
A desigualdade no tratamento de homens e mulheres na sociedade produz cenas cotidianas de violência, seja física ou psicológica no país. A jurista Cristina Tubino, assessora da ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), afirmou, nesta terça-feira (24), que somente políticas educacionais vão atuar de maneira profunda para combater a violência contra à mulher no Brasil. Ela participou do CB.Debate com o tema O Brasil pelas Mulheres — formação para uma cultura de proteção, realizado pelo Correio Braziliense.
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Para Cristina, é necessário que as mulheres assumam o protagonismo de suas próprias vidas e também dos espaços na sociedade. “90% do que falamos aqui hoje foi sobre mulheres em situação de violência. Claro que quando falamos sobre protagonismo da mulher estamos falando sobre o protagonismo feminino como força de transformação social. As mulheres são sujeitos ativos de mudança. Mas o que temos visto muito é que ainda temos que lutar muito contra as desigualdades. Isso é uma coisa que todo mundo que sempre me ouviu falar, sempre bato na mesma tecla. A gente só vai conseguir mudar a situação da violência contra a mulher se nós conseguirmos mudar a forma da mulher ser vista. E isso a gente só consegue com educação”, destacou.
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Ela destacou que a discussão sobre aumento de pena, de punição para os agressores é relevante, mas que quando ela ocorre, a violência já está exacerbada e é preciso atacar o problema antes que ele ocorra. “Quando o Judiciário discute a punição lá no final, quando aumentamos a pena, quando precisamos que o Legislativo fale o óbvio, como o Congresso promulgando que a dignidade da menina de 14 anos é absoluta, nós estamos discutindo o problema já instaurado. É porque a mulher já foi vítima de violência”, ressaltou.
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O Correio Braziliense promoveu mais uma edição do CB Debate com o tema O Brasil pelas Mulheres — formação para uma cultura de proteção. Realizado durante o Mês da Mulher, o encontro reúne representantes do poder público, especialistas, profissionais da educação e integrantes da sociedade civil para discutir o papel das instituições na construção de ambientes mais seguros e igualitários para as mulheres. A iniciativa propõe o fortalecimento do enfrentamento à violência de gênero por meio de ações estruturais, apostando no diálogo e na formação como caminhos para mudanças duradouras. O evento integra uma série de debates promovidos ao longo do ano pelo Correio voltados à valorização das mulheres e à discussão de políticas públicas.
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