Artes Cênicas

Monólogo estreia em Brasília com reflexão sobre memória e identidade

Espetáculo "Espiraldemí" ocupa o Espaço Pé Direito e propõe uma releitura da formação do Brasil a partir de perspectivas afrodiaspóricas

O que significa ser brasileiro? É a partir dessa pergunta que o artista, dramaturgo e educador Likidah Mazindandú constrói Espiraldemí, espetáculo que estreia em Brasília com apresentações gratuitas no sábado (8/8) e no domingo (9/8), às 19h, no Espaço Pé Direito, na Vila Telebrasília. Misturando teatro, dança, música e projeções, o monólogo convida o público a revisitar a história do país sob perspectivas afrodiaspóricas, abordando temas como memória, ancestralidade, colonialismo e resistência.

Escrito, concebido e interpretado por Mazindandú, o espetáculo propõe uma travessia entre passado, presente e futuro para refletir sobre os processos históricos que moldaram a identidade brasileira. A dramaturgia resgata histórias atravessadas pela violência colonial e pelas políticas de embranquecimento, ao mesmo tempo em que aponta para o retorno às ancestralidades negras como possibilidade de construção de novos futuros.

“Caminhar para a sétima direção, em muitas tradições, é o caminho do autoconhecimento. Esse é o percurso de Espiraldemí. Um monólogo que rememora a construção do território brasileiro, as políticas de esquecimento e apagamento racial, a construção da branquitude brasileira e a necessidade de retorno às tradições, à terra e ao território para a concepção de futuros possíveis”, afirma Likidah Mazindandú.

Dirigido por Diadorim Silva e Letícia Medeiros, o espetáculo utiliza uma concepção cênica que aproxima ancestralidade e tecnologia. A encenação apresenta um diálogo entre o humano e o robótico para discutir os traumas históricos e os mecanismos de apagamento da memória coletiva.

“O que acontece quando a virtualidade clama por uma atualização de um sistema sobrecarregado de traumas? Espiraldemí apresenta um encontro entre o humano e o robótico, onde o esquecimento é vendido como remédio e o progresso é pintado de branco. A peça convida o público a romper o silêncio e encarar o reflexo de um solo sagrado, mas roubado”, destaca o diretor Diadorim Silva.

A preparação corporal, conduzida por Mylena Edna, parte da investigação de um corpo constituído pelo encontro entre raízes afro-indígenas e pelos impactos do colonialismo. Ao longo da montagem, histórias reais e personagens simbólicos se cruzam com questões contemporâneas, como o capitalismo, a destruição do Cerrado e a permanência das violências estruturais, reafirmando o teatro como espaço de elaboração da memória e de imaginação de outros caminhos.

Além da experiência cênica, a dramaturgia de Espiraldemí também foi publicada pela Editora Minimalismos e está disponível para aquisição, ampliando o acesso ao texto para além dos palcos.

Comprometido com a democratização do acesso à cultura, o espetáculo conta com recursos de acessibilidade nas apresentações. Todas as sessões têm interpretação em Libras, enquanto o dia 9 de agosto também oferece audiodescrição para pessoas cegas e com baixa visão. O espetáculo é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).

Serviço

Espetáculo Espiraldemí

Sábado (8/8) e no domingo (9/8), às 19h, no Espaço Pé Direito, Vila Telebrasília. Ingressos gratuitos, mediante retirada antecipada pela plataforma Sympla.

*Estagiária sob a supervisão de Nahima Maciel

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