Aos domingos, o asfalto do Eixão deixa de ser apenas via de passagem e se consolida como espaço de encontro, lazer e, principalmente, trabalho. Entre famílias, esportistas e visitantes, ambulantes e pequenos comerciantes montam suas barracas e carrinhos, transformando o local em uma verdadeira feira a céu aberto, onde o comércio informal garante renda, autonomia e sustento para dezenas de pessoas.
Luiz Alves, 53 anos, é um dos rostos conhecidos do público que frequenta o evento. Ele conta que a relação com o espaço é antiga e atravessa décadas de trabalho informal. "Já tem uns 10 anos que trabalho no Eixão, mas com picolé eu tenho mais de 20 anos de experiência. Para ele, a rotina dominical é motivo de satisfação. "Acho muito bom. O movimento é bastante legal, o público compra bastante picolé. Eu gosto de vir trabalhar aqui." Além do picolé, Luiz também vende água e refrigerante, atividade que, segundo ele, tem boa aceitação entre os frequentadores.
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Paulo Silva, 53, trabalha no Eixão há cerca de quatro anos com a venda de açaí e bebidas. "Eu trabalho aqui com açaí e também tenho loja fixa na Ceilândia", explica. Mesmo com ponto fora do Eixão, ele não abre mão da presença semanal. "Eu venho todo domingo. Acho muito bom e, mesmo para quem está trabalhando, é divertido", completa.
Para Aloísio Nóbrega de Brito, 52, o comércio de pastéis no local surgiu após mudanças na vida profissional. "Eu comecei aqui em 2004. Eu trabalhava formalmente, perdi essa renda e vim trabalhar pra mim", conta. Além do Eixão, atua em outro ponto da Asa Norte, no mesmo ramo. Para ele, o espaço ganhou importância que vai além da renda. "O Eixão virou uma fonte de renda e um espaço de lazer reconhecido praticamente no mundo inteiro."
Mais recente no espaço, Amanda Rocha, 23, começou a trabalhar no Eixão em agosto de 2024. A entrada no local aconteceu após um convite para participar do evento Samba no Eixo. Desde então, a barraca Point Espetinho oferece espetinhos, refeições completas, bebidas, pastel, batata frita e sucos naturais.
"O Eixão é uma porta aberta para quem quer trabalhar, então a gente aproveitou e colocou de tudo", afirma. Para Amanda, o ambiente faz diferença na experiência de trabalho. "É um prazer, eu adoro trabalhar aqui. Já trabalhei em vários outros eventos e nem se compara. Trabalhar no Eixão é muito tranquilo." Ela destaca a fidelização do público. "A gente tem muitos clientes fixos que descem dos prédios e já compram com a gente." Segundo ela, a renda da equipe vem majoritariamente do trabalho no local, concentrado aos domingos.
Fernanda dos Anjos Souza, 45, também encontrou no Eixão uma oportunidade de mudança de carreira. "Comecei a trabalhar aqui no finalzinho de 2023. Uma amiga já trabalhava aqui, me chamou e eu comecei", explica. Antes de empreender com drinks, Fernanda atuava em um escritório, no departamento pessoal. Hoje, trabalha apenas com eventos. Sobre o público, ela resume: "É um público maravilhoso. Sem contar que aqui tem muita vida. A gente costuma falar que aqui é a praia de Brasília."
Segundo o professor de Economia do Ibmec, Renan Silva, o comércio informal do Eixão tem papel central na economia local. "Ele democratiza a economia ao permitir que o setor de serviços, que compõe mais de 95% do PIB do DF, chegue diretamente ao consumidor no espaço público", explica. Para ele, os ambulantes e comerciantes são o elo final de uma cadeia produtiva que movimenta fornecedores, atacado e varejo, além de funcionar como alternativa ao desemprego e fonte de renda complementar. "A insegurança jurídica é o maior peso; sem regras claras ou licenças estáveis, o risco de apreensão de mercadorias gera prejuízo direto", alerta.
A professora de empreendedorismo e coordenadora do Hubs IBMEC, Hannah Salmen, também avalia que a atividade pode ser considerada empreendedorismo.
"O grande fluxo de pessoas aos domingos cria um ambiente favorável para pequenos negócios de alimentação, bebidas e conveniência", afirma.
Ela destaca, ainda, que a relação direta com o público é determinante para a sustentabilidade dessas iniciativas. "Atendimento cordial, qualidade do produto, confiança e presença frequente no local ajudam a construir reputação e fidelizar consumidores."
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