
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para a vacina nonavalente Gardasil 9, contra papilomavírus humano (HPV), que amplia a prevenção contra tumores. Segundo a agência, o imunizante tem potencial na proteção contra cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço associados à infecção pelo vírus.
A decisão, publicada na terça-feira (10/2), estende ainda a indicação da vacina para crianças, adolescentes e adultos de 9 a 45 anos, faixa etária em que o imunizante já é recomendado para outros desfechos clínicos relacionados ao HPV. Agora, a vacina passa a ser oficialmente indicada não apenas para prevenir cânceres do colo do útero, vulva, vagina e ânus, como também tumores que se desenvolvem na região da orofaringe (que engloba parte da garganta, como base da língua e amígdalas) e outros cânceres de cabeça e pescoço associados aos tipos de HPV incluídos na formulação.
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Segundo a Anvisa, a decisão se apoia em evidências de estudos internacionais de “vida real” que demonstram a eficácia e a segurança da vacina na redução de infecção por HPV e seu potencial impacto na prevenção de tumores fora das regiões anogenitais. Entre esses estudos, houve análises brasileiras que mostraram menor prevalência de infecção oral em indivíduos vacinados em comparação com não vacinados, o que sugere um efeito protetor também na cavidade oral.
Os cânceres de orofaringe, de cabeça e pescoço têm apresentado um perfil epidemiológico em mudança nas últimas décadas. Com a redução do tabagismo e do consumo intenso de álcool (historicamente os principais fatores de risco) a infecção pelo HPV tem assumido papel mais preponderante em muitos casos, especialmente entre adultos jovens e homens. Estudos apontam que uma proporção crescente desses tumores está associada a tipos de HPV de alto risco.
Esse tipo de câncer costuma ser diagnosticado em estágios mais avançados, em parte porque não existem programas de rastreamento sistemático equivalentes ao Papanicolau para o câncer do colo do útero. Por isso, a prevenção primária ganha ainda mais importância.
Com a ampliação da indicação, a vacina contra HPV passa a ser formalmente recomendada para pessoas de 9 a 45 anos, independentemente de sexo, com o objetivo de reduzir o risco de uma gama mais ampla de cânceres relacionados ao vírus. O ministério da saúde reforça que a imunização ideal ocorre antes do início da vida sexual, quando a exposição ao vírus ainda não aconteceu ou é mínima, o que maximiza a resposta imunológica e o benefício protetor da vacina.
No Brasil, a vacina contra HPV faz parte do calendário nacional de imunização desde 2014 e tem sido uma ferramenta relevante para prevenir cânceres anogenitais e verrugas genitais.

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