
Entre cortejos, leques e partituras, a Orquestra Espreme a Pitanga encerra sua temporada de 2026 com um concerto gratuito neste sábado (6), às 19h, na Casa do Cantador, em Ceilândia. A apresentação marca o fim de um circuito que percorreu diferentes regiões do Distrito Federal e propôs uma releitura contemporânea da tradicional orquestra popular de choro.
Idealizada pelo diretor artístico Caio Handel, a iniciativa reúne cerca de 25 músicos em um processo que combina formação musical, criação coletiva e circulação cultural. Ao longo da temporada, a orquestra realizou apresentações e ações formativas em espaços como o Beco Cultural, o Complexo Cultural de Planaltina, a Infinu e o Mercado Sul.
Embora tenha o choro como ponto de partida, o repertório da Espreme a Pitanga estabelece conexões com diferentes manifestações musicais brasileiras. Segundo Handel, o projeto busca ir além da formação de uma orquestra convencional, para dialogar com diferentes influências contemporâneas. “O resultado não é uma descaracterização do choro, mas uma forma de mostrar que ele continua vivo, atual e capaz de dialogar com as sonoridades que fazem parte da vida das pessoas hoje”, afirma. Os arranjos desenvolvidos ao longo da temporada incorporam elementos do frevo, do maracatu, do funk e do pagodão baiano.
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A diversidade não está presente apenas na musicalidade do projeto, mas também na composição do grupo. O projeto priorizou a construção de um grupo plural, reunindo mulheres, pessoas LGBTQIAPN+, pessoas negras, pardas, indígenas e pessoas com deficiência. “Se a gente fala sobre diversidade, mas monta uma orquestra formada apenas pelas mesmas pessoas que sempre ocuparam esses espaços, existe uma contradição. Ela precisa aparecer na prática”, explica o músico.
A regência da drag maestrina Dalila
Um dos elementos mais marcantes do projeto é a presença da drag queen instrumentista e maestrina Dalila, criada por Caio Handel. À frente da regência, ela transformou o leque em uma espécie de batuta performática, incorporando aspectos cênicos à condução de entradas, dinâmicas, cortes e mudanças de seção. “É uma forma de mostrar que a regência também pode dialogar com outras linguagens e construir seus próprios códigos”, aponta Handel.
Reconhecida por se tornar a primeira drag queen a tocar em uma roda de choro, Dalila se tornou uma forma de ampliar as possibilidades de representação dentro da música instrumental. “Ela é uma persona que toca, rege, performa e ocupa lugares onde normalmente não vemos pessoas drag”, conta.
Além dos palcos, a orquestra realizou cortejos e apresentações em espaços públicos, aproximando a música instrumental de diferentes territórios culturais do Distrito Federal. Segundo Handel, a diversidade territorial influenciou completamente o desenvolvimento do projeto: “A proposta da orquestra sempre foi circular por diferentes regiões administrativas e não ficar restrita ao centro da cidade. Isso nos fortaleceu muito, porque permitiu que a música dialogasse com diferentes realidades e trajetórias”. O grupo percorreu regiões como Taguatinga, Planaltina e Ceilândia, além do Plano Piloto.
Para o diretor artístico, o encerramento da temporada reforça a celebração da arte LGBTQIAP+ e da diversidade de vivências construídas ao longo do processo. “É um concerto que representa não apenas o resultado musical, mas toda a experiência coletiva que vivemos durante o projeto.”
Serviço
Orquestra Espreme a Pitanga – Encerramento da Temporada 2026
Dia 6 de junho, às 19h, na Casa do Cantador, QNN 32, Área Especial G, Ceilândia. Entrada gratuita.

Diversão e Arte
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