O aumento na busca por alternativas respeitosas para a despedida de animais de estimação tem transformado o setor pet e impulsionado o mercado de sepultamentos e cremações dedicados aos bichinhos. Entre a opção do sepultamento em cemitérios licenciados e a praticidade da cremação — que permite guardar ou dispersar as cinzas —, os tutores buscam lidar com o luto, garantindo um adeus digno e seguro para o meio ambiente.
Embora o hábito de enterrar animais de estimação no próprio quintal seja comum, a prática é configurada como crime ambiental em diversos municípios brasileiros devido aos sérios riscos à saúde pública. A decomposição do corpo libera necrochorume — um líquido rico em bactérias, vírus e metais pesados —, capaz de contaminar o solo e os lençóis freáticos que abastecem a região. Para além dos perigos sanitários, a prática desrespeita legislações de controle de zoonoses e pode render multas pesadas aos tutores.
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Além do hábito de enterrar os animais em terrenos, as clínicas veterinárias costumam oferecer serviços de cremação coletiva e destinação ambientalmente correta das cinzas. Assim, para os tutores que querem prestar uma homenagem individualizada ou guardar a memória fisicamente, esse tipo de procedimento não é o ideal.
Nesse sentido, são criados outros métodos para a despedida. A principal questão enfrentada pelos tutores no Distrito Federal, porém, é o alto custo dos cemitérios privados e das cremações individuais, além da falta de serviços públicos.
Cremação
Adrian John Loughrey é dono da Diamante Pet, empresa especializada em cremação de animais, e explica por que o tema ainda é tratado como um tabu. "O maior desafio ainda é falar sobre a morte de um animal de estimação antes que ela aconteça. Muitas pessoas evitam esse assunto porque acreditam que falar sobre a perda traz tristeza ou significa esperar pelo pior."
Ele explica que é extremamente raro um tutor chegar ao crematório para entregar seu animal e conseguir sair sem derramar algumas lágrimas. "Muitas vezes, a pessoa chega tentando ser forte, mas, no momento da entrega, a emoção aparece."
Diferentemente das clínicas veterinárias, nas quais é realizada a cremação coletiva e hoje é o método mais procurado pelas famílias, as empresas especializadas realizam o procedimento individualmente. "O processo começa com o recolhimento do animal, realizado de forma cuidadosa e respeitosa. Na chegada ao crematório, fazemos a identificação e o registro do animal, garantindo a rastreabilidade durante todo o processo. Após a cremação, existe um período de resfriamento e, posteriormente, as cinzas passam pelo processo de preparação e são acondicionadas na urna escolhida pela família."
Adrian expõe que as cinzas podem ser guardadas de diversas formas. "Hoje, existem diversas formas de transformar as cinzas em uma lembrança permanente. A família pode escolher diferentes modelos de urnas, desde opções mais tradicionais até modelos mais sofisticados e personalizados. Também existe uma procura crescente por alternativas que permitam manter uma lembrança do pet de uma maneira mais próxima no dia a dia, como peças memoriais e outras formas de homenagem." Existe também a possibilidade de eternizar os animais em forma de joias, diamantes ou bioacessórios.
Assim como ocorre com os humanos, as empresas oferecem a possibilidade de contratação de planos antes do falecimento dos pets. "O planejamento preventivo não significa antecipar a despedida. Significa garantir que, quando esse momento inevitavelmente chegar, a família possa se concentrar no que realmente importa: despedir-se do seu animal com carinho, dignidade e respeito", acredita Adrian.
Cemitérios especializados
Outra opção são os cemitérios especializados para animais. Dependendo das políticas de cada estabelecimento, os animais podem ser enterrados de acordo com o peso e a causa da morte. Sheila Ribeiro, gestora do primeiro cemitério para pets do Distrito Federal, o Memorial Jardim dos Animais, explica de onde veio a vontade de criar esse espaço. "Esse local representa uma maneira a mais de demonstrar a quem nos acompanha durante todos os seus dias o grande amor que por eles sentimos, inclusive depois da vida, pois esse paraíso é o lugar onde todos desejam repousar."
No Memorial, Sheila oferece duas modalidades para que as famílias se despeçam dos companheiros de quatro patas. "Existe o plano no qual o jazigo não é perpétuo, com duração inicial de dois anos e sem cobrança de taxa de manutenção. Após esse período, a família tem a opção de renovar o contrato. Caso opte por não renovar, os restos mortais são transferidos para o ossário do Memorial, onde ficam guardados permanentemente, sem custos adicionais."
Há também o jazigo perpétuo, que garante a posse definitiva do espaço. A partir do primeiro ano do sepultamento, é cobrada uma taxa anual de manutenção equivalente a 15% do salário mínimo vigente. Em ambos os casos, o serviço inclui o deslocamento até o memorial, a sala de velório, a embalagem para proteção do animal e do meio ambiente e a lápide.
Ela afirma também que o espaço não limita as visitas aos animais sepultados e que, anualmente, há um encontro entre os tutores. "É o Dia de Agradecimento. Neste ano, acontecerá no dia 10 de outubro, para as famílias dos animais."
Diante de um cenário em que os animais de estimação ocupam, cada vez mais, o papel de membros fundamentais do núcleo familiar, a busca por uma despedida digna deixa de ser um artigo de luxo e passa a ser vista como um ato de responsabilidade e afeto.
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
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