Entrevista

"Professores têm que lidar com crianças socialmente adoecidas", alerta psiquiatra

Sobrecarga emocional de crianças, exposição às telas e falta de acompanhamento familiar estão entre os desafios enfrentados nas escolas, segundo Lia Lopes, entrevistada do CB.Saúde desta quinta-feira (15/10)

Especialista chama atenção para os reflexos da ausência dos pais na vida escolar dos filhos -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Especialista chama atenção para os reflexos da ausência dos pais na vida escolar dos filhos - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O problema de saúde mental de estudantes e professores no ambiente escolar pode ter ligação com a escala 6x1. Em entrevista ao CB.Saúde — parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília —, nesta quinta-feira (15/10), a psiquiatra e pós-graduada em medicina do trabalho Lia Lopes destacou que o adoecimento emocional das crianças relaciona-se à falta de acompanhamento familiar, decorrente das jornadas exaustivas de trabalho dos pais, o que também acaba sobrecarregando os educadores. 

A especialista chamou a atenção para os reflexos da ausência dos pais na vida escolar dos filhos, tanto no desempenho acadêmico quanto no desenvolvimento emocional. “Pais que estão presentes e têm condições de acompanhar o desenvolvimento dos seus filhos vão fazer com que a sala de aula seja mais harmoniosa. Isso vai ter reflexo na educação e na qualidade de vida do professor”, afirmou.

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Lia ponderou que o ambiente escolar sempre foi um espaço de formação humana, mas considera que os profissionais enfrentam, atualmente, desafios adicionais. "Sempre o ambiente escolar foi um ambiente delicado, um ambiente de formação de pessoas em toda a história da educação. A formação desses profissionais precisa ser mais robusta e eles precisam de um aparato do empregador para poder dar subsídios para que esses professores possam enfrentar crianças socialmente adoecidas.”

Segundo Lia, quando os responsáveis não conseguem acompanhar a rotina escolar e emocional das crianças, os professores acabam tendo que lidar com demandas adicionais. “Do ponto de vista acadêmico e emocional, vão entregar crianças que não são bem acolhidas para um professor que vai ter que lidar com essas demandas a mais”, ressaltou.

"A violência, o bullying e a exposição excessiva às telas são fatores que compõem o cenário de preocupação. Ultimamente, temos crianças mais adoecidas", completou. 

Assista o programa na íntegra: 

 

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postado em 15/10/2026 16:49
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