FUTEBOL
Bola tocou no cabelo? Entenda por que gol da Croácia foi anulado
Torcedores questionaram a decisão da arbitragem após o sistema da bola triondas detectar um leve contato no cabelo de Igor Matanovi; Fifa se pronunciou
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Torcedores questionaram a decisão da arbitragem após o sistema da bola triondas detectar um leve contato no cabelo de Igor Matanovi; Fifa se pronunciou

O gol anulado da Croácia nos minutos finais da partida contra Portugal gerou bastante polêmicas nas redes sociais. A decisão da arbitragem de invalidar o lance por impedimento acabou decretando a eliminação dos croatas da Copa do Mundo e levantou um certo debate sobre os limites da tecnologia no futebol.
A partida estava em 2 a 1 para Portugal, com gols de Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos, resultado que garantia a classificação portuguesa. Até que, aos 57 minutos do segundo tempo, o zagueiro croata Joko Gvardiol marcou o que seria o empate em 2 a 2, e que levaria o confronto para a prorrogação.
No entanto, o árbitro norueguês Espen Eskås, com auxílio do árbitro de vídeo (VAR), Jarred Gillett, anulou o lance após uma longa revisão. Além desse gol, a Croácia também teve outros dois tentos invalidados durante a partida; marcados por Ante Budimir e Petar Sui.
A decisão gerou revolta entre torcedores, inicialmente, o gol foi anulado por impedimento. Durante o cruzamento para a área, a bola teria passado de raspão pelo cabelo do centroavante croata Igor Matanovi, nas imagens convencionais, o contato não era perceptível, mas o chip instalado na bola oficial registrou o toque.
Após o toque no cabelo de Matanovi, a jogada continuou normalmente. A bola chegou até Mario Paali, que estava ligeiramente à frente do último defensor português no momento do contato, em seguida, o lance seguiu dentro da área e terminou com Joko Gvardiol balançando as redes, marcando o que seria o empate da Croácia em 2 a 2.
No entanto, durante a revisão do VAR, a arbitragem concluiu que o toque de Matanovi alterava o momento exato da análise do impedimento. Como Paali estava em posição irregular quando a bola encostou no atacante croata, a jogada passou a ser considerada ilegal.
O desvio posterior no zagueiro português Renato Veiga foi classificado como involuntário pelos árbitros e, por isso, não anulou a infração. Com base nessa interpretação, o gol de Gvardiol foi invalidado, encerrando as chances de a Croácia levar a partida para a prorrogação.
A anulação provocou uma enxurrada de comentários nas redes sociais, com muitos torcedores questionando se o toque realmente aconteceu: “Impossível essa bola ter tocado no jogador da Croácia”, escreveu um usuário. Outros internautas criticaram a decisão por considerar que o contato foi mínimo e sem influência direta na trajetória da bola.
Apesar da comemoração croata, o VAR chamou o árbitro para revisar o lance. A tecnologia da bola indicou que houve um leve contato com o cabelo de Matanovi.
A partir desse toque, a posição de Paali passou a ser analisada no momento exato da ação, configurando impedimento. Como o desvio posterior no jogador português foi considerado involuntário, a regra determina que ele não “zera” a jogada nem elimina a infração de impedimento.
Em seu site oficial, a Fifa explica que o cabelo só é considerado parte do corpo em situações específicas. “O cabelo só é considerado parte do corpo se afetar o movimento ou a trajetória da bola. Isso só é provável em casos de contato significativo com uma grande quantidade de cabelo.”
Por isso, a discussão não gira em torno de uma cabeçada tradicional. O gol foi anulado porque o toque registrado pela tecnologia alterou o momento de referência utilizado para a análise do impedimento. Por isso, o cabelo de Matanovi acabou determinando o instante exato em que a posição de seus companheiros deveria ser avaliada pela arbitragem.
"De acordo com os dados fornecidos pela tecnologia Connected Ball, presente na bola Trionda da Adidas, a bola oficial da @FIFAWorldCup@, foi comprovado que houve contato entre o jogador croata nº 20, Igor Matanovi, e a bola na jogada que originou o gol contra Portugal, permitindo que o árbitro identificasse corretamente o impedimento e anulasse o gol. Os sensores IMU presentes na bola Trionda são capazes de detectar qualquer contato, por menor que seja, e são exibidos aos espectadores na transmissão como um gráfico que simula uma pulsação, fornecendo aos árbitros um nível de dados sem precedentes para que tomem decisões rápidas e precisas."
Após a partida, o atacante croata comentou o lance e admitiu que sentiu um leve contato. “Sinceramente, acho que senti um pequeno contato no cabelo. Perguntei ao árbitro, não tinha 100% de certeza se tinha tocado. Ele me falou que tem um chip na bola, que houve um pequeno contato e que, por isso, era impedimento”, disse Matanovi na zona mista após o jogo.
A bola utilizada na competição foi desenvolvida pela Adidas e conta com um chip instalado em uma de suas camadas internas. O dispositivo foi criado em parceria com a empresa Kinexon e faz parte do sistema de impedimento semiautomático utilizado pela Fifa.
Diferentemente de modelos anteriores, em que os sensores ficavam suspensos no centro da bola, a nova tecnologia possui o equipamento integrado à estrutura interna do material.
O chip é capaz de coletar e transmitir dados cerca de 500 vezes por segundo para o sistema do VAR em tempo real. Essa frequência permite identificar com extrema precisão o exato momento em que a bola é tocada por qualquer jogador, oferecendo informações que auxiliam a arbitragem em lances de impedimento e outros episódios decisivos.
No caso de Croácia e Portugal, foi justamente essa tecnologia que detectou o leve toque no cabelo de Matanovi e levou à anulação do gol que poderia ter levado a partida para a prorrogação.
Vídeo do último lance do Croácia - Portugal.
— Diogo Dantas (@diogoXdantas) July 3, 2026
Talvez a bola tenha raspado no atacante da Croácia, mas isto não pode acontecer no último momento do jogo. Que defesa é esta? O que aconteceu, Renato Veiga? pic.twitter.com/XjoKqzpg0y
*Estagiária sob supervisão de Ronayre Nunes
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