JUSTIÇA

"Pena foi muito leve", diz viúva de motorista morto em Samambaia

Condenado pelo homicídio do motorista escolar Adriano de Jesus e pela tentativa de matar o filho dele, Gabriel Ferreira, Francisco Evaldo de Moura recebeu pena de 25 anos e dois meses de prisão. Família da vítima pretende recorrer da decisão

Francisco foi condenado a 17 anos de prisão pelo homicídio de Adriano, cinco anos pela tentativa de homicídio contra Gabriel e mais três anos e dois meses pelo porte ilegal de arma de fogo
 -  (crédito: Darcianne Diogo/CB/D.A Press)
Francisco foi condenado a 17 anos de prisão pelo homicídio de Adriano, cinco anos pela tentativa de homicídio contra Gabriel e mais três anos e dois meses pelo porte ilegal de arma de fogo - (crédito: Darcianne Diogo/CB/D.A Press)

A condenação de Francisco Evaldo de Moura a 25 anos e dois meses de prisão pelo assassinato do vizinho Adriano de Jesus e pela tentativa de homicídio contra o filho dele, Gabriel Ferreira Gomes, não trouxe o alívio esperado pela família das vítimas. Após o julgamento, encerrado na madrugada desta sexta-feira (16/10), os parentes criticaram a pena e afirmaram que pretendem recorrer da decisão para tentar aumentar o tempo de prisão do condenado.

Em entrevista ao Correio, Elaine de Cássia Ferreira, viúva de Adriano, disse que considerou a pena insuficiente diante da gravidade do crime. Segundo ela, apesar da excelente atuação da promotoria e dos advogados da família durante o julgamento, a condenação não foi capaz de amenizar o sofrimento provocado pela perda do marido.

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“Não ficamos satisfeitos com a pena que o juiz determinou. O trabalho da promotoria e dos nossos advogados foi lindo. Emocionou muito. Mas, para mim, ele pegou uma pena muito leve. Queremos entrar com recurso para aumentar a pena”, afirmou Elaine.

Francisco foi condenado a 17 anos de prisão pelo homicídio de Adriano, a cinco anos pela tentativa de homicídio contra Gabriel e a mais três anos e dois meses pelo porte ilegal de arma de fogo.

Além da insatisfação com a sentença, Elaine relatou que continua enfrentando crises de ansiedade e lamentou a falta de assistência à família após o crime, diante das dificuldades financeiras decorrentes da morte do marido, que era o principal responsável pelo sustento da casa.

“Eu pensei que, a partir de hoje, ia acalmar meu coração, mas não. Continuo com crises de ansiedade. Não houve nenhum suporte psicológico e financeiro. Não ganhamos indenização. Adriano era o pilar da nossa casa”, desabafou.

Gabriel também falou sobre a dor de perder o pai e as consequências permanentes da violência para a família. “Uma frase que o promotor usou e que realmente remete ao que a gente sente é que a família dele (Francisco) ainda pode visitar, ainda pode ir lá ver ele, mas meu pai não volta. A pena que meu pai tomou foi uma pena perpétua”, declarou.

“Eu o vi na hora do julgamento e me trouxe um sentimento de remorso, por tudo que esse homem fez a nossa família passar”, acrescentou.

Crime

O crime aconteceu em 6 de fevereiro de 2025, em Samambaia Norte, após uma discussão envolvendo uma vaga de estacionamento. Adriano, conhecido como Tio Adriano, trabalhava como motorista de transporte escolar e foi morto a tiros em frente à própria casa.

Durante o episódio, Gabriel também foi atingido pelos disparos, mas sobreviveu. Conforme os relatos apresentados sobre o caso, o desentendimento entre os vizinhos começou após uma discussão relacionada ao estacionamento de um veículo na rua.

O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri de Samambaia e teve início às 9h de quinta-feira (15/10), terminando após as 3h desta sexta-feira (16/10).

 

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postado em 16/10/2026 16:36 / atualizado em 16/10/2026 16:37
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