Artes visuais

Exposição no CCBB traz o tema ancestralidade a tona

Exposição em cartaz no CCBB, a partir de amanhã, reúne 130 obras de artistas negros do Brasil e dos Estados Unidos

Fotógrafo 
norte-americano Dawoud Bey tem obra na mostra -  (crédito: Divulgação)
Fotógrafo norte-americano Dawoud Bey tem obra na mostra - (crédito: Divulgação)

Ancestralidade é tema da exposição que entra em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) amanhã. Ao reunir 130 obras de artistas negros do Brasil e dos Estados Unidos, a mostra propõe o resgate da herança que atravessa continentes. "As duas nações têm, na sua matriz africana, fundamentos essenciais da própria identidade cultural", afirma o diretor artístico Marcello Dantas. A entrada é gratuita, mediante retirada de ingressos, e a visitação pode ser feita entre terça e domingo, das 9h às 21h. 

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

A exposição Ancestral: Afro-Américas foi concebida em 2024, no contexto de 200 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, e reúne pinturas, fotografias, esculturas e instalações de nomes da arte contemporânea e moderna, como Abdias Nascimento, Simone Leigh, Sonia Gomes, Leonard Drew, Mestre Didi, Melvin Edwards, Lorna Simpson, Kara Walker, Bispo do Rosário, Carrie Mae Weems, Mônica Ventura e Julie Mehretu. "As escolhas das obras foram baseadas em convergências entre éticas e estéticas que permeiam a produção contemporânea das poéticas visuais afro-americanas e afro-brasileiras", diz a curadora Ana Beatriz Almeida.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

A mostra está agrupada a partir de três núcleos temáticos. Em Corpo, as obras exploram os limites da representação e evidenciam os desafios históricos e simbólicos de retratar pessoas negras na arte. Os trabalhos presentes em Sonho testam os limites do abstrato para promover reflexões acerca de memória e espiritualidade, como o encontro entre Mestre Didi e Simone Leigh. O núcleo Espaço apresenta construções de mundo e de lugares que mesclam o natural e o urbano ao tratar de temas como imigração, história e comunidade. Nesse último aparecem Chalés Gaines e Olu Mello, único homem negro na equipe do Niemeyer.

As peças espelham a diversidade de produções artísticas, que, segundo Marcello Dantas, estão situadas no mesmo campo de tensões. Problemas, feridas e reinvenções que fundaram ambas as sociedades são pontos compartilhados. "A beleza está nas soluções visuais que cada artista constrói a partir do seu lugar. Às vezes essas soluções se aproximam, às vezes se afastam e é nesse movimento que o diálogo acontece", avalia o diretor. 

Para ele, o ancestral reverbera no presente e, ao mesmo tempo, orienta para o futuro. "Todos os tempos coexistem: passado, presente e futuro se cruzam em nós, e é desse encontro que nasce sentido, direção e pertença", diz Marcello Dantas. "É uma âncora que nos lembra de onde viemos e para onde queremos ir, o que já foi conquistado e o que ainda permanece como obstáculo", completa.

Direto da fonte

Além das obras brasileiras e estadunidenses, a exposição também traz arte tradicional do continente africano. O conjunto inclui máscaras, esculturas e objetos rituais produzidos por diferentes povos da África Ocidental e Central, regiões impactadas pelo tráfico transatlântico de pessoas escravizadas entre os séculos 16 e 19. As peças estabelecem uma conexão histórica e simbólica com as heranças das culturas africanas recriadas nas Américas ao longo dos séculos.

Leia também: HBO Max escala novos autores para continuação de Beleza Fatal

"Essas produções expressam sistemas complexos de conhecimento, cosmologias, estruturas sociais, filosóficas, políticas e de práticas rituais que atravessaram o Atlântico de forma forçada, mas que não foram apagados. Ao contrário, por meio de processos de continuidade, resistência e reinvenção, acabaram influenciando profundamente vários campos da cultura", comenta o curador Renato Araújo da Silva.

Entre os povos representados estão os iorubá (atuais Nigéria, Benim e Togo), os fon (do Benim), os bijagó (Guiné-Bissau), os baga (da Guiné-Conacri), além de grupos da África Central, como os bakuba e os bakongo (ambos República Democrática do Congo), bem como os tchokwe (da Angola). 

A exposição passou por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador antes de chegar a Brasília. O patrocínio do projeto é da BB Asset, por meio da Lei Rouanet. Amanhã, durante a abertura, haverá pocket show com os artistas Alberto Salgado e Virgínia Rodrigues, às 19h, no teatro do CCBB Brasília.

*Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco

Serviço

Exposição Ancestral: Afro-Américas

No CCBB, de amanhã a 3 de maio. Entrada gratuita, mediante retirada de ingressos na bilheteria física ou no site do CCBB. Visitação de terça a domingo, das 9h às 21h.

  • Peça do artista Nari Ward compõe a mostra
    Peça do artista Nari Ward compõe a mostra Foto: Carol Quintanilha
  • Obra do artista mineiro Paulo Nazareth
    Obra do artista mineiro Paulo Nazareth Foto: Carol Quintanilha
  • Exposição fica em cartaz até 
3 de maio, 
no CCBB
    Exposição fica em cartaz até 3 de maio, no CCBB Foto: Carol Quintanilha
  • Peça da artista brasileira Isa do Rosário
    Peça da artista brasileira Isa do Rosário Foto: Divulgação
  • Quadro da artista brasileira Heloisa Hariadne
    Quadro da artista brasileira Heloisa Hariadne Foto: Filipe Berndt
  • Google Discover Icon
JP
postado em 02/03/2026 00:01 / atualizado em 02/03/2026 14:25
x