Artes visuais

Exposição na Caixa Cultural faz retrospectiva da produção de Francisco Galeno

Exposição reúne 120 obras de Francisco Galeno em uma retrospectiva que recupera a trajetória do artista que fez a ponte entre o Piauí e Brasília

 16/10/1996. Crédito: Tina Coêlho/CB/D.A Press. Artista Plástico Galeno, com a peça para o prêmio do Festival de Cinema Brasileiro. 
      Caption  -  (crédito:  Tina Coêlho/CB/D.A Press)
16/10/1996. Crédito: Tina Coêlho/CB/D.A Press. Artista Plástico Galeno, com a peça para o prêmio do Festival de Cinema Brasileiro. Caption - (crédito: Tina Coêlho/CB/D.A Press)

Sem alarde, com simplicidade e empatia na maneira de falar e se colocar, mas com uma complexidade particular quando se tratava de tinta e pincel, Francisco Galeno construiu uma obra que o curador Paulo Herkenhoff não hesita em classificar na mesma categoria de notável em que estão Alfredo Volpi, Rubem Valentim, Hélio Oiticica e Alberto da Veiga Guignard. E vai além: o artista tem lugar de destaque entre os que fizeram da cor uma linguagem na história da arte brasileira. Essa é uma das noções que está à frente da exposição Galeno, o mistério do simples, em cartaz na Caixa Cultural a partir desta terça-feira (16/6).

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Feita a partir de uma parceria com a Referência Galeria de Arte, a exposição reúne 120 obras de Galeno e é fruto de um projeto que começou a tomar forma antes de o artista morrer, em junho de 2025, aos 68 anos. "Essa exposição tomou um rumo diferente depois que ele morreu. Antes, seria uma exposição dele, uma retrospectiva, um pequeno conjunto, com umas 200 peças, a partir de um certo período, mas agora tomou outro sentido", explica Herkenhoff. "Então, tem uma parte mais biográfica, lembrando um pouco a família. O Galeno, em toda a sua forma irreverente, era muito família, muito ligado aos pais, aos irmãos, aos filhos e netos. Então, temos uma pequena introdução de como a sensibilidade dele tem início na própria família e como a maioria dos filhos seguiu caminhos ligados às artes."

  • Galeria de matérias na exposição de Galeno na Caixa
    Galeria de matérias na exposição de Galeno na Caixa Divulgação
  • Exposição Galeno na Caixa
    Exposição Galeno na Caixa Divulgação
  • Exposição Galeno na Caixa
    Exposição Galeno na Caixa Divulgação
  • Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h.
    Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h. Gustavo Fonseca
  •  Te..cnica; 13cm (largura) X 22cm (altura); Fotografia por Guto Valentin.Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h.
    Te..cnica; 13cm (largura) X 22cm (altura); Fotografia por Guto Valentin.Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h. Gustavo Fonseca
  •  Te..cnica; 50cm (largura) X 50cm (altura); Fotografia por Guto Valentin. Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h.
    Te..cnica; 50cm (largura) X 50cm (altura); Fotografia por Guto Valentin. Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h. Gustavo Fonseca
  •  T..cnica; 95cm (largura) X 65cm (altura) - Fotografia por Guto Valentin.  Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h.
    T..cnica; 95cm (largura) X 65cm (altura) - Fotografia por Guto Valentin. Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h. Gustavo Fonseca
  •  T..cnica; 30cm (largura) X 23cm (altura); Fotografia por Guto Valentin. Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h.
    T..cnica; 30cm (largura) X 23cm (altura); Fotografia por Guto Valentin. Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h. Gustavo Fonseca
  • Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h.
    Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h. Gustavo Fonseca
  •  T..cnica; 40cm (largura) X 54cm (altura) - Fotografia por Guto Valentin. Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h.
    T..cnica; 40cm (largura) X 54cm (altura) - Fotografia por Guto Valentin. Exposição de Francisco Galeno Galeno, o mistério do simples Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h. Gustavo Fonseca
  • Curador Paulo Herkenhoff
    Curador Paulo Herkenhoff Paulo Vitale
  • Cenas do filme Curumim arteiro, de Marcelo Diaz, sobre Francisco Galeno
    Cenas do filme Curumim arteiro, de Marcelo Diaz, sobre Francisco Galeno Diazul de Cinema
  • Cenas do filme Curumim arteiro, de Marcelo Diaz, sobre Francisco Galeno
    Cenas do filme Curumim arteiro, de Marcelo Diaz, sobre Francisco Galeno Diazul de Cinema
  •  22/11/2018. Crédito: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press. Brasil. Brasília - DF. Christian Larsen (branco) curador de um museu em Nova York e o artista brasiliense Fernando Galeno.       Caption
    22/11/2018. Crédito: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press. Brasil. Brasília - DF. Christian Larsen (branco) curador de um museu em Nova York e o artista brasiliense Fernando Galeno. Caption Ana Rayssa/Esp. CB
  •  17/06/2009. Credito: Carlos Moura/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Artista plastico Francisco Galeno, autor dos pain..is pintados que causaram pol..mica na Igreja Nossa Senhora de Fatima, a Igrejinha, na quadra 307/308 Sul.
    17/06/2009. Credito: Carlos Moura/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Artista plastico Francisco Galeno, autor dos pain..is pintados que causaram pol..mica na Igreja Nossa Senhora de Fatima, a Igrejinha, na quadra 307/308 Sul. Carlos Moura/CB/D.A Press

