Artes cênicas

Ópera de Puccini leva debate sobre condição da mulher a palco em Ceilândia

'Irmã Angélica' tem apresentações gratuitas neste fim de semana com texto que permanece atual

Ópera de Puccini que se passa em um convento no século XVII ganha versão brasiliense -  (crédito: THAIS BATALHA)
Ópera de Puccini que se passa em um convento no século XVII ganha versão brasiliense - (crédito: THAIS BATALHA)

Ter filhos fora do casamento ou mesmo se relacionar antes de estabelecer vínculos matrimoniais era motivo para que mulheres fossem enviadas a conventos, como expõe a ópera Irmã Angélica, de Giacomo Puccini. Dirigido por Hyandra L., o espetáculo tem sessões no Sesc de Ceilândia neste sábado (28/3), às 19h, e no domingo (29/3), às 17h e às 19h. A entrada é gratuita, mediante doação de alimentos não perecíveis ou materiais de limpeza, destinados ao Carmelo Nossa Senhora do Carmo.

A obra é um dos raros casos de ópera composta para elenco todo feminino. Na versão brasiliense, 22 mulheres sobem ao palco. Três delas, Janette Dornellas, Érika Kallina e Gabriela Ramos, se alternam como Angélica, uma nobre que vive opressão patriarcal ao ter o destino determinado pela família. Embora se passe no século 17, reflete Dornellas, a situação remete a “uma prisão a que algumas mulheres são submetidas por serem mulheres, que não são donas de seu corpo e da sua vontade”.

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“Angélica representa exatamente uma mulher que quebra uma norma, uma convenção do seu tempo e domina o seu próprio corpo, faz uso do seu próprio corpo como quer. E isso, naquela época e até hoje ainda, é visto como moralmente inaceitável. E essas mulheres são hostilizadas e colocadas ao lado, colocadas fora da sociedade que se diz moralista”, completa a soprano.

Durante a preparação, as atrizes fizeram visitas ao mosteiro Carmelo para entender o contexto de isolamento religioso ao qual o espetáculo faz referência. "A gente saiu dali com uma sensação muito boa após conversar com essas freiras que vivem confinadas”, revela Dornellas. 

Apresentado desde 2024, o espetáculo tem direção musical e regência do maestro Deyvison Miranda, que também conduz coro e orquestra. A iluminação é assinada por Lidianne Carvalho. Em abril, estão previstas apresentações no Gama nos dias 17, 18 e 19. 

 

Serviço

Irmã Angélica

Direção de Hyandra L., neste sábado (28/3), às 19h, e no domingo (29/3), às 17h e às 19h, no Sesc de Ceilândia. Entrada franca, mediante doação de alimentos não perecíveis ou materiais de limpeza. Recomendado para maiores de 14 anos.

*Estagiário sob supervisão de Nahima Maciel

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JP
postado em 27/03/2026 14:49
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