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Lula condiciona abertura de sigilos à adesão de Flávio Bolsonaro

Presidente protocola no TSE autorização para quebra de dados bancário, fiscal e telefônico dele e da família. O documento enfatiza, porém, que o acesso só valerá se o candidato do PL também aceitar expor os dele e dos parentes. Mendonça relatará pedido

Lula e Flávio durante debate -  (crédito: BBC Geral)
Lula e Flávio durante debate - (crédito: BBC Geral)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nessa terça-feira, a autorização para quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e dos familiares, desde que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) faça o mesmo.

O pedido será relatado pelo ministro André Mendonça, sorteado na Corte, o que acrescente um componente político ao embate entre os presidenciáveis, uma vez que caberá a um magistrado associado ao bolsonarismo analisar a manifestação apresentada pelo petista.

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O movimento de Lula, formalizado por meio de uma petição, ocorre após o confronto entre os candidatos no debate da TV Bandeirantes, no domingo. O presidente autoriza a divulgação dos próprios dados financeiros e telefônicos referentes aos últimos oito anos, desde que Flávio adote a mesma providência. A proposta também alcança familiares dos dois presidenciáveis e empresas com as quais mantenham vínculos societários ou financeiros.

A defesa do petista solicita que as informações sejam disponibilizadas à população por meio do sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, ou de outra plataforma de acesso público.

Nos bastidores da campanha de Flávio, porém, a iniciativa não encontrou disposição para aceitar o desafio. Interlocutores do senador ouvidos reservadamente pelo Correio rejeitaram a proposta e descartaram qualquer possibilidade de adesão. A avaliação no entorno do presidenciável é de que Lula tenta deslocar o foco da disputa eleitoral para suspeitas envolvendo o adversário e seus familiares, numa estratégia para recuperar terreno na reta final da corrida ao Palácio do Planalto.

"Lula pode tentar outra estratégia, porque essa não vai colar", afirmou um integrante da campanha. Outro aliado atribuiu o movimento ao cenário eleitoral enfrentado pelo petista. "Lula está desesperado e tenta, a todo custo, posar de bom presidente", declarou.

Como resposta, aliados de Flávio passaram a defender que Lula dê publicidade às despesas realizadas com o cartão corporativo do governo federal. A cobrança é utilizada como contraponto ao discurso de transparência adotado pelo presidente, embora não represente uma medida equivalente à abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos candidatos.

Na petição protocolada no TSE, Lula autoriza a divulgação dos dados da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, e dos cinco filhos. Do lado de Flávio, a proposta inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro e Fernanda Bolsonaro. O documento também estende o desafio às pessoas jurídicas das quais os candidatos sejam sócios ou administradores, bem como àquelas em cujas contas bancárias figurem como responsáveis financeiros ou "usuários máster". A abrangência da medida é apresentada como necessária para permitir uma avaliação mais ampla da vida financeira dos dois grupos familiares.

No caso de Lula, os advogados mencionam a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual o presidente é sócio não administrador. Em relação ao senador, a manifestação cita quatro empresas brasileiras, entre elas a Bolsonaro Digital e a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação, além da Alcazar Holdings, offshore registrada na Ilha da Madeira, em Portugal.

"Usuário máster"

Segundo a defesa do petista, reportagens apontaram que Flávio mantém vínculos com a sociedade estrangeira e figuraria como "usuário máster" de uma conta bancária da empresa, conforme apuração atribuída à Polícia Federal. As referências são utilizadas para justificar a inclusão das pessoas jurídicas no desafio.

Ao fundamentar a iniciativa, os advogados de Lula sustentam que a divulgação dos dados deve ocorrer antes da votação de domingo, para permitir que a população tenha acesso às informações financeiras dos dois candidatos. "A divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos, anterior à próxima quarta-feira (21.10.2026), é fundamental para que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir livremente em quem vai votar", afirma trecho da petição.

A defesa também recorre ao artigo 14, parágrafo 9º, da Constituição Federal, que estabelece a probidade administrativa e a moralidade para o exercício de mandato eletivo, considerada a vida pregressa dos candidatos.

A manifestação foi apresentada após Lula reiterar, em entrevista coletiva concedida em Porto Alegre, o desafio feito durante o debate presidencial. A iniciativa busca levar à reta final da campanha a discussão sobre transparência patrimonial e financeira, em meio à troca de acusações entre os presidenciáveis.

 

 

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AH
postado em 21/10/2026 03:55
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