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"Toque no cabelo": como funciona chip na bola em jogo de Portugal x Croácia

Sensor interno da bola detectou "toque no cabelo" e confirmou impedimento que evitou prorrogação e confirmou classificação de Portugal na Copa

No interior da bola oficial da Copa, o sensor IMU registra dados 500 vezes por segundo para detectar contatos imperceptíveis ao olho humano -  (crédito: Divulgação/Adidas)
No interior da bola oficial da Copa, o sensor IMU registra dados 500 vezes por segundo para detectar contatos imperceptíveis ao olho humano - (crédito: Divulgação/Adidas)

A classificação de Portugal para as oitavas de final da Copa do Mundo foi marcada por um dos lances mais discutidos do torneio até agora. Na quinta-feira (2/7), a equipe venceu a Croácia por 2 a 1, de virada, em um jogo repleto de intervenções do árbitro de vídeo, mas foi o gol croata anulado nos acréscimos que concentrou as atenções.

O motivo foi um toque praticamente imperceptível na bola, detectado pelo sensor instalado no interior do objeto, que levou à marcação de impedimento e inviabilizou o empate que levaria a partida para a prorrogação.

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O episódio colocou em evidência a chamada "bola inteligente", tecnologia utilizada pela Fifa para auxiliar o VAR na identificação do momento exato em que a bola é tocada. A entidade defendeu a decisão da arbitragem e afirmou que o sistema comprovou o contato que originou a infração.

O que houve

Portugal começou melhor e controlou boa parte das ações no primeiro tempo, embora não tenha conseguido abrir o placar. Na etapa final, a Croácia saiu na frente com Ivan Perisic, mas os portugueses reagiram. Cristiano Ronaldo empatou em cobrança de pênalti e Gonçalo Ramos marcou nos acréscimos para virar a partida.

O confronto ainda teve quatro gols anulados pelo VAR. Um de Cristiano Ronaldo foi invalidado por impedimento, enquanto a Croácia teve três tentos cancelados durante a partida.

Quando o jogo já parecia decidido, os croatas voltaram a balançar as redes no último lance. Após um cruzamento para a área, Igor Matanovi desviou a bola de forma quase imperceptível antes de ela seguir para Mario Paali, que participou da sequência da jogada. Na conclusão, Joko Gvardiol marcou o que seria o empate.

O árbitro norueguês Espen Eskås, no entanto, foi chamado para revisar o lance e anulou o gol. O motivo foi o impedimento no instante do desvio de Matanovic, identificado pelo sistema eletrônico da bola.

A decisão provocou forte repercussão entre torcedores e críticas por parte dos croatas, já que o empate levaria a disputa para a prorrogação.

O toque no cabelo 

Após a eliminação, o atacante Igor Matanovic confirmou que percebeu um contato mínimo com a bola, embora não tivesse certeza do ocorrido durante a partida.

"Sinceramente, acho que senti um leve contato no cabelo. Perguntei ao árbitro, não tinha certeza absoluta de ter tocado. Ele me disse que houve um toque sutil na bola, que houve um leve contato e que era impedimento", disse.

Como funciona a tecnologia 

A decisão só foi possível graças à tecnologia embarcada na Trionda, bola oficial da Copa do Mundo. No interior do equipamento há uma unidade de medição inercial (IMU), um sensor de movimento instalado entre as camadas da bola.

O dispositivo registra informações cerca de 500 vezes por segundo, identificando com precisão o instante exato em que ocorre qualquer contato, mesmo que ele seja praticamente imperceptível ao olho humano.

Esses dados são transmitidos em tempo real para a cabine do VAR e cruzados com o sistema de rastreamento dos jogadores, realizado por câmeras posicionadas ao redor do estádio. A combinação dessas informações permite determinar com maior precisão o momento do toque e a posição de cada atleta, auxiliando a arbitragem em lances de impedimento e também em possíveis toques de mão.

Quando ocorre um contato, o sensor gera um gráfico semelhante ao de um eletrocardiograma, indicando exatamente o instante da ação. No lance entre Portugal e Croácia, essa oscilação apontou o momento em que Matanovic desviou a bola antes de ela seguir para Pasalic.

O que diz a Fifa

Em comunicado divulgado após a partida, a Fifa afirmou que a revisão foi correta e sustentada pelos dados produzidos pela tecnologia da bola conectada.

"Dados da Tecnologia de Bola Conectada [o sistema de chip da bola] comprovaram que houve contato" por parte de Matanovic "na construção da jogada do gol", e "o árbitro corretamente assinalou o impedimento e anulou o gol", cita a entidade.

A Fifaa crescentou que os sensores "são capazes de detectar qualquer contato, por menor que seja, exibindo-o aos telespectadores na transmissão televisiva como um 'cardiograma'".

As imagens da transmissão oficial mostraram justamente essa oscilação no gráfico no momento em que a bola passou por Matanovic, reforçando a identificação do toque utilizada pela equipe de arbitragem.

Reações

A decisão foi alvo de fortes críticas da seleção croata. O técnico Zlatko Dali afirmou que o uso do VAR ultrapassou os limites do que considera adequado para o futebol. "O futebol deve ser justo, e essas decisões também, mas a situação do VAR saiu do controle."

Apesar de reconhecer o mérito da classificação portuguesa, o treinador lamentou o impacto da tecnologia na experiência do jogo. "Dá para ver até que ponto as emoções foram literalmente eliminadas."

"Não estou dizendo que o VAR não possa ser útil às vezes, mas ele mata a emoção. Mata tudo dentro de você, mata a experiência que você está vivendo", acrescentou

Com a vitória, Portugal avançou às oitavas de final e terá pela frente a Espanha na próxima fase da Copa do Mundo.

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postado em 03/07/2026 11:04 / atualizado em 03/07/2026 11:06
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