O agente secreto britânico mais famoso da cultura pop está de volta ao mundo dos videogames, agora sob a asa da IO Interactive — responsável pelos títulos mais recentes de Hitman — que assumiu a tarefa de entregar uma produção nova de James Bond. 007: First Light traz uma história inédita para o universo do escritor Ian Fleming, uma origem para Bond, mostrando como o agente ingressou na profissão de espião, desde o treinamento até as suas primeiras missões.
Bond… James Bond
A trama busca uma reinvenção do personagem com o mundo contemporâneo, no mesmo trilho da versão mais recente do agente, interpretado nas telonas por Daniel Craig. Arrisco até a apontar que houve uma forte influência em franquias como Kingsman e Missão Impossível no conceito da história. O título busca um amálgama perfeito entre as diversas versões de James Bond, mostrando vários traços recorrentes dessa imagem coletiva que o público tem do 007, um homem charmoso, que nem sempre obedece ordens, porradeiro, cheio de equipamentos e galanteador.
Com essa síntese sobre como o personagem foi transposto para outra mídia, fora dos livros e do cinema, é possível dizer que a IOI já tinha 50% do caminho segmentado para o jogo ser um sucesso. Contudo, outros elementos como a história, a jogabilidade e as mecânicas tinham que fazer jus há um jogo de James Bond em 2026.
Patrick Gibson é quem dá vida a esse Bond mais jovem, que se mostra disposto a arriscar tudo para salvar vidas. Junto do agente, temos a chefe do MI6, M, interpretada por Priyanga Burford, a ajudante de campo e hacker, Moneypenny interpretada por Kiera Lester e Lennie James que dá vida ao treinador de agentes, John Greenway.
A trama traz um jovem militar, James Bond, que após um acidente em missão, sobrevive a uma operação terrorista na Islândia, não apenas sabotando os seus algozes, mas salvando diversas vidas no processo. Com isso, o militar é convidado a trabalhar secretamente no MI6, uma agência secreta da coroa britânica para espionagem e missões confidenciais. Assim Bond integra esse programa de treinamento, chamado 00 - Esse que havia sido desativado anteriormente - e de repente o futuro agente se vê numa trama maior que pode colocar diversas vidas em jogo.
Escolha bem seus equipamentos, agente
O jogo de Bond tinha a importante missão de se provar com uma trama complexa e interessante, já que antes mesmo do lançamento oficial, o título já era encaixado como mais um “Nathan Drake”. E o que não faltaria seria outros títulos de ação e aventura tanto com personagens originais dos consoles - Tomb Raider e Uncharted - quanto outros do cinema - Indiana Jones, por exemplo - para fazer esse páreo de concorrência e gerar um sentimento de comparação ainda maior.
First Light assume muitas inspirações, a principal sendo a estrutura com a qual a IOI trabalhou com os novos jogos de Hitman. A progressão funciona de uma forma bem direta, primeiro de tudo, o jogador se vê em algum ambiente e deve procurar informações e itens para alcançar o objetivo, desde rastrear uma pessoa, roubar um item, escutar conversas ou chegar em algum lugar
Estar atento dentro de 007 é essencial para progredir nas missões, e a IOI soube utilizar o expertise em jogos de espionagem para dar várias opções e caminhos de chegar em um mesmo objetivo. Bond precisa chegar até uma sala, mas a porta tem um código de segurança, logo o jogador pode explorar o ambiente atrás do código, entrar em uma tubulação que leva até a sala ou roubar um cartão de acesso para entrar, e esse exemplo esporádico é um entre vários quebra-cabeças que First Light tem.
Uma das ferramentas do jogo para facilitar essas interações são os equipamentos fornecidos pelo MI6, esses que Bond carrega até 4 consigo. Um deles é fixo, o relógio Q, capaz de hackear aparelhos eletrônicos e sabotá-los para distrair inimigos. Os outros cabem ao jogador decidir antes de realizar as missões que compõem vários itens: A clássica caneta míssil dos filmes, a pulseira de relógio com laser, um isqueiro com bomba de fumaça, uma case de fones de ouvido explosiva, uma câmera com explosão sonora e o telefone dardo.
Cada um deles é alimentado com uma das duas barras principais do jogo, quimica ou eletrica, a pulseira utiliza energia, logo Bond precisa procurar no cenário por baterias e eletrônicos para restabelecer sua barra. O mesmo vale para os dardos do telefone, que causam enjoo nos inimigos, contam com uma barra própria e conforme o jogador for utilizado deve procurar no cenário por produtos de limpeza para encher novamente a barra.
Combate
O jogo conta com diversas maneiras de lidar com os inimigos, se manter de forma furtiva e abater eles em silêncio ou partir para ignorância na trocação de soco, jogabilidade essa que segue o modelo God of War de luta, com luzes dando a dica de quando aparar um golpe e quando desviar. Bond não tem um catálogo enorme de golpes, contando com um botão apenas para realizar golpes, que dependendo de como for segurado no combo, o agente realiza um movimento diferente.
Além disso, o personagem conta com um golpe de agarrão que serve para arremessar inimigos para longe e acerta-los contra os objetos no cenário, parte essa que é praticamente toda destrutível nessas seções, com direito a explosões cinematográficas.
Além do combate corpo a corpo, um jogo de James Bond não podia deixar de ter um tiroteio com sua pistola com silenciador clássica. Aqui em First Light é reservado momentos específicos para o tiroteio desenfreado, apelidados no jogo como “Licença para Matar”, inclusive só nesses momentos o agente é liberado para atirar à vontade.
Bond funciona do mesmo modo que Nathan Drake, carregando uma pistola e uma segunda arma, que pode ser pega no cenário ou desarmar os inimigos tanto com tiro nas pernas ou nas mãos, o que faz eles soltarem seus equipamentos. Nos confrontos, sempre haverá inimigos diferentes, com alguns fáceis de eliminar e outros bem protegidos, que precisam de diversos tiros para morrerem.
Considerações Finais
No ano de 2026, onde Grand Theft Auto VI é o chamariz absoluto dos games, First Light vai ser lembrado nas premiações, mesmo que fique apenas no segundo lugar. 007 First Light sintetiza uma aventura moderna e imersiva do agente secreto mais conhecido da cultura pop, trazendo elementos que ressoam com os fãs de Bond, mas principalmente focando no ar de novidade com uma história de origem. A IOI tem uma poderosa franquia em mãos, que inclusive já possui expansões anunciadas de novos níveis vindo.
O esforço e o carinho da equipe no título é visível, o título mostra o que uma história rica pode entregar e como desenvolver um personagem já conhecido para um público novo, mantendo o contato de quem ainda amava o James Bond do cinema.
Nota: 9.5/10
007 First Light está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC.
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