
O candidato ao governo do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) afirmou, nesta sexta-feira (28/8), estar confiante de que poderá disputar a eleição e disse que sua primeira condenação por improbidade administrativa teria completado 12 anos em junho deste ano. A declaração foi dada durante sabatina na Rádio BandNews Brasília. "Eu estou elegível. Não há dúvida", declarou.
Ele acusou a atual governadora, Celina Leão (PP), e o vice-governador Gustavo Rocha de tentar retirá-lo da disputa judicialmente. "Eles têm uma meta, me tirar no tapetão. De que eu fui acusado, 20 anos atrás? De ter recebido R$ 20 mil registrados no TRE. Mas ninguém fala da (Operação) Draco", afirmou. Arruda disse ainda confiar na Justiça e declarou que espera que a situação seja definida antes da eleição.
Arruda dedicou o restante da entrevista a promessas de campanha. Ele disse que pretende construir quatro novas linhas de transporte sobre trilhos caso seja eleito. Segundo o candidato, a expansão do transporte público é uma das principais medidas para enfrentar o aumento do trânsito na capital. "Não há solução para o fluxo de transporte em Brasília sem projetos de mobilidade integrados e sobre trilhos", afirmou.
A primeira proposta citada pelo candidato é levar a atual linha do metrô de Ceilândia até Sol Nascente e, posteriormente, até Águas Lindas (GO). A segunda prevê uma ligação a partir de Gama e Santa Maria em direção a Novo Gama, Valparaíso, Cidade Ocidental e Jardim Ingá. Arruda também prometeu implantar uma linha de VLT entre o Aeroporto Internacional de Brasília e a região da Asa Norte, além de construir uma quarta ponte sobre o Lago Paranoá.
Crítica ao subsídio dos ônibus
Ao defender a expansão do metrô, Arruda atacou o modelo de financiamento do transporte rodoviário adotado pelo atual governo. Ele afirmou que, durante sua gestão, não pagava subsídios às empresas de ônibus e criticou os valores desembolsados atualmente. "Mas, no meu governo, sabe quanto eu pagava de subsídio para as empresas de ônibus? Zero real. Sabe quanto o atual governo paga de subsídio para esses cinco empresários de ônibus? R$ 2 bilhões", afirmou.
Além dos projetos sobre trilhos, Arruda prometeu retomar o projeto do Interbairros, que classificou como uma obra que deixou encaminhada quando governou o DF. A proposta prevê uma ligação entre Samambaia e o Plano Piloto, passando por regiões como Arniqueira, Águas Claras e Guará.
Questionado sobre as dificuldades para implementar um sistema integrado de transporte com as cidades goianas, Arruda atribuiu os entraves à falta de articulação política do atual governo. Ele defendeu a criação do consórcio entre DF, Goiás e União e afirmou que pretende procurar o governador de Goiás e o presidente da República no primeiro dia de um eventual mandato, independentemente da posição partidária dos dois. "Sou da época do diálogo, do entendimento. Eu fui governador com o presidente Lula presidente, partidos diferentes. E daí? Ele me ajudou muito", afirmou.
Segundo Arruda, a ampliação do metrô para o Entorno dependerá justamente dessa articulação. "Para fazer esse metrô que eu vou levar para Águas Lindas e vou levar para a BR-040, Novo Gama, não tem dinheiro de Goiás e da União. Dou conta de fazer sozinho? Não", reconheceu.
BRB
Durante a entrevista, Arruda também voltou a criticar a situação financeira do Banco de Brasília (BRB). O candidato citou o valor de R$ 16 bilhões relacionado ao rombo que atribui ao banco e cobrou a divulgação do balanço da instituição para que seja possível avaliar a real dimensão do problema. "Eu não vou ser leviano. A hora que a governadora mostrar o balanço, a gente pode fazer uma avaliação concreta", afirmou.
Apesar das críticas, Arruda disse ter propostas para o banco. Entre elas, mencionou o fechamento de 19 agências fora de Brasília, a redução de patrocínios e a transferência para o BRB dos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). "Se não trouxeram o FCO e não diminuir o tamanho do banco, obviamente não terá saída. Mas eu sei resolver", declarou.
Arruda ainda levantou a possibilidade de o atual governo estar postergando a divulgação do balanço do BRB para depois das eleições. "Minha impressão, e eu quero que isso fique gravado para o futuro, é que a Celina não quer publicar o balanço para empurrar com a barriga e deixar o BRB quebrar depois da eleição", afirmou.
Segurança e administrações regionais
Na segurança pública, Arruda prometeu retomar os postos policiais espalhados pelas regiões administrativas, mas com equipamentos tecnológicos, incluindo câmeras e sistemas de identificação. Ele também afirmou que pretende utilizar policiais da reserva remunerada nesses pontos para liberar agentes da ativa para o patrulhamento das ruas.
"Eu vou voltar com os postos policiais, mas com duas diferenças. A primeira, com tecnologia, câmeras de vídeo, identificação, tudo isso. Segundo, para trabalhar nesses postos policiais, eu vou trazer os policiais da reserva remunerada", explicou.
O candidato também criticou a estrutura das administrações regionais e disse que pretende reduzir a influência política sobre os órgãos. Para ele, os administradores regionais devem ser moradores das próprias cidades e ter recursos e equipamentos para atuar diretamente nos problemas locais. "As administrações regionais viraram feudos eleitorais", afirmou.

Cidades DF
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