REGULAMENTAÇÃO

Anvisa limita dose de cúrcuma em suplementos e exige alerta nos rótulos

Nova regra fixa faixa segura de consumo, restringe uso por grupos vulneráveis e dá prazo de seis meses para adaptação das empresas após registros raros de lesão hepática

A cúrcuma é amplamente utilizada como tempero e também como base para produtos com proposta anti-inflamatória -  (crédito: Reprodução/Canva)
A cúrcuma é amplamente utilizada como tempero e também como base para produtos com proposta anti-inflamatória - (crédito: Reprodução/Canva)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a exigir limites de dosagem e advertências obrigatórias em suplementos alimentares à base de cúrcuma. A medida foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (22/4) e responde a alertas nacionais e internacionais sobre risco raro de inflamação e danos ao fígado associados ao uso excessivo desses produtos.

A nova norma atualiza regras em vigor desde 2018 e, pela primeira vez, define uma faixa considerada segura para o consumo de compostos derivados da cúrcuma em suplementos. Também estabelece restrições para grupos mais vulneráveis.

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Pelos critérios definidos pela agência, os produtos devem respeitar, para adultos, ingestão mínima de 80 mg de curcuminoides por dia. O limite máximo passa a ser de 130 mg de curcumina e de 120 mg de tetraidrocurcuminoides.

Além disso, os rótulos deverão trazer, obrigatoriamente, um alerta claro informando que o consumo não é recomendado para gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doenças hepáticas, biliares ou úlceras gástricas.

As empresas terão seis meses para adequar fórmulas, embalagens e rotulagem. Nesse período de transição, os produtos ainda poderão ser comercializados, desde que as advertências estejam disponíveis ao consumidor por outros canais, como sites e serviços de atendimento.

A decisão da Anvisa acompanha um movimento internacional. Autoridades sanitárias de países como França, Canadá, Itália e Austrália já haviam emitido alertas após a identificação de casos suspeitos de toxicidade hepática relacionados ao uso de suplementos com cúrcuma, especialmente em versões concentradas ou com tecnologias que aumentam a absorção da curcumina.

Segundo a agência, o risco está associado justamente a essas formulações mais potentes, que elevam a quantidade da substância efetivamente absorvida pelo organismo.

A cúrcuma é amplamente utilizada como tempero e também como base para produtos com proposta anti-inflamatória. Seu principal composto ativo, a curcumina, tem propriedades antioxidantes. O problema surge quando a substância é ingerida em concentrações elevadas, como em cápsulas e extratos.

Nesses casos, o fígado, responsável por metabolizar compostos químicos, pode reagir com inflamação, levando a quadros de hepatite medicamentosa. Embora o risco seja considerado raro, ele aumenta diante de uso prolongado, altas doses ou associação com outros medicamentos.

A Anvisa ressalta que a nova regulamentação não afeta o uso da cúrcuma na alimentação. Nas quantidades utilizadas como tempero, a substância é considerada segura. A medida se restringe aos suplementos, que concentram níveis muito mais altos do composto ativo.

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postado em 22/04/2026 10:41
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