
São Paulo - O Google anunciou que o processamento e armazenamento de dados de seus modelos de inteligência artificial passarão a ser feitos no Brasil. A partir de 15 de outubro, informações do Gemini 3.5 Flash e do Gemini Enterprise serão mantidas integralmente em território nacional.
A medida foi divulgada durante o Google Cloud Summit Brasil 2026, nesta quinta-feira (24), e faz parte de um plano para dobrar a capacidade técnica de processamento e inteligência artificial da empresa no país até 2030.
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Gargalo na governança de IA
A decisão de manter os dados localmente atende a exigências regulatórias e de segurança de órgãos públicos e instituições financeiras. A mudança aborda um gargalo na implementação de IA no setor produtivo brasileiro.
Um estudo encomendado pelo Google Cloud às consultorias IDC e Provokers mostra que 62% das organizações do país aceleram o uso de agentes de IA. No entanto, apenas 17% consolidaram níveis adequados de governança para usar a tecnologia em processos estratégicos.
Saiba Mais
Thomas Kurian, CEO global do Google Cloud, explicou que as empresas enfrentam três desafios principais ao escalar o uso de IA:
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Custo;
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Clareza sobre o valor de negócios;
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Necessidade de controles de nível corporativo.
“Aqui no Brasil, vocês estão liderando a América Latina na adoção de IA”, afirmou o executivo. “Essa lacuna não é por falta de ambição, é sobre a infraestrutura por baixo, e é essa lacuna que viemos fechar com vocês”.
Projetos em andamento no Brasil
O fortalecimento da infraestrutura local já suporta iniciativas em andamento. O Banco Central do Brasil, por exemplo, utiliza a plataforma de cibersegurança da empresa para operar o Bank Shield, que protege o sistema financeiro contra ataques digitais.
No setor público, o Governo de Goiás adotou a plataforma Gemini Enterprise para otimizar rotinas administrativas. No setor privado, o Bradesco automatizou a análise de contratos, reduzindo o tempo de revisão de uma hora para cinco minutos.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também passou a fornecer assistência técnica e inteligência agronômica a produtores rurais por meio do WhatsApp. “Sem dúvida alguma, democratizou o acesso à assistência técnica”, completou Kurian.
Cibersegurança e capacitação
Para proteger infraestruturas críticas, a companhia liberou avaliações de exposição gratuitas com a ferramenta Red Agent, em parceria com a Wiz. A solução simula invasões para identificar vulnerabilidades externas sem instalar softwares na rede do cliente.
O Google Cloud também lançou 10 mil vouchers de certificação técnica para desenvolvedores brasileiros. A ação faz parte da meta de capacitar 3 milhões de pessoas em nuvem e IA até 2030, o que inclui o evento de treinamento "Capacita+", feito com mais de 150 instituições de ensino.
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O jornalista viajou a convite do Google
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