Filho de uma costureira com um marceneiro, Francisco Galeno nasceu em Parnaíba (PI) e veio para o Planalto Central ainda menino, em 1969. Instalado com o pai em Brazlândia, cresceu ao mesmo tempo em que a capital tomava a forma de cidade. Aos poucos, deixou de lado a vontade de fazer teatro para abraçar a escultura e a pintura. Essa trajetória ganha lugar na exposição como forma de indicar as referências do artista. Rendas, lamparinas, piões, barcos e outros objetos comuns na infância e que, anos mais tarde, apareceram em suas esculturas e pinturas, ganham destaque nessa introdução. Uma vitrine com fotografias e matérias do Correio Braziliense cedidas pelo Acervo do Cedoc do jornal ajudam a contar a trajetória do artista. São registros históricos como o do processo de confecção do mural da Igreja Nossa Senhora de Fátima, a Igrejinha, e de pintura do calçadão de Brazlândia, ou do próprio artista no ateliê.

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Herkenhoff escolheu obras de todas as fases do artista para contar uma história que começa, enquanto produção, principalmente nos anos 1980. "Ele tinha muita coisa em papel guardada e muitas pinturas do começo, autorretratos interessantes, retratos do Quinca", conta o curador, ao se lembrar do mestre artesão especialista em madeira. "Ele dizia que Quinca era o melhor professor de arte do mundo porque não falava nada, só mexia a cabeça", lembra Herkenhoff, que encontrou muitas obras dessa época e dedicou um núcleo da exposição a esses trabalhos. 

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Pinturas do início da carreira, quando o artista dava destaque a referências da terra natal como as casas de telhados em triângulo e os brinquedos da infância como piões, pipas, lamparinas e barcos em madeira, também têm papel importante na mostra. São fases importantes para compreender o lugar do artista na história da arte brasileira e da América Latina. "Ele inventava arquiteturas fáceis que construía com carreteis e objetos de equilíbrio precário. É um artista laitnoamericano no melhor sentido da tradição latinoamericana, ele é descende da geometria latina, descendente de Torres Garcia, de Hélio Oiticica, de Rubem Valentim, de Alfredo Volpi", garante o curador, que vê Galeno como um dos maiores coloristas do Brasil.

Serviço

Galeno, o mistério do simples

Curadoria: Paulo Herkenhoff. Abertura hoje, na Caixa Cultural. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h. 

Três perguntas para Paulo Herkenhoff

Que pontos da  produção de Galeno a exposição procura ressaltar? 

A gente está trabalhando com a complexidade simples da obra dele, mas acho que o Galeno aponta para muitas direções. Ele foi um artista nordestino-piauiense em Brasília, ao mesmo tempo em que produziu uma obra em contato com a memória do Volpi, uma vez que foi convidado para pintar o painel na Igrejinha Nossa Senhora de Fátima (308 SUl), depois da primeira grande tragédia cultural de Brasília, que foi a destruição daquele mural. Acho que foi uma escolha muito acertada porque o Brasil tem uma trajetória de formuladores da cor brasileira que começa com (Eliseu) Visconti, depois com Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Djanira, Volpi, Antonio Maluf, Hélio Oiticica, Rubem Valentim, Cildo Meireles, Beatriz Milhazes. O Galeno é da geração 1980. Com essa trajetória , se a gente escrever uma história da cor no Brasil, o Galeno é fundamental. 

O que seria a complexidade simples que você usa para descrever a obra do artista?

O Galeno conhecia a história da arte e, sem dúvida, foi também um duchampiano. Pela apropriação de objetos. Ele tem séries só com lampiões comprados em feiras, por exemplo. Digamos que ele pensasse num tipo de ready made vernacular e barato. E tinha o mesmo estranhamento que o Duchamp propõe. Quando ele coloca uma estrutura cheia de lamparinas cinzas, acromáticas, madeira no osso, sem ser pintada, ele desnuda tudo. Para mim, ele está discutindo o próprio olhar. A luz do olhar, aquilo que pode dar visibilidade ao visível. Aquilo é cinza. O que eu gostaria de falar é que assim como não podemos tratar Volpi como primitivo por causa da erudição dele, Galeno também não era um ingênuo em termos de conhecimento da história da arte

E como a exposição revela essas camadas de complexidade?

A exposição tem três funções. Em Brasília, é entregar o artista à capital do país que ele viu nascer e crescer. A história do olhar do Galeno é a de um artista que conhece a história do desenvolvimento urbanístico de Brasília. A condenação do Galeno ao moderno passa por Brasília. E passa por Brasília talvez mais nas superquadras do que propriamente nas curvas. Ele parecia preferir o ângulo, a sequência de formas, a modulação. A espinha de peixe, por exemplo, me lembra um pouco a espinha da Esplanada dos Ministérios. E ele queria fazer essa exposição em Brasília. E ele, talvez, seja o único artista de maior relevância que não passou pela Universidade de Brasília (UnB). Galeno está para Brasília como Guignard está para Minas Gerais e Hélio Oiticica, para o Rio de Janeiro.

 

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postado em 16/06/2026 11:01 / atualizado em 16/06/2026 11:15
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