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Artista brasileiro, Leopold Nunan celebra trajetória nos EUA com single e show

Com o lançamento de "Ready to Go", seu mais novo single, e show em palco grandioso marcado para esta sexta-feira (21/8), Leopold Nunan celebra: "Para um imigrante que chegou aqui com sonhos gigantes, isso tem um significado enorme".

Leopold Nunan, artista brasileiro radicado em LA
 -  (crédito: Divulgação)
Leopold Nunan, artista brasileiro radicado em LA - (crédito: Divulgação)

O cantor, compositor, produtor, ator e dublador Leopold Nunan lançou seu mais novo single, Ready to Go, em 12 de agosto, em parceria com a cantora Andrea Ferraz e o DJ e produtor JackEL. A faixa, que chega em meio ao verão americano, traz uma sonoridade pop tropical com influências cariocas e uma atmosfera descompromissada que o artista define como “nossa cara de pau pop”.

Em entrevista, Nunan reflete sobre a independência artística, a trajetória de 23 anos em Los Angeles e a relação entre sua brasilidade e o mercado internacional. “Desde quando artista independente precisa pedir autorização para fazer um hit de verão?”, provoca. “Hoje você faz a música, cria seu universo, aperta um botão, faz o upload e joga no mundo. Ninguém precisa te dar permissão”, crava.

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A música, descrita por ele como “gostosa, sexy, tropical, meio absurda”, foi concebida para grudar na cabeça do ouvinte e provocar vontade de dançar. “É verão aqui nos Estados Unidos, então resolvemos trazer um pouco daquele calor carioca para o pop americano: janela aberta, pele de verão, pista de dança, glamour e zero vontade de ser sério”, explica.

Para Nunan, há uma rebeldia genuína em um artista independente dizer que também pode fazer pop — e fazer do seu jeito: “Não estamos esperando ninguém abrir a porta — já entramos pela janela, ligamos o som e começamos a festa”.

"Maravilhoso e brutal"

Ser artista independente, segundo ele, é ao mesmo tempo “maravilhoso e brutal”. Ele destaca o esforço de bancar a própria produção, resolver todos os detalhes e fazer acontecer com recursos muitas vezes escassos, mas enxerga nesse modelo um movimento comunitário cada vez mais forte.

“O cineasta independente chama o músico independente, que trabalha com o produtor independente, o fotógrafo, o stylist, o estúdio, o editor. Um vai empurrando o outro até alguém conseguir aquele grande break. E quando um cresce, leva outros junto”, avalia. Ele também credita à tecnologia o protagonismo dessa transformação: poder gravar vocais em casa, trocar arquivos com produtores e construir todo um universo criativo sem depender de grandes estúdios é, para ele, uma liberdade criativa “absurda”.

Nunan optou pelo caminho eletrônico/pop porque busca, acima de tudo, a diversão. “Quero fazer as pessoas dançarem, suarem, flertarem, esquecerem os problemas por três minutos. Nem toda arte precisa chegar carregando o peso do mundo. Às vezes fazer alguém levantar da cadeira e dançar também é uma missão”, explica.

A brasilidade como força

Apesar de viver há mais de duas décadas nos Estados Unidos, o artista nunca tentou apagar suas origens. Pelo contrário: ele afirma que sua “brasilidade” é uma de suas maiores forças no exterior: “O Brasil está sempre in trend aqui. De alguma maneira, o mundo nunca se cansa do Brasil — da música, do ritmo, da sensualidade, da irreverência, da nossa maneira de ocupar a vida”.

Ele brinca que é celebrado por sua “brasiliance” e recusa a ideia de que o artista brasileiro precise se limitar aos gêneros que o mercado internacional tradicionalmente espera. “Podemos fazer samba, bossa nova e MPB, claro — mas também podemos fazer eletrônico, disco, rock, experimental e POP”, afirma. “Eu sou brasileiro fazendo pop em Los Angeles. A brasilidade está em mim; ela não precisa estar presa a um gênero musical”, frisa.

Sonhos gigantes se realizando

Nunan chegou a Los Angeles há 23 anos, movido pelo desejo de explorar todas as possibilidades da carreira artística: cantar, atuar, dançar, coreografar, dirigir e produzir. “Vim para a Meca do entretenimento mundial porque queria um trampolim — não uma cadeira confortável”, diz.

Hoje, ele é ator do SAG-AFTRA e, recentemente, recebeu um grant da cidade de West Hollywood para apresentar seu próprio espetáculo no City Council Chambers, nesta sexta-feira (21/8), com banda completa. “Para um imigrante que chegou aqui com sonhos gigantes, isso tem um significado enorme. É uma honra ser reconhecido pela cidade onde construí minha vida”, celebra.

Apesar da disciplina e do profissionalismo que incorporou ao longo dos anos nos EUA, ele mantém a alma carioca intacta. “Sinto falta da intimidade do Brasil. Daquela espontaneidade brasileira, da conversa que começa com um café e quando você percebe já virou almoço, jantar e talvez uma festa”, pontua. Ele resume sua identidade atual como uma “mistura muito particular: a disciplina que Los Angeles me ensinou com a alma absolutamente carioca que eu me recuso a perder”.

Walt Disney nos cinemas

Paralelamente à música, Nunan construiu uma carreira consistente como ator e dublador. Participar do filme Being the Ricardos, dirigido por Aaron Sorkin e estrelado por Nicole Kidman e Javier Bardem, foi um dos momentos mais marcantes de sua trajetória. Ele interpretou Walt Disney e lembra com emoção a experiência de estar em um set com nomes históricos do cinema. “Estar diante de Aaron Sorkin como diretor, receber uma indicação dele, vê-lo construir uma cena e dirigir os atores tão de perto foi uma experiência que ficou marcada em mim”, lembra.

Mas a atuação, ressalta, vem de muito antes: ele é originário do teatro brasileiro, com prêmios Sharp e Coca-Cola no currículo, e mantém essa formação viva em cada projeto. “O teatro mora dentro do meu corpo. Você pode passar um período cantando, fazendo um filme, dirigindo ou produzindo, mas o ator não vai embora. Ele fica ali esperando a próxima cena”, garante.

Nos Estados Unidos, também atuou em comerciais, voice-overs, filmes e videogames, e brinca que muitos brasileiros já ouviram sua voz sem saber. “Minha carreira acabou se tornando muito híbrida: ator, cantor, performer, dublador, diretor, produtor. No final das contas, meu instrumento sempre foi o mesmo — minha voz, meu corpo e minha imaginação.”

Made in Brazil

Nunan também tem se dedicado a criar pontes com o Brasil. Em Los Angeles, idealizou o Made in Brasil – Solo Works, festival dedicado a trabalhos solo com apoio do Consulado-Geral do Brasil, e já planeja uma edição de comédia para dezembro, com comediantes brasileiros radicados na cidade: “A comunidade brasileira daqui é muito forte, talentosa e diversa. Existe um Brasil inteiro produzindo arte fora do Brasil, e eu tenho muito orgulho de ajudar a criar palco para essa turma”.

Quanto a atuar ou cantar novamente no Brasil, ele é enfático: “Absolutamente. Seja cantando, atuando, fazendo teatro, cinema ou televisão. Depois de tantos anos entre esses dois mundos, talvez esse seja justamente o lugar mais interessante para mim agora: não precisar escolher um só. Posso levar um pouco de Los Angeles para o Brasil e continuar trazendo muito Brasil para Los Angeles”.

Leopold Nunan segue firme na construção de uma carreira que não pede licença, mas convida o mundo a dançar: “Aperta o play. We’re READY TO GO”.

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postado em 19/08/2026 21:10
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