
Nos últimos anos, trocar a academia por outras atividades físicas tornou-se comum entre aqueles que não querem ficar com o corpo parado. Mais do que isso, foram impulsionados pela sede de uma saúde mental melhor e equilibrada. Há muito tempo, o yoga se consolida como uma ferramenta essencial para trazer bem-estar emocional, sobretudo em uma geração viciada em performance nas redes sociais.
O que para muitos olhos leigos parece ser apenas um conjunto de exercícios de alongamento é, na verdade, uma tecnologia comportamental de mais de 5 mil anos. Para Aurora Milanez de Almeida, diretora do DeRose Method Sudoeste, em Brasília, o grande trunfo da prática reside na capacidade de ancorar o indivíduo no agora. "O mais relevante que essa prática nos traz para a atuação no sistema nervoso e gerenciamento emocional é o fato de, o tempo todo, ela nos trazer para o momento presente", explica.
Segundo a instrutora, ao exigir respiração consciente e movimentos precisos, a técnica evita que a mente se perca em problemas passados ou preocupações futuras, reduzindo o espaço mental excessivo que a vida moderna demanda. Embora Aurora ressalte que casos de depressão e ansiedade devem ser acompanhados por profissionais de saúde, ela destaca o papel preventivo da modalidade: "Criar e manter uma rotina saudável é a maior aliada para a prevenção de doenças".
"No caso do DeRose Method, resgatamos o que há de mais ancestral e original dessa filosofia. O que resulta em uma prática ultra-completa, com atmosfera
e estrutura de treinamento singulares. Trabalhamos tonificação muscular, flexibilidade, respiração e mindfulness. Tudo em uma hora de aula", detalha.
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Leveza e tranquilidade
Para a economista Alice Hartmann Dutra, 25 anos, o yoga surgiu de maneira repentina, lá em 2020. Ao acompanhar pelo YouTube, descobriu nesse universo uma forma de tratar sua própria inquietação. "No início, achava que não era para mim, porque me considerava uma pessoa inquieta, mas foi justamente isso que fez a prática fazer tanto sentido", relembra a jovem.
Assim, a modalidade acabou se tornando um jeito de desacelerar e se reconectar consigo mesma. Hoje, busca praticar, pelo menos, uma vez por semana. Mas, além da prática em si, incorpora no dia a dia a mentalidade e as técnicas de respiração que aprendeu. "De certa forma, o yoga está presente todos os dias na minha rotina. Ajuda a organizar meus pensamentos, e sempre que termino saio melhor, mais centrada e leve. Também me ajudou a reduzir a ansiedade e me traz pausa no meio da rotina", completa.
Um ano antes de Alice, em 2019, Lucas Gale, 23, decidiu se aventurar no yoga. Na época, praticava outros esportes e procurava algo que pudesse melhorar seu rendimento. "Quando comecei a fazer, vi que tinha um potencial muito mais significativo do que só me tornar mais forte ou mais flexível. Afinal, o yoga tem um objetivo claro, que é atingir o samádhi (estado de consciência expandida ou estado maior de lucidez)", recorda o estudante de psicologia.
Na visão do jovem, tudo na vida mudou depois de incluir a atividade na rotina — flexibilidade, força, resistência e paz, sobretudo nos afazeres que nem sempre envolvem a prática. "Sejam emoções boas ou ruins, para mim, isso me traz muita qualidade, pois me possibilita ter mais proveito nas experiências que vivencio", afirma.
Versatilidade das linhagens
O universo do yoga é vasto, abrigando desde métodos que buscam o resgate ancestral até adaptações contemporâneas. Na Casa Adhara, em Brasília, a filosofia é vista como um caminho para lidar com o sofrimento por meio da união entre mente e corpo. No espaço, as diversas modalidades oferecidas, como hatha e vinyasa, têm ganhado destaque pela ludicidade.
Surgido de uma experiência da fundadora da Casa Adhara, Lígia Amorim, no sul da Bahia em 2022, o yoga aéreo, uma das modalidades que tem feito sucesso, utiliza tecidos suspensos em formato de "U" como apoio. "A prática me encantou de um jeito tão profundo que, ali mesmo, senti: ela precisava fazer parte da Casa", relembra Lígia. A professora Ana Tsuha, especialista na modalidade, explica que o tecido atua como um facilitador e, ao mesmo tempo, um desafio.
"O yoga aéreo é praticado com o uso de um tecido suspenso, permitindo explorar movimentos com apoio, mais leveza e sustentação", afirma Ana. Além de auxiliar na descompressão da coluna, a modalidade trabalha a entrega emocional. "As sensações de 'voar', por estar suspenso no ar, ou de estar acolhido no 'útero materno' pelo embalo do tecido na postura de relaxamento são queridinhas".
Contudo, o yoga também é recheado de pilares e conceitos que garantem comprometimento para além do tapetinho. Entre eles está o Ahimsá (não violência), que começa quando a aula termina. Em cidades caóticas, a aplicação desse código ético se torna um exercício de cidadania e autodomínio.
"Observar esse ideal antigo de treinar a não agressão, mas também o autoestudo e a autossuperação constantes, para que você consiga se condicionar a reagir de outra forma e tomar melhores decisões, exercitando a gentileza, a tolerância, a generosidade e a compaixão", defende Aurora Milanez.

Revista do Correio
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