham ruas, comitês e redes sociais mobilizados até o segundo turno.
Ao longo do discurso, Flávio tratou a composição do próximo Congresso como uma das principais peças de campanha. Ao falar para os aliados, afirmou que o Legislativo estará preparado para um eventual governo e defendeu mudanças na Constituição. “Esse Congresso está configurado para um presidente como o Flávio Bolsonaro”, disse. O senador também afirmou que o resultado das urnas representa uma resposta do eleitorado e associou o desempenho dos candidatos do PL à imagem e ao legado de Jair Bolsonaro.
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A tentativa de manter a estrutura eleitoral em funcionamento foi um dos pontos centrais da reunião. Flávio pediu que os aliados não desmobilizem suas redes sociais e anunciou que pretende trabalhar com sua equipe para publicar conteúdos logo nas primeiras horas do dia, numa tentativa de pautar os assuntos que serão discutidos nas plataformas. A orientação inclui a manutenção de comitês, equipes e materiais de campanha. O candidato citou adesivos, bandeiras e outros elementos de comunicação como formas de manter a candidatura presente nas ruas.
A estratégia digital aparece no discurso como uma extensão da estrutura política do PL. Flávio pediu que parlamentares e governadores usem seus próprios perfis para ampliar o alcance das mensagens da campanha. “Quem tem voto são vocês”, afirmou aos aliados. A ideia, segundo o que apresentou no encontro, é manter uma rede descentralizada de comunicação até a votação, com cada integrante do partido funcionando também como um ponto de divulgação da candidatura presidencial.
Flávio dedicou parte da fala às redes sociais para criticar os adversários. Acusou-os de manter uma estrutura organizada para disseminar informações falsas e chamou o que descreveu de “complexo industrial de mentira”. Em contraposição, apresentou os apoiadores do PL como uma “liga da verdade” e afirmou que a campanha pretende responder ao que considera desinformação com conteúdo próprio. As acusações foram feitas sem que o candidato apresentasse, durante o discurso, elementos específicos que comprovassem a estrutura descrita.
A imagem de Jair Bolsonaro também foi mobilizada como parte da estratégia eleitoral. Flávio afirmou que a votação obtida por candidatos do PL em diferentes estados esteve relacionada à associação feita pelos eleitores com o ex-presidente. Segundo ele, a imagem, as propostas e a credibilidade de Jair Bolsonaro ajudaram a impulsionar os candidatos do partido. O senador disse ainda que acompanha diariamente informações sobre o pai por meio de Michelle Bolsonaro, advogados e pessoas autorizadas a visitá-lo.
Na reta final, Flávio voltou a mirar Lula, adversário no segundo turno. Disse que o país está “cansado do Lula” e afirmou que pretende encerrar a “era Lula”. Também prometeu, caso eleito, fazer “o governo mais fo**” que os brasileiros já viram. O discurso combinou, assim, a crítica ao atual presidente com a apresentação de uma eventual administração apoiada por um Congresso de maioria mais alinhada ao campo político de Flávio.
A religião apareceu como outro componente importante da fala. O candidato atribuiu à fé cristã parte da trajetória na campanha e afirmou acreditar que Deus orienta suas decisões. Ao projetar um eventual governo, falou ainda em recuperar o protagonismo internacional do Brasil e defendeu uma política externa voltada para democracias e para os interesses nacionais.
Ao final, Flávio voltou a pedir que os aliados mantenham a mobilização e levem a candidatura às próprias redes. A orientação deixada na reunião foi para que o resultado obtido pelo PL no primeiro turno seja usado como ponto de partida para as próximas semanas, com a estrutura partidária funcionando nas ruas e no ambiente digital até a votação.
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