Artes visuais

Exposição no Zoo Brasília promove imersão no Cerrado brasileiro

Exposição interativa voltada para as crianças no Zoológico de Brasília exalta a fauna e a flora e discute a preservação do bioma

A exposição convida o público 
a mergulhar no Cerrado -  (crédito: Divulgação)
A exposição convida o público a mergulhar no Cerrado - (crédito: Divulgação)

O engenheiro florestal Bruno Macedo, hoje com 38 anos, cresceu ouvindo que a sua geração iria salvar o meio ambiente. Em 2026, o cenário não poderia ser mais diferente. "Ele continua sendo cada vez mais degradado", lamenta. 

Em uma tentativa de ampliar a sensibilização e a consciência da população em relação ao Cerrado, especialmente de crianças, Bruno idealizou, em uma parceria do Zoológico de Brasília e o Instituto Brasileiro de Gestão de Projetos Estratégicos (Ibgpe), a exposição interativa Conexões do Cerrado. O projeto fica aberto à visitação até novembro no Zoo Brasília de terça-feira a domingo, entre 10h e 16h; a entrada é gratuita, mediante compra do ingresso regular do Zoológico.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Conexões do Cerrado é composta por seis zonas, que exploram diferentes aspectos da fauna e flora do bioma: A voz do lugar, A pele do Cerrado, Desafios da natureza, Missão Cerrado e O quilombo ensina. "A exposição é altamente interativa e imersiva, convidando o visitante a conhecer e mergulhar no Cerrado em questões como recursos hídricos, ciclos da água e do fogo, a cadeia alimentar e a exaltação da fauna e flora nativas", diz Macedo. 

Os problemas enfrentados pelo Cerrado, causados pela exploração indevida do bioma, também são abordados. "Os desafios da preservação ambiental, de maneira transversal, falando da expansão do agro, incêndios criminosos, biopirataria. A grande ideia é que a conservação se conecte especialmente com crianças", conta. Para o engenheiro, a população só vai cuidar de algo que conheça. "Por meio da informação, queremos trazer conexão e pertencimento e fazer com que a consciência ambiental nasça desse contexto."

A primeira zona da exposição, A voz do lugar, trabalha a audição com a escuta de sons dos animais do Cerrado, como tamanduá, lobo-guará e veado-campeiro. Em formato de jogo, as vocalizações de araras também são destacadas. 

O trabalho sensorial da segunda zona é voltado para o tato e olfato. O visitante é convidado a pisar em caixotes que replicam os diferentes solos do bioma, que são correlacionados com as diferentes formações vegetais, e a tocar em superfícies que simulam cascas de árvores, como barbatimão e pau-ferro. Há também a zona olfativa, com flores cenográficas e um espaço onde o público pode liberar aromas de pequi e baunilha do cerrado no ambiente.

As zonas três e quatro foram pensadas de forma gamificada. Em Desafios da natureza, o público aprende sobre a dinâmica do fogo, cadeia alimentar, ciclo da água e solo a partir de jogos de montagem da teia alimentar, controle de fogo e condução de uma gota d'água pelo ciclo. "Apertando botões, aparecem regiões iluminadas para entender para onde vão cada nascente que geram as bacias. Outra atração permite ver como a água passa por diferentes substratos", adianta Macedo. 

Feito em parceria com uma empresa especializada em escape rooms, a zona cinco, Missão Cerrado, coloca o visitante numa situação de incêndio florestal na figura de animais típicos da região com o objetivo de fazer com que o incêndio seja controlado. "Fala sobre o fogo e incêndio criminoso, reforçando conteúdos que perpassam a exposição e tem um reforço positivo sobre as informações", explica. 

Por último, O quilombo ensina exalta as populações tradicionais do Cerrado a partir da figura do povo Kalunga. Vídeos animados mostram como plantas tradicionais do bioma viram remédios, alimento e arte; o quiz Desafio das três águas testa o conhecimento do visitante sobre a história e arquitetura dos Kalunga; e a linha do tempo A terra como memória contrasta a roça coletiva com o avanço da monocultura.

"O modo de vida Kalunga vem sendo ameaçado pela expansão da agricultura e práticas vão sendo colocadas em xeque, como práticas alimentares e medicinas tradicionais. Tem essa tensão territorial e questão fundiária com o agro, que vão se expandindo e mudando o modo de vida tradicional", reflete Macedo.

Educação e preservação

Pensando no papel educacional de instituições como o zoológico, Conexões do Cerrado tem visitas guiadas por seis monitores, biólogos e cientistas ambientais. "O visitante passa por uma dose de conhecimento mediado, para ser construído. Não é uma coisa que ele fica jogando e tem que se ambientar sozinho", diz Bruno. "Há uma explicação de zona por zona e por essa mediação explicando conceitos, sobre o ciclo do fogo, por exemplo, como se dá uma cadeia trófica e o impacto que perder um animal na cadeia alimentar tem no ecossistema."

Bruno exalta o papel dos zoológicos na preservação e educação ambiental. "Muitas vezes, as pessoas têm preconceitos com o zoológico, como se estivessem mantendo animais em cativeiro e que isso é um absurdo. A lógica preservacionista traz o zoológico como ator principal da criação dessa convivência ambiental e de preservação", explica.

O trabalho das instituições é amplamente relacionado à conservação ambiental e das espécies. Em parceria com institutos de conservação, elas mantêm bancos genéticos e executam programas de reprodução, a fim de evitar a extinção, alémd de realizar a reintrodução na natureza. "No Brasil, nos últimos anos, a legislação ambiental vem sendo flexibilizada, mas, em outras instâncias, tem se tornado mais rígida. Muitos circos não podem adquirir mais animais como leões e girafas e abandonavam ou entregavam para o zoológico por não ter condições", exemplifica.

O Zoológico de Brasília, explica Bruno, é uma das referências nacionais no trabalho de aclimatação dos animais e enriquecimento ambiental, ou seja, na simulação do habitat natural dos animais alocados no zoo. "Há trabalho de resgate e reabilitação de animais de grande porte. Uma preguiça que caiu da árvore e quebrou o braço, por exemplo, não pode voltar para a natureza. São resgatadas e reabilitadas, há pesquisa científica sobre o comportamento, dieta e reprodução, e oferece a oportunidade da população ver de perto", conta.

Serviço

Conexões do Cerrado

No Zoológico de Brasília (Av. Das Nações, Via L4 sul), de terça a domingo, 10h às 16h, até 17 de novembro. Entrada gratuita, mediante compra do ingresso regular do zoológico. 

 

*Estagiária a sob supervisão de Severino Francisco

  • Estudantes e mestrandos de biologia 
promovem visitas guiadas
    Estudantes e mestrandos de biologia promovem visitas guiadas Foto: Fotos: Divulgação
  • A mostra interativa permite tocara em cascas de árvores do Cerrado
    A mostra interativa permite tocara em cascas de árvores do Cerrado Foto: Divulgação
  • Nesta seção, o visitante pisa em  um dispositivo e sente o cheiro das plantas cerratenses
    Nesta seção, o visitante pisa em um dispositivo e sente o cheiro das plantas cerratenses Foto: Divulgação
  • Google Discover Icon
postado em 15/07/2026 07:00 / atualizado em 15/07/2026 15:53
x