
A Semana Santa, período central do calendário cristão que relembra a paixão, morte e ressurreição de Jesus, costuma reacender o interesse por narrativas que retratam esses acontecimentos. Entre elas, A Paixão de Cristo, dirigido por Mel Gibson, permanece como uma das obras mais marcantes já produzidas sobre o tema.
Lançado em 2004, o filme retrata as horas finais de Jesus, desde a prisão até a crucificação. Para construir essa narrativa, Gibson apostou no uso de aramaico, latim e hebraico, além de uma estética intensa na representação dos episódios descritos nos Evangelhos. O papel principal projetou Jim Caviezel internacionalmente, consolidando sua imagem junto ao grande público.
Escolhas ousadas e desastres reais
A repercussão do longa foi imediata e atravessada por controvérsias. Um dos principais pontos de debate foi a violência gráfica, apresentada de forma explícita nas cenas de sofrimento de Jesus. Também geraram discussões as escolhas na adaptação dos textos bíblicos e a maneira como personagens e eventos foram retratados. Essas questões mantiveram o filme em destaque durante todo o período em cartaz
Destaca-se ainda a escolha de Gibson para representar Satanás. Diferente das caracterizações clássicas do monstro masculino com chifres, o inimigo de Jesus foi vivido por Rosalinda Celentano. Na cena, a italiana albina e andrógina segura um bebê de costas peludas e rosto adulto no colo, demonstrando que nem o Diabo abandona seu filho. Até hoje, a tomada é considerada uma das mais assustadoras do cinema. Veja (atenção, cenas fortes!):
El personaje de Satanás vive extendiendo el miedo y la duda.
Las cejas de la actriz Rosalinda Celentano, fueron depiladas para crear una mirada hipnótica.
Además, su voz fue doblada por un actor masculino con el objetivo de crear confusión alrededor de Satanás. pic.twitter.com/GHhCdyGzvG— Universitarios Católicos (@UniCatolicos_es) March 30, 2024
Além disso, Caviezel sofreu três acidentes durante as filmagens. Já no início do projeto, o ator deslocou o ombro devido ao peso de carregar a cruz, problema enfrentado em diversas cenas com o objeto cenográfico. Ao encenar o açoitamento de Jesus, a placa de metal que preservava as costas do ator não foi o suficiente para protegê-lo de uma chicotada real, resultando em um corte de 35 centímetros. Por fim, no ato final do longa, Caviezel foi atingido por um raio no topo de uma montanha, culminando na necessidade de uma cirurgia cardíaca.
Recordes de lucro e Ressurreição ousada
Mesmo com a recepção dividida, o desempenho comercial foi expressivo. Com um orçamento de cerca de US$ 30 milhões, a produção ultrapassou os US$ 600 milhões em arrecadação global, tornando-se um dos maiores sucessos do cinema religioso e um dos filmes independentes mais lucrativos da história. O resultado ajudou a abrir espaço para narrativas religiosas de grande alcance dentro da indústria. Esse impacto se refletiu nos anos seguintes, com o crescimento de projetos que exploram histórias bíblicas em diferentes formatos, como a série The Chosen.
Atualmente, A Paixão de Cristo pode ser encontrado em plataformas digitais como a Netflix. Mais de duas décadas após o lançamento, Mel Gibson desenvolve a continuação direta da história. Intitulada A Ressurreição de Cristo, a nova produção aborda os acontecimentos após a crucificação, com foco no período entre a morte e a ressurreição de Jesus, além de expandir o contexto apresentado no primeiro longa.
Diferente do filme original, a continuação foi planejada em duas partes, com estreias previstas para 2027 em datas ligadas ao calendário cristão. A proposta é ampliar a narrativa, conectando os eventos imediatos após a crucificação a desdobramentos posteriores dentro da tradição cristã.
Segundo o diretor, o projeto será “uma viagem de ácido”. De acordo com o site Page Six, Jim Caviezel não deve retornar, assim como Monica Bellucci, que interpretou Maria Madalena. Fontes indicam que a equipe está se reunindo com novos atores em Roma, onde ocorrem as filmagens, devido à necessidade de um extenso trabalho digital para rejuvenescer o elenco original.

Diversão e Arte
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