
O poeta e jornalista Luis Turiba morreu em Salvador nesta quarta-feira (26), aos 76 anos. Nascido em Pernambuco no ano de 1950, o escritor mudou-se para Brasília em 1978, cidade que mais tarde lhe concedeu o título de Cidadão Brasiliense em reconhecimento aos seus serviços prestados à cultura local.
Além de conquistar duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo, publicar diversos livros e a revista Bric-a-Brac, Turiba recebeu anistia política e um pedido oficial de desculpas do governo pela prisão na época da ditadura militar.
Nascido em Recife, Turiba se mudou bem de novo para o Rio de Janeiro e foi criado de uma “maneira carioca”, como ele mesmo descrevia. Foi no Rio onde ele integrou movimentos estudantis durante o governo do general Costa e Silva, da ditadura.
Durante o Ato Institucional n°5, vários estudantes do grêmio estudantil da escola técnica em que ele fazia parte foram expulsos, e Turiba foi impedido de se formar. Ele tinha entre 17 e 18 anos quando foi preso pela Polícia Militar. A pena de seis meses, se transformou em nove, e só depois disso, ele foi solto.
Em 21 de agosto de 2024, em decisão unânime, a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH) concedeu anistia política e oficializou o pedido de desculpas a Turiba.
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Em entrevista ao Correio na época, Turiba contou que a decisão da comissão foi memorável. "Eu me emocionei bastante com a técnica do governo de pedir desculpas por tudo o que o Estado fez com você, com a sua geração, reconhecendo que houve abusos e que a sociedade brasileira já reconheceu há muito tempo", pontuou.
"Fui preso, fui maltratado e todas essas coisas que falam da ditadura eu e a minha geração toda, não sou só eu, foram vítimas também e estão nessa luta pela indenização e pelo reconhecimento de direito a essa anistia", acrescentou.
A decisão unânime foi dada porque o poeta apresentou farta documentação que comprova que foi perseguido por razões políticas entre outubro de 1970 e junho de 1987. Ao todo, Turiba contabilizou dados e documentos de 20 anos.
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O sonho de se tornar jornalista se concretizou aos 23 anos, com estágios em notórios jornais brasileiros mesmo sem ter um diploma. Na carreira passou por redações do Diário de Notícias, do O Globo e em Brasília nos jornais Gazeta Mercantil, Jornal de Brasília e também no Correio Braziliense.
Turiba morreu em casa em decorrência de complicações de saúde, incluindo um quadro pulmonar grave decorrente de sequelas da covid longa e insuficiência cardíaca, condição que já o havia levado a realizar uma cirurgia de ponte de safena aos 53 anos. Ele deixa cinco filhos e netos. O velório de Turiba será na quinta-feira (27/8), a partir de 14h, em Salvador. A cremação será às 16h30, no Cemitério Jardim da Saudade.

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Mariana Morais