premiação

Governo federal destaca pequenos embaixadores da ciência em escolas do DF

Estudantes de clube de ciências de escola do Recanto das Emas são reconhecidos por projetos que divulgam o conhecimento

Manuela Sá*
postado em 19/10/2026 06:28
No DF, quatro dos premiados eram parte do clube de ciências do CEM 111 do Recanto das Emas -  (crédito: Brenda Paixão/ASCOM MCTI)
No DF, quatro dos premiados eram parte do clube de ciências do CEM 111 do Recanto das Emas - (crédito: Brenda Paixão/ASCOM MCTI)

Sete estudantes do Distrito Federal foram premiados em setembro por projetos que divulgam a ciência por meio de produção e compartilhamentos científicos. Eles receberam o título de Embaixadores Mirins do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Os jovens estão entre os 129 homenageados em todo o país pelo Prêmio Pop Ciência 2026. No DF, quatro dos premiados eram parte do clube de ciências do Centro de Ensino Médio (CEM) 111 do Recanto das Emas. Com projetos que tratam de segurança cibernética e música, os pequenos celebram o apoio recebido e refletem sobre os próximos passos.

Uma das premiadas foi Rafaela Albuquerque. Aos 16 anos, a estudante foi escolhida para representar o Missão Cyber Girls, jogo educativo criado por cinco estudantes do CEM 111. A ideia surgiu após as  jovens participarem de aulas sobre cibersegurança oferecidas pelo projeto de extensão Meninas.comp da Universidade de Brasília (UnB).

A proposta é apresentar conceitos de segurança digital de maneira acessível e lúdica. Por meio de um jogo de tabuleiro, os participantes percorrem situações do cotidiano e aprendem a se proteger de riscos presentes nas redes. "Aparece uma carta com efeito, por exemplo, que mostra uma historinha. Ela pode falar que você caiu em um phishing, que é roubo de dados. Se isso acontecer na vida real, você vai perder as suas informações. No jogo, você perde pontos", explica Rafaela.

Foi enquanto participava da semana universitária da UnB que a estudante descobriu que havia recebido o título do MCTI. "Vi a mensagem quando estava descendo as escadas. Deu um gelo. Aquele negócio em que me inscrevi lá atrás, agora, com tudo desenvolvido, eu poderia mostrar", conta. Hoje, ela comemora o apoio recebido na escola de professor e de outros colegas, como a amiga Fernanda Lara, de 17 anos.

Criativa e engajada em iniciativs da escola, Lara também participou do desenvolvimento do projeto. Ela celebra a parceria com a colega. "Para um trabalho como esse, você tem que lidar com as suas possibilidades e com quem está com você. Então, quando eu vi que a Rafaela realmente se entregava, adquiria responsabilidade e se dedicava, falei: Tenho que trabalhar com ela, certeza'".

Fernanda Lara e Rafaela Albuquerque
Na foto com Fernanda Lara, Rafaela Albuquerque (de preto) representou o jogo Missão Cyber Girls (foto: Manuela Sá/CB/DA Press)

Outro premiado foi Sebastian Noronha, de 16 anos, representante de projeto que mostra como a música afeta o cérebro. Durante uma feira de ciências, o grupo apresentou ao público uma demonstração sobre os impactos das vibrações sonoras, utilizando o pulso dos participantes para ilustrar a relação entre os estímulos musicais e as reações do organismo. "O objetivo é evidenciar como diferentes estilos musicais alteram emoções e podem ser associados à memória", detalha Rian Alves, 15, um dos integrantes do grupo.

Para Sebastian, o recebimento do título foi uma surpresa. "Eu realmente não esperava. Quando saí da escola e cheguei em casa, minha mãe deu para mim a notícia. Fiquei travado", relata.

Também integrante do grupo, Gabriel Marques, 15, diz que participar do desenvolvimento dessa ideia expandiu seus horizontes. "Começou apenas como um projeto interessante e divertido, mas a gente não tinha muita perspectiva. Esse reconhecimento ajudou a gente a pensar mais alto em relação à pesquisa", pondera.

Sebastian Noronha, entre Gabriel Marques e Rian Alves
Sebastian Noronha, entre Gabriel Marques e Rian Alves: projeto relaciona música ao cérebro (foto: Manuela Sá/CB/DA Press)

O professor Geldo Ferreira de Araújo, responsável pelo clube de ciências, celebra a conquista de seus estudantes. "O título contempla os nossos esforços e nosso trabalho dentro da iniciação científica com esses jovens estudantes, que têm potencial", destacou.

Para ele, o reconhecimento cumpre o papel de dar visibilidade para as mentes curiosas e criativas que ocupam as escolas públicas do DF. "Dá orgulho mostrar que existem estudantes, mesmo afastados do centro, que, dadas as oportunidades, conseguem se sobressair e alcançar grandes vitórias", finalizou.

*Estagiária sob a supervisão de Márcia Machado

 


Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação