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Ascensão internacional: Pâmela Germano brilha em Homem em chamas

Brasiliense Pâmela Germano estreia em produção internacional da Netflix e vive personagem marcada por perdas, coragem e desejo de recomeço

Pâmela Germano interpreta 
a personagem Marina na série -  (crédito: Fotos: Divulgação)
Pâmela Germano interpreta a personagem Marina na série - (crédito: Fotos: Divulgação)

A série Homem em chamas estreou na quinta-feira (30/4) na Netflix e chegou cercada de expectativas. Nova adaptação do livro de A. J. Quinnell, a produção mistura ação, drama e relações humanas intensas em uma narrativa que atravessa diferentes países e realidades. Entre os destaques do elenco está a atriz brasiliense Pâmela Germano, que conversou com o Correio Braziliense sobre a experiência de integrar um projeto internacional.

A trama acompanha John Creasy, interpretado por Yahya Abdul-Mateen II, um ex-mercenário que tenta lidar com traumas do passado enquanto busca vingança. Em meio a esse cenário, ele assume a missão de proteger a filha de um amigo falecido, conectando ação e emoção em uma história marcada por perdas, violência e laços afetivos. Para Pâmela, o convite para participar da série veio de forma inesperada e carregado de emoção.

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"Eu estava no hospital, não lembro exatamente por quê. A Natália Crivilin, minha agente, me ligou falando que eu consegui o papel. Entramos em êxtase. Eu não parava de chorar quando liguei para os meus pais e contei a notícia. Parecia um sonho, porque eu quis muito esse trabalho. Ele me chamou a atenção desde o início, pelo tom das personagens, do humor ácido no meio da ação", diz. "A minha personagem tinha uma inteligência e uma ingenuidade (um duplo complexo) que me atraía", acrescenta.

O projeto também representa a concretização de um desejo antigo da atriz: atuar em produções internacionais. Formada em inglês graças à insistência e aos esforços dos pais, ela reconhece que isso abriu caminho para que a conquista fosse possível. Mesmo assim, quando soube do teste, entrou em contato com uma professora e estudou ainda mais o inglês.

Trabalhar em uma série de ação comandada por Kyle Killen trouxe novos desafios e aprendizados. Para a atriz, foi uma realização maravilhosa, vista como uma oportunidade de colocar à prova o que se tem, mas também de estudar outros modos de fazer. A série não tem medo de cenas elaboradas e arriscadas, e Pâmela atuou em estruturas gigantescas, em estúdio e nas ruas da Cidade do México. Apesar de a narrativa se passar em grande parte no Rio de Janeiro, as gravações ocorreram majoritariamente fora do país.

Ainda assim, a experiência em solo carioca marcou a atriz. "Eu gravei somente uma cena no Rio de Janeiro, e foi minha primeira vez gravando lá. Foi épico: último momento mãe e filha da série numa locação beira-mar em Copacabana. Gravar com a Alice Braga é uma experiência muito aprofundada e bonita. E nesse dia, teve o mar do Rio de Janeiro soprando no nosso rosto a maresia. A presença do mar é sempre absoluta."

Ela também destaca a grandiosidade da produção internacional. "A maior parte da série foi gravada na Cidade do México, em estúdio, e com algumas locações externas. Sei que tiveram diárias na Rocinha, mas a produção replicava a periferia nos estúdios do México. Uma coisa estratosférica", destaca.

Construção da personagem

Na trama, Pâmela interpreta Marina, uma jovem que vive em meio a perdas e violência urbana. A construção da personagem exigiu uma preparação emocional intensa. "A Marina se insere num contexto atravessado por complexidades. Ela e sua mãe saem de São Paulo após a morte violenta do pai de Marina, e se mudam para a periferia do Rio. Nesse sentido, precisei trabalhar dentro de mim uma relação muito bem situada com a figura da mãe e com a atriz que a interpreta, que foi Alice. Uma relação que se trata de sobrevivência, de parceria e de uma sinceridade maturada, visto o trauma que as une e que as coloca numa necessidade de ter que confiar muito na outra para seguirem", conta.

A atriz também buscou referências para compor o papel. "A Marina quer estudar, quer escrever outra história. Isso me apoiou muito enquanto força interna para a personagem. Busquei o desejo de algo além daquilo que a envolve. E, para mim, por mais que seja nova, Marina tem perplexidade e tato. Ela se torna uma personagem de oposição e enfrentamento ao panorama geral das outras personagens que já se veem completamente enlaçadas pelas dinâmicas da violência. Rever Cidade de Deus acaba sendo um pouco inevitável dentro de todo esse universo, e quis rever para entrar em contato com alguns detalhes que tinha em mente."

Contracenar com nomes consagrados foi outro ponto marcante da experiência. "Um momento definitivamente forte pra mim foi em uma cena em que Marina descobre uma informação que a mãe esconde por um tempo. Eu a indago e enfrento o John Creasy (Yaha Abdul-Mateen II). Em algum momento, enquanto estávamos gravando, eu pisquei, respirei fundo e reparei um pouco melhor: eu, Pâmela Germano, estava fazendo uma cena dramática com ninguém mais ninguém menos que Alice Braga e Abdul Yaha. Uma cena maravilhosa, em português e inglês, e sendo dirigida por ninguém mais ninguém menos que Claire Kilner. Ali, bateu. Senti uma mistura de perplexidade e de vontade de chorar, e um fogo de correr meio mundo subindo no corpo. É aquilo: passa um filme na cabeça. O público pode esperar da Marina muita teimosia."

Marco na carreira

Para a atriz, o projeto marca um ponto de virada na carreira. "Significa um marco gigantesco. Um feito mesmo, e quero dar nome e falar disso à altura. É uma releitura de um filme grande de Denzel Washington, um trabalho internacional, com equipes de três países diferentes (EUA, Brasil E México), com direção de Steven Caple Junior, Vicente Amorim, Claire Kilner e Michael Cuesta, e uma produção Netflix norte-amerinada. Um elenco e produção de peso. É um outro tamanho de indústria e funcionamento. Para mim, isso representa uma conquista enorme, um salto de reconhecimento e continuidade do meu trabalho."

Além de Yahya Abdul-Mateen II e Alice Braga, o elenco conta com nomes como Scoot McNairy, Bobby Cannavale e Paul Ben-Victor. Com sete episódios, a série aposta em uma narrativa intensa e visualmente impactante para conquistar o público. Entre cenas de ação elaboradas e relações humanas profundas, Homem em chamas chega como uma das grandes apostas do streaming e consolida Pâmela Germano como um novo nome brasileiro a ganhar espaço em produções internacionais.

 


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postado em 03/05/2026 00:01 / atualizado em 03/05/2026 09:34
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