
Em clima de Copa do Mundo e com o apelo simbólico dos álbuns de figurinhas, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou, na última quinta-feira (30/4), a campanha “Violência Não Cola”, voltada à prevenção da violência contra crianças e adolescentes. A iniciativa marca o Dia Internacional pelo Fim do Castigo Físico e aposta na febre dos colecionáveis para estimular o diálogo entre as famílias.
A proposta transforma esse elemento clássico do futebol em ferramenta de conscientização por meio de um álbum digital interativo. Nele, as figurinhas representam comportamentos que devem ou não “entrar em campo” na educação infantil. De um lado, estão práticas de cuidado, escuta e respeito, classificadas como parentalidade protetiva; do outro, atitudes como agressões físicas, negligência e abuso, que ainda compõem a realidade de milhares de jovens brasileiros.
Segundo o representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, a campanha aproveita a visibilidade do esporte para tratar de um tema urgente. “Aproveitamos este momento, em que milhões de pessoas estão olhando para o mesmo lugar, para dar visibilidade à proteção de meninas e meninos. A forma como adultos se relacionam com crianças e adolescentes faz diferença em suas trajetórias”, afirma.
Ele ressalta que relações baseadas em diálogo e limites sem violência são fundamentais para o desenvolvimento saudável. “Práticas de cuidado, escuta e orientação contribuem para prevenir situações de risco e apoiar um crescimento mais adequado”, completa o representante da Unicef no Brasil.
A mobilização já conta também com o apoio de nomes conhecidos do futebol, como o atacante Rodrygo, do Real Madrid, e o meio-campista Paulinho, do Palmeiras. Um vídeo da campanha também será exibido no dia 2 de maio, durante a partida entre Palmeiras e Santos, no Allianz Parque, em São Paulo.
Dados alarmantes
Dados apresentados pelo Unicef e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o problema é grave, mais de 15 mil crianças e adolescentes foram mortas de forma violenta entre os anos de 2021 e 2023 no país. No mesmo período, mais de 165 mil sofreram violência sexual, sendo a maioria dos casos dentro de casa e, frequentemente, praticada por pessoas próximas.
Outro dado que chama atenção é que meninas representam cerca de 80% das vítimas de violência sexual no Brasil. Além dos impactos imediatos, este tipo de crime pode trazer traumas para as vítimas, que muitas vezes desenvolvem sequelas com consequências duradouras no desenvolvimento cognitivo, emocional e social.
Educação sem violência
A campanha também traz orientações práticas para mães, pais e cuidadores. Entre as recomendações estão não utilizar agressões físicas ou verbais, levar a sério os sentimentos da criança e estabelecer limites de forma respeitosa. A proposta não é a falta de disciplina, mas uma forma consciente de educar.
O álbum digital trás convites às famílias para interagir com o conteúdo e refletir sobre atitudes cotidianas. No verso de cada figurinha, dados e informações ajudam a dimensionar a gravidade da violência infantil no país.
Para o Unicef, enfrentar esse problema exige esforço coletivo. Além das famílias, o órgão também defende o envolvimento do poder público, escolas, empresas e meios de comunicação na promoção de uma cultura de proteção à infância.
*Estagiário sob supervisão de Ronayre Nunes
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