
Com a rotina apressada, pode parecer cada vez mais difícil tirar um tempo para se dedicar à atividade física. Com isso, a cultura das academias responde. Modelos de treinos rápidos que garantem resultados com a ação de recuperação do corpo após as atividades se tornam cada vez mais presentes.
O professor de educação física Rafael Mariano, da academia Fast Training, afirma que os treinos de alta intensidade são um estímulo para o organismo. “Durante a sessão, provocamos uma demanda maior sobre músculos, sistema cardiovascular e reservas energéticas. Depois do exercício, começa uma etapa fundamental: a recuperação”, explica. Segundo ele, nesse período, o corpo trabalha a favor de restabelecer o equilíbrio e se adaptar ao estímulo que foi desenvolvido durante a prática.
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“Dependendo do tipo de treino, podem ocorrer processos relacionados a recuperação muscular, reposição das reservas de energia e adaptações que, com constância, contribuem para melhorar força, condicionamento e composição corporal”, detalha.
Nenhum resultado é milagroso; constância também faz parte da rotina de quem é adepto do fast training; Se bem planejada, a rotina de exercícios pode ter apenas dois dias semanais e alcançar o objetivo imposto; da mesma forma que, treinando seis vezes na semana, se o treino não for estruturado, os resultados não aparecem. “Quem consegue treinar duas vezes por semana pode evoluir muito com um treino bem estruturado, assim como quem treina cinco ou seis vezes precisa ter uma organização adequada para não exagerar na carga e no volume”, reforça o professor.
Mas atenção com o overtraining — ou supertreinamento. Uma série de fatores pode fadigar excessivamente o corpo, atingindo um nível de cansaço extremo por trabalhar demais a musculatura. “O risco de overtraining não está ligado apenas ao número de sessões semanais. Precisamos observar fatores como intensidade, volume, sono, alimentação, nível de condicionamento e recuperação individual”, afirma.
Com a intensidade, ocorre, de forma temporária, um maior consumo de oxigênio e do gasto energético, conhecido como EPOC. “Não gosto de vender a ideia de que o organismo ficará 'queimando gordura por horas' como uma solução milagrosa”, pondera. Para Rafael, os resultados estão relacionados ao treino bem prescrito, alimentação adequada, recuperação e constância. “É essa repetição de bons estímulos ao longo do tempo que faz o corpo evoluir”, resume.
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Pré e pós-treino
Segundo Guilherme Lisboa, profissional de educação física na Cia Athletica Brasília, o aquecimento do corpo é importante para ajudar a preparar a musculatura e as articulações para os movimentos, e o resfriamento ajuda a reduzir o esforço e voltar à calma após exercícios muito intensos.
O professor explica que o fast training dura, em média, 45 minutos, mas esse não é o principal indicador de qualidade. “Mais importante do que passar muito tempo treinando é ter um treino bem planejado, executado com qualidade, intensidade adequada e constância”, reforça. O perfil dos alunos deve ser estudado por um profissional que avalie a necessidade e o limite, baseado nos objetivos a serem alcançados. “Buscamos otimizar cada etapa do treino, com exercícios de força e estímulos cardiovasculares de acordo com o objetivo e a necessidade de cada aluno.”
De acordo com Guilherme, quando os treinos são mais intensos, os sistemas muscular, cardiovascular e energético são mais demandados. “No treinamento de força, por exemplo, buscamos gerar tensão suficiente para estimular adaptações como aumento de força e de massa muscular. Já nos estímulos cardiovasculares mais intensos, conseguimos elevar a frequência cardíaca e aumentar a demanda energética”, diz.
Há, porém, uma advertência: aumentar a potência não significa levar a pessoa ao limite sempre. “Para um iniciante, determinado estímulo pode representar alta intensidade, enquanto para uma pessoa treinada pode ser relativamente leve. O segredo do treino rápido está muito mais na qualidade e na organização do estímulo do que simplesmente em fazer tudo mais rápido”, adverte. “Ganhar força, melhorar o condicionamento, aumentar a disposição, preservar massa muscular e melhorar a capacidade para as atividades do dia a dia também são resultados extremamente importantes”, complementa Rafael.
Acompanhamento
Guilherme Lisboa destaca a importância de, nesse tipo de treino, manter o acompanhamento profissional, como forma de prevenção contra lesões e eficiência dos exercícios. Até porque, nas palavras do especialista, “o problema das lesões não é a intensidade, mas, sim, a execução errada durante os exercícios”.
Para Rafael, o importante não é apenas o tipo de exercício, mas como ele é prescrito. Fatores como intensidade, volume, intervalos corretos entre as séries e nível de condicionamento devem ser ajustados conforme a evolução do aluno. “Na Fast Training, trabalhamos muito com a combinação do treinamento de força com estímulos cardiovasculares, sempre respeitando a capacidade e o objetivo de cada aluno”, defende.
Além de regular a intensidade e o tempo ideal para cada indivíduo, o acompanhamento profissional dita quais exercícios são os melhores para cada objetivo a ser atingido. “Treinos de força, como a musculação, e exercícios de maior intensidade são excelentes estratégias para aumentar o gasto energético e estimular o metabolismo.”
O funcionário público Jefferson Ferreira Santos, 42 anos, é adepto dos treinos rápidos. Para ele, significaram uma forte mudança na sua capacidade de se manter constante na rotina. “Antes, eu tinha muita dificuldade de manter uma rotina de exercícios. Até começava a treinar, mas acabava faltando por causa da correria do dia a dia”, confessa. Quando passou a fazer esse método, sentiu como maior impacto a possibilidade de fazer treinos completos e bem estruturados, sem precisar gastar horas do dia.
No começo, chegou a duvidar da funcionalidade dos exercícios. “Eu tinha aquela ideia de que, para ter resultado, precisava ficar uma hora e meia ou até duas horas na academia. Depois, percebi que não é só o tempo que importa, mas a qualidade do treino”, conta. “Hoje, sinto minha evolução na força, no condicionamento e também vejo diferença no meu corpo”, relata.
Para ele, com a rotina acelerada, ter previsão de quando a série vai começar e acabar, ajuda a planejar melhor o dia. “Normalmente treino pela manhã, antes de começar os compromissos do dia. Como o treino dura em torno de 45 minutos, consigo me organizar muito melhor.”, explica. Além disso, a rotina é eficiente, ele chega e o professor já sabe o que vai passar, sem perder tempo. “Praticamente não tem tempo perdido. Durante o treino você sente que realmente está trabalhando, mas sempre respeitando seu limite. No final, dá aquela sensação de missão cumprida.”
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
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Mariana Morais