
No seminário com o Tema Transporte para Todos, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbano (NTU) defendeu um novo modelo de financiamento do sistema, com reformulação do Vale Transporte e recursos da Educação, Saúde e Social para custear as gratuidades dos seus respectivos públicos.
O transporte urbano de passageiros precisa de planejamento de longo prazo, novas fontes de financiamento e investimentos maciços em infraestrutura para evitar um colapso e avançar na descarbonização das cidades. O diagnóstico foi apresentado pela diretora executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Fernanda Rezende, durante o Seminário Nacional NTU 2026, realizado no âmbito da feira Lat.Bus, em São Paulo.
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Segundo dados do Plano CNT de Transporte e Logística expostos no evento, o Brasil soma 2.837 projetos estratégicos que demandam R$ 2,03 trilhões em investimentos. Deste total, 328 projetos são voltados estritamente à mobilidade urbana, totalizando uma necessidade de R$ 518,4 bilhões para intervenções em modais rodoviário, ferroviário, aquaviário e terminais de integração.
Panorama dos Investimentos em Mobilidade Urbana (Plano CNT)
- Investimento total necessário: R$ 518,40 bilhões (328 projetos)
- Modal Ferroviário: R$ 410,5 bilhões (83 projetos)
- Modal Rodoviário urbano: R$ 97,6 bilhões (230 projetos / 2.896,4 km de extensão)
- Modal Aquaviário: R$ 7,5 bilhões (3 projetos)
- Terminais urbanos: R$ 2,8 bilhões (12 projetos)
- Foco no Rodoviário: Dos R$ 97,6 bilhões do setor rodoviário, R$ 86,39 bilhões são voltados diretamente à implantação de sistemas de priorização do transporte coletivo (204 projetos).
O peso do trânsito e o impacto ambiental
Durante sua apresentação, a diretora da CNT relacionou a falta de infraestrutura ao impacto direto na rotina dos cidadãos. Números do ranking de congestionamento apresentados no seminário mostram que motoristas e passageiros perdem centenas de horas anuais parados no tráfego. Curitiba lidera as capitais com 135 horas perdidas ao ano nos horários de pico, seguida de perto por São Paulo (132 horas), Recife (130 horas) e Belo Horizonte (130 horas).
Perda de tempo no trânsito nos horários de pico (Capitais brasileiras)
- Curitiba: 135 horas/ano
- São Paulo: 132 horas/ano
- Recife: 130 horas/ano
- Belo Horizonte: 130 horas/ano
- Porto Alegre: 125 horas/ano
- Fortaleza: 121 horas/ano
- Rio de Janeiro: 92 horas/ano
- Salvador: 81 horas/ano
- Brasília: 58 horas/ano
Fernanda Rezende ressaltou que a mobilidade urbana deve ser encarada como prioridade de Estado para atender compromissos como o Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Ela apontou para a desproporção entre o uso do transporte individual e coletivo na poluição urbana.
"Quando falamos de descarbonização, um estudo mostra que um ônibus emite cerca de um sexto do que emite uma frota equivalente de motos para transportar a mesma quantidade de passageiros. Cerca de 10% das emissões do setor vêm dos ônibus, enquanto veículos leves respondem por 48%. Se tiramos motos e carros da via e colocamos mais ônibus com infraestrutura segregada, o ganho ambiental e de fluidez é imediato", defendeu a diretora.
Sustentabilidade financeira e envelhecimento da frota
Outro ponto central debatido foi o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos e a necessidade de linhas de crédito direcionadas. Fernanda alertou que a operação mantida exclusivamente pela tarifa paga pelo usuário é insuficiente para suportar crises de demanda e bancar a transição energética.
Segundo a executiva, a falta de crédito acessível para veículos pesados fez a idade média da frota nacional de ônibus subir de uma faixa histórica de 3 a 4 anos para cerca de 6 anos.
"O empresário precisa de retorno financeiro para cumprir a regulação, fazer manutenção preventiva e renovar a frota. Hoje há linhas de crédito abundantes para a compra de veículos leves individuais, mas recursos escassos para frotas pesadas e transição energética. Muitas prefeituras exigem veículos elétricos ou a gás, mas não oferecem contrapartidas financeiras. Precisamos de apoio técnico-financeiro da União, subsídio às gratuidades e diversificação das fontes de custeio para garantir um transporte público eficiente e acessível", concluiu Rezende.
*A repórter viajou a convite da NTU
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