O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste sábado (10/10) que suspenda o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) para mobilizar aliados do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O canal, que reúne cerca de 3,2 milhões de inscritos, vem funcionando como uma das principais forças de ativação da militância nas redes sociais nesta campanha de segundo turno à Presidência.
Na representação, Flávio pede a exclusão do canal e das publicações, em duas horas, e o banimento do perfil de Janones. Além disso, pede a cassação do registro ou diploma de Lula e do seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e a declaração de inelegibilidade dos responsáveis pelas supostas condutas abusivas.
A campanha bolsonarista alega que Janones teria coordenado a disseminação de conteúdos desinformativos e ofensivos contra Flávio, em benefício da reeleição de Lula. A representação sustenta que o canal atua na distribuição de “missões” de compartilhamento de publicações e teria empregado recursos públicos de campanha em impulsionamento de propaganda negativa.
“É uma tentativa clara de censura, porque as redes sociais é onde eles sempre dominaram. Mas, com esse canal, a gente passou deles e aí eles estão tentando vencer no tapetão”, afirmou Janones em vídeo publicado nas redes sociais, onde expressou sua indignação com o pedido da campanha de Flávio.
Em resposta, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que Flávio apresente, em 72 horas, informações complementares e esclarecimentos para a análise dos pedidos.
Caberá à campanha do bolsonarista informar se medidas semelhantes já foram solicitadas em outras ações e especificar as irregularidades atribuídas a cada publicação. O corregedor ainda pede que a defesa de Flávio identifique quais conteúdos deveriam continuar ativos.
Além disso, Cueva concede cinco dias para que Flávio apresente os materiais que a petição inicial faz referência: vídeos, mensagens e outros arquivos digitais originais que não foram incluídos no processo eletrônico. A decisão menciona que tal medida possibilitará a conferência das provas e assegura o direito de defesa.
“A análise ocorrerá após os esclarecimentos, e os pedidos poderão não ser conhecidos nos pontos que permanecerem sem informação suficiente”, disse o TSE.
Ainda que adiada a análise, o corregedor admitiu o processamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e determinou a notificação de Lula, Alckmin e Janones para apresentarem defesa em cinco dias.
Ainda na decisão, o ministro ressalva que o recebimento da ação não significa o reconhecimento da veracidade das alegações. Além disso, o pedido de sigilo foi negado, ressalvada a possibilidade de proteção de dados específicos.
Janones faz live
Na noite deste sábado (10/10), o deputado reuniu mais de 470 mil pessoas em uma live no Instagram, em protesto contra o pedido de Flávio. Durante a transmissão, Janones disse que a oposição estaria com medo de perder espaço nas redes sociais, com o crescimento do Exército de Lula.
“Vocês estão com medo. Vocês estão com medo porque se acostumaram a reinar, a impor medo nas pessoas. Nós retomamos as ruas e agora estamos retomando as redes. E nós viemos para as redes. E viemos para ficar. Vocês não vão nos intimidar”, afirmou.
Janones também afirmou que a oposição “sequestrou” a bandeira brasileira e defendeu que os apoiadores do presidente retomem os símbolos nacionais como parte de sua identidade política. “Tem mais uma coisa que a gente vai retomar. Os nossos símbolos que vocês sequestraram para vocês. A bandeira do Brasil. A camisa da Seleção Brasileira. O tetra vai vir e nós vamos reeleger Luiz Inácio Lula da Silva presidente do Brasil”, declarou.
O parlamentar também agradeceu o apoio dos eleitores e afirmou que a comunidade pertence aos apoiadores. “Foi porque eu trato as pessoas que estão ali como pessoas. E eu ajudei a gerar nelas uma sensação de pertencimento. Que, me desculpe, mas esse Exército não é mais do Lula, ele não é do Janones. Ele é de vocês. Vocês fazem aquele canal ali”, declarou.
Ao final, atribuiu o engajamento à influência de Lula. “Eu conquistei essas 3 milhões de pessoas, em primeiro lugar, acima de tudo, pela força de um homem chamado Luiz Inácio Lula da Silva. Essa força é dele”, disse.
Saiba Mais
-
Política TSE dá 48 horas para Meta explicar suposta restrição a Lula na web
-
Política Alegações da campanha de Lula são falsas e não encontram respaldo, diz Meta
-
Política Lindbergh pede à PF que investigue Flávio Bolsonaro no caso de fraude no INSS
-
Política Lula cobra que Flávio detalhe corte de R$ 250 bi: "De onde você vai tirar?"
-
Política Bolsonaristas atacam Cleitinho: "Traiu eleitor de Minas"
-
Política TRE-RJ oficializa vitória de Ruas após retotalização de votos
