
O som a partir do toque e da vibração de cabaças é o que compõe a textura do concerto Cabeças e cabaças – o poder da visão interior. O projeto chega nesta sexta-feira (10/4) ao Teatro de Sobradinho, onde permanece até domingo (12/4). Com apresentações gratuitas, a ideia é promover uma experiência sensorial a partir da inclusão. “Queremos garantir que pessoas com deficiência não sejam apenas espectadores, mas protagonistas da cena cultural”, diz o compositor Alan Carlos Férrea, que concebeu a iniciativa.
O concerto, cujo repertório é autoral, nasceu de oficinas realizadas por Férrea em 2023, quando, ao organizar um laboratório de construção de instrumentos, convidou deficientes visuais para testarem as sonoridades. A experimentação deu origem à orquestra AK-ISUM, que reúne 19 músicos, nove deles com deficiência visual. “É preciso sair da caixa e criar um ambiente que não dependa da visão, utilizando a música como o principal elo de comunicação. O diferencial é o acolhimento e a adaptação total ao universo da deficiência visual”, afirma Férrea. Instrumentos de câmara também são utilizados.
O título do espetáculo, explica o compositor, surge da semelhança entre a cabaça e a cabeça humana. “A cabaça é um elemento vivo e ancestral da nossa cultura que, ao guardar sementes, torna-se um instrumento, assim como nossa cabeça guarda os pensamentos. O subtítulo, continua Férrea, “refere-se à capacidade de enxergar o mundo sem o julgamento dos olhos, focando na sensibilidade e na força orgânica que une o homem à natureza”.
Segundo Férrea, o projeto traz visibilidade para as barreiras de acesso que ainda existem e mostra que é preciso ocupar teatros e palcos profissionais. “Ele serve como um incentivo para que novos talentos sigam seus sonhos e vivam da arte.” Em maio, o concerto vai a Planaltina nos dias 13, 26 e 27. A iniciativa conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC).
Serviço
Cabeças e cabaças — o poder da visão interior
Nesta sexta-feira (10/4), às 15h; sábado (11/4) e domingo (12/4), às 20h, no Teatro de Sobradinho. Entrada gratuita.
*Estagiário sob supervisão de Nahima Maciel

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