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"Vamos mudar o jeito de governar este país", diz Lula após virada

Presidente conquista o quarto mandato em uma virada histórica e inédita, no embate com o senador Flávio Bolsonaro. Com a voz rouca e emocionado, petista promete mudanças em sua gestão, com mais participação popular e comunicação digital

Lula com aliados em um hotel em São Paulo -  (crédito: Nelson Almeida/AFP)
Lula com aliados em um hotel em São Paulo - (crédito: Nelson Almeida/AFP)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito nesse domingo, em uma vitória histórica, para seu quarto mandato. Geraldo Alckmin seguirá como seu vice. Com fôlego renovado após o primeiro turno, quando foi derrotado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o petista tornou-se o primeiro candidato desde 1989 a virar e vencer no segundo turno. Com 99,99% das urnas apuradas, o resultado foi de 51,78% a 48,22% a favor de Lula, uma diferença de 4,4 milhões de votos. O processo eleitoral, contudo, foi turbulento, e é questionado pela oposição, que pede a anulação do resultado.

Lula acompanhou a apuração dos votos de um hotel em São Paulo, próximo à Avenida Paulista, onde ocorreu o ato em comemoração pela vitória. Ele discursou a apoiadores ao lado da primeira-dama Janja da Silva, de Alckmin, e de dezenas de aliados. Com a voz rouca e emocionado, o chefe do Executivo agradeceu aos eleitores e prometeu mudanças em sua gestão. "Nós vamos mudar o jeito de governar este país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões, e que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo", prometeu.

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Ele fez um agradecimento especial ao deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), que criou o Exército de Lula, canal no WhatsApp que foi central na estratégia para o segundo turno, e ao governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que deu um celular ao presidente e também integrou a coordenação digital da campanha. Lula comemorou a menor abstenção em 20 anos, e fez acenos a idosos, mulheres, religiosos e os jovens, citando as manifestações realizadas nas últimas semanas em seu apoio.

Endurecendo o tom, Lula deu recados sobre o processo eleitoral e reclamou de interferências externas. "A gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais. E nós vamos ter que regulá-las", frisou. A campanha foi marcada por judicialização envolvendo, especialmente, a Meta e o X, suspeitos de atuar para favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro. "Nós não podemos ter empresas monstruosas, de grandes ganhando bilhões e bilhões, não pagando nenhum imposto neste país e tentando direcionar o resultado eleitoral", acrescentou.

Lula disparou críticas ao seu adversário, a quem chamou de "miliciano" e "mentiroso". Também falou que a eleição representa uma "derrota do negacionismo". Porém, disse não ter rivais após o período eleitoral e que vai governar para os 215 milhões de brasileiros, dialogando com o Congresso e com todos os representantes eleitos. Cobrou ainda respeito ao processo eleitoral, já que Flávio disse não aceitar o resultado. "Este país tem uma Constituição. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos. Ele foi eleito para governar com base no respeito à Constituição", declarou.

O presidente reeleito afirmou, ainda, que vai discutir o seu governo com empresários, educadores, cientistas, mulheres e outros grupos sociais nos próximos dois meses. Sinalizou, ainda, que a segurança pública será uma das maiores prioridades. "Eu vou fazer o melhor mandato que um presidente já fez na história deste país", sustentou.

Oposição quer anular

Flávio Bolsonaro, por sua vez, acompanhou a apuração em uma mansão em Brasília, ao lado de aliados, como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas; o empresário Pablo Marçal; o deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG); e o deputado eleito Lucas Pavanato (PL-SP), entre outros. Após a votação, Flávio deu uma breve declaração à imprensa questionando o resultado por conta da prorrogação, em duas horas, do período para votar. A campanha vai contestar judicialmente.

O dia de votação foi marcado por suspeitas de interferência no processo eleitoral e pelo caos provocado pela prorrogação do prazo — medida inédita na História brasileira. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao menos oito estados registraram problemas com o transporte público, dificultando o trajeto dos eleitores.

Além do presidente, moradores de cinco estados e do Distrito Federal escolheram governadores. Os vencedores foram: Celina Leão (PP), no DF, com 57,21% dos votos; Mailza Assis (PP), no Acre, com 66,16%; Omar Aziz (PSD), no Amazonas, com 59,96%; Lorenzo Pazolini (Republicanos), no Espírito Santo, com 52,01%; Cadu De Lula (PT), no Rio Grande do Norte, com 50,78%; e Vicentinho Júnior (PSDB),em Tocantins, com 63,95%.

 

 

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postado em 26/10/2026 05:00
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