Literatura

Gole de poesia leva visibilidade à literatura periférica do DF

Com entrada gratuita, o festival reúne escritores, poetas, MCs, artistas e educadores em um encontro sobre literatura, poesia falada, música, hip-hop e produção artística

Na literatura, na fala, na performance ou na música, a palavra encontra caminhos plurais para se manifestar. Essas formas de expressão ganham espaço neste sábado (3/9), no Gole de poesia, festival dedicado às diversas formas de expressão que nascem e circulam nas periferias do Distrito Federal. A programação começa às 14h, no Mercado Sul Vive, e reúne artistas, educadores e o público para rodas de conversa, feira literária, sarau, música e batalha de MCs.       

Segundo a idealizadora Eli Ferreira, o festival tem como objetivo chamar a atenção para as periferias, pois são territórios ricos em produção literária e artística, embora sem acesso às oportunidades necessárias. “Fortalecer essa produção é reconhecer a potência dessas vozes e criar caminhos para que esses artistas possam se desenvolver e profissionalizar seus trabalhos”, declara. “Reunir diferentes formas de manifestação artística é uma maneira de acolher, valorizar e reconhecer a diversidade da produção cultural das periferias.”    

O Gole de poesia nasceu como sarau, mas, a partir das experiências, surgiu a necessidade de virar algo maior, um festival literário. “O projeto surge da percepção da carência de festivais literários nas periferias do Distrito Federal, espaços que reconheçam e coloquem no centro a literatura periférica e marginal, dando visibilidade aos escritores, poetas e artistas que produzem literatura nesses territórios”, explica Eli.

As dificuldades enfrentadas por artistas periféricos são diversas, entre elas estão o racismo, as desigualdades territoriais, a falta de mobilidade e o acesso às oportunidades e aos recursos necessários para desenvolver seus trabalhos. “É justamente nesse espaço que o Gole de poesia busca atuar”, explica Eli. Foram mais de 90 propostas de artistas para participação, das quais oito foram selecionadas. “Uma das nossas preocupações foi garantir uma remuneração, ainda que dentro dos recursos disponíveis, com cachês de R$ 400 para as propostas selecionadas”, destaca. 

Além de apresentações, o festival busca aproximar os artistas do público e promover a formação para novas possibilidades destinadas à cultura periférica. “Que cada pessoa saia com um pouco mais de poesia, mas também com a certeza de que a periferia produz, cria, pensa, escreve e tem muito a dizer”, finaliza a criadora.  

Confira a programação do evento:

14h – Abertura da feira do livro

14h às 16h – Oficina Caminhos para a escrita na ficção (Cristiane Sobral)

16h às 17h – Roda de conversa Passo da publicação independente & tessitura de livros possíveis (Natália Aniceto)

17h às 18h – Palco aberto, com oito poetas selecionados

18h às 19h – DJ Kaju / intervalo cultural

19h às 20h – Roda de conversa Produção literária periférica no DF (Cristiane Sobral, Eli Ferreira e demais convidados)

20h às 21h – Show Gato el negro

21h às 21h05 – DJ Kaju / transição

21h05 às 22h – Batalha de MCs


Serviço

Gole de poesia

Neste sábado (3/9), a partir das 14h, na Canoa – Negra e Indígena (Mercado Sul Vive, St. B Sul QSB 13 - Taguatinga Sul). Entrada gratuita.

*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel

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