
O ex-diretor do Museu Nacional da República, Paulo Vega, publicou, nas redes sociais, uma carta aberta exprimindo insatisfação pela forma como a mudança de comando da instituição foi conduzida pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF).
No texto, Vega afirma que, no dia 5 de agosto, foi chamado para uma “conversa informal” com a atual Subsecretária interina do Patrimônio Cultural, Marmenha Rosário, quando foi informado sobre sua exoneração do cargo. Na carta, continua, diz ter sido informado que o ato de exoneração seria assinado no mesmo dia e publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (Dodf) em 6 de agosto, o que não aconteceu até a última atualização da matéria.
Apesar disso, o Subsecretário da Secec-DF, Alexandre Henrique Pereira Pedroso, prosseguiu com a nomeação de uma nova diretora interina para o Museu Nacional da República, a servidora da pasta Maria de Fátima Medeiros de Souza, conforme publicado no Dodf no último dia 6. Na prática, o Museu Nacional da República tem, no momento, dois diretores nomeados.
Em entrevista ao Correio, Vega afirmou que continuou a trabalhar normalmente nos dois dias seguintes à conversa na qual foi informado da exoneração, uma vez que, sem o ato publicado no Dodf, “não poderia fazer o abandono do cargo”. No dia 7, porém, teve os acessos retirados e recebeu, pela Secec-DF, a informação de que poderia estar agindo de “má fé” e não deveria continuar a frequentar o Museu. “A partir do momento que meus acessos foram cortados, vi que era uma maneira de me impedir de trabalhar, impedir o trabalho do Museu. Se não consigo assinar o processo de doação de obras, por exemplo, o processo não se completa e fica parado”, diz.
Para ele, a atual situação causa insegurança em proponentes e patrocinadores de exposições no Museu. “Não teve o momento de repasse de contatos de doação de obras e curadores. É um cargo que as pessoas abordam diretamente e isso acaba prejudicando toda a cadeia das artes”, afirma. “Patrocinadores e proponentes ficam nessa insegurança: ‘O que foi combinado está valendo?’ E, justamente, a equipe é muito reduzida, o retrabalho que precisa fazer é muito grande.”
Vega considera que a Secec-DF é “desinteressada” no Museu Nacional da República. “Num jargão popular, tem a faca e o queijo na mão para fazer um excelente trabalho, mas parece não haver um interesse real em atingir um outro patamar”, pondera.
Ao Correio, a Secec-DF informou que o processo de exoneração de Vega foi enviado à Casa Civil em 10 de agosto e que essa será retroativa, com início no dia 6 e que, por parte da pasta, a etapa administrativa está encerrada. Agora, é necessário que a Casa Civil dê seguimento ao processo, com a publicação do ato no Dodf.
Em nota, o órgão afirma que a mudança é “apenas mais um ato normal da administração” e que o cargo de diretor do Museu Nacional da República é de confiança, “portanto discricionário da administração pública”.
“A direção do Museu Nacional é um cargo de confiança, portanto discricionário da administração pública. Houve uma mudança na gestão da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e também houve o interesse da administração pública em mudar a chefia daquele espaço cultural. Quem está respondendo agora pelo Museu Nacional é uma doutora em artes, servidora da Pasta e que, inclusive, já foi interina lá. Este é apenas mais um ato normal da administração”, comunicou a pasta.
*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel

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