
O subtenente do Exército Geovane Araújo Santos, de 50 anos, morreu na manhã de segunda-feira (9/2) na unidade da Smart Fit da quadra 305, na Asa Norte, após um mal súbito enquanto se exercitava na esteira. Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF), o homem morreu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. Esse é o segundo caso de morte em academia em 2026. Em janeiro, uma mulher de 65 anos morreu durante uma aula de hidroginástica no Centro Olímpico de Brazlândia.
A corporação informou que Geovane recebeu os primeiros socorros dos profissionais da academia. Ao assumirem a ocorrência, manobras de reanimação foram iniciadas. Apesar da ação dos socorristas, Geovane não resistiu e morreu antes da chegada do SAMU.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
No Distrito Federal, desde 2015, as academias não são obrigadas a exigir atestado médico dos alunos no momento da matrícula. Após a aprovação da Lei 5.555, pela Câmara Legislativa (CLDF), o documento, que era obrigatório, foi substituído pela assinatura de um termo de responsabilidade pelo aluno.
Apesar da agilidade que a lei trouxe, a cardiologista Anny Gutemberg reforça a importância de realizar avaliação física antes de ingressar em alguma academia. "O objetivo do check-up não é restringir a prática da atividade, mas garantir que ela seja realizada de forma segura e individualizada", explicou.
De acordo com ela, as pessoas têm diferentes corpos e estilos de vida, o que dificulta uma padronização dos exercícios e da rotina de treinamento. "Alguns apresentam maior risco de complicações cardiovasculares relacionadas à prática de atividade física", ressaltou.
Segundo um levantamento feito pelo Correio, desde 2024, ao menos seis pessoas morreram após ataques cardíacos em academias no DF. Para Anny Gutemberg, os casos podem estar relacionados à exposição de indivíduos sedentários a protocolos de treinamento de alta intensidade sem a devida avaliação médica.
A médica acredita que a avaliação física é importante para todas as pessoas, mais citou casos em que ela se torna indispensável. "Pessoas com histórico familiar de morte súbita ou cardiopatias hereditárias, além de presença de fatores de risco — como hipertensão, diabetes, tabagismo e obesidade — precisam tomar muito cuidado antes de começar a frequentar um ambiente como a academia", ressaltou.
Além disso, a necessidade de exames complementares pode aumentar, de acordo com as condições do paciente. "Em pessoas acima de 35 anos ou com fatores de risco cardiovascular, eletrocardiogramas, testes ergométricos e, em alguns casos, ecocardiograma e holter são indicados", detalhou. Segundo a especialista, esses exames são fundamentais para identificar alterações silenciosas que podem vir à tona apenas durante o esforço físico.
Outro ponto de preocupação abordado pela médica é o uso de substâncias ricas em cafeína, conhecidas como pré-treinos. "Esses compostos aumentam a demanda miocárdica de oxigênio, elevam a pressão arterial e podem precipitar arritmias ventriculares, sobretudo durante o exercício físico", alertou. Para Anny Gutemberg, o uso não é proibido, mas deve seguir algum critério, principalmente em indivíduos cardiopatas.
Desfibrilador
A Lei Nº 3.585, de 2005, obriga que locais como academias, shoppings, lojas de departamento, entre outras, tenham desfibriladores cardíacos semi-automáticos externos para atender possíveis ocorrências de parada cardíaca. Apesar da importância do equipamento, a cardiologista Anny Gutemberg ressalta que "equipamento sem capacitação não é suficiente". "As diretrizes são claras ao afirmar que a eficácia da desfibrilação depende de reconhecimento precoce, início imediato de reanimação cardiopulmonar e treinamento adequado da equipe", explicou.
A Smart Fit emitiu uma nota informando que Geovane Araújo foi prontamente atendido pela equipe da academia e se solidariza com a família e os amigos. A rede afirmou que todas as unidades possuem equipamentos para lidar com situações como essa. "As unidades estão em conformidade com a legislação e dispõem de equipamentos como desfibriladores e funcionários treinados para primeiros-socorros", afirmou. A unidade permaneceu fechada, na segunda-feira (9/2), em respeito ao aluno, e reabre nesta terça-feira (10/2).
Saiba Mais
Cuidados para treinar
• Priorizar progressão gradual da carga de treino, evitando aumentos abruptos de intensidade;
• Evitar a prática de exercícios em situações de desidratação, infecção aguda ou privação de sono;
• Interromper imediatamente a atividade diante de sintomas cardiovasculares, como dor no peito, tontura, palpitações ou falta de ar desproporcional ao esforço;
• Reconhecer que desempenho esportivo nunca deve se sobrepor à segurança cardiovascular;
• O uso de anabolizantes não é recomendado, pois está associado a aumento do risco de arritmias, hipertensão e eventos cardiovasculares graves;
• Suplementos pré-treino devem ser utilizados com moderação e critério, preferencialmente com orientação profissional, especialmente aqueles que contêm altas doses de cafeína ou outros estimulantes.
Fonte: Anny Gutemberg, cardiologista

Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF