O youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, de 27 anos, voltou às redes sociais na madrugada desta terça-feira (20/10), Dia Mundial de Combate ao Bullying, após sete meses sem publicações. Em um vídeo de mais de uma hora, o influenciador de Londrina (PR) revelou que foi diagnosticado com fobia social e alcoolismo e relatou ter sofrido bullying por oito anos durante a adolescência.
Felca contou que as agressões começaram aos 12 anos e envolveram xingamentos, humilhações e violência física. Em um dos episódios, cinco colegas o agrediram no banheiro da escola. "Não me bateram só até eu cansar, mas até eles cansarem", disse. Segundo o youtuber, os traumas fizeram com que ele avisasse os pais de que não conseguiria frequentar a faculdade.
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Na vida adulta, Felca passou a usar álcool para lidar com situações sociais, como gravações e eventos públicos. No vídeo, ele se declara alcoólatra.
O retorno veio acompanhado de dois anúncios: um desafio pessoal de 90 dias para enfrentar a fobia social e a intenção de dar palestras gratuitas em escolas sobre bullying, a partir de suas próprias experiências.
Expectativa política
A publicação gerou polêmica nas redes por ter sido feita na semana do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Parte dos internautas esperava que o influenciador, conhecido por denúncias de grande alcance, divulgasse conteúdo de teor político. O nome de Felca e o termo "fobia social" chegaram aos assuntos mais comentados do X (antigo Twitter). Outra parcela do público elogiou a coragem do influenciador e defendeu a importância de falar abertamente sobre saúde mental.
Quase 40% dos adolescentes sofrem bullying
A publicação de Felca coincide com dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE, divulgados em março. O levantamento, feito em 2024 com estudantes de 13 a 17 anos, aponta que 39,8% dos adolescentes sofreram bullying na escola, um aumento de 0,7 ponto percentual em relação a 2019.
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Os casos de humilhação repetida, quando a agressão ocorre pelo menos duas vezes, subiram mais de quatro pontos percentuais no período. A violência física atingiu 16,6% dos estudantes (ante 14% em 2019), e os episódios recorrentes de agressão passaram de 6,5% para 9,6%.
Meninas são mais vitimadas: 43,3% relataram ter sofrido bullying, contra 37,3% dos meninos. No ambiente digital, 15,2% das meninas e 10,3% dos meninos disseram ter sido humilhados ou ameaçados em redes sociais ou aplicativos de mensagens.
O principal motivo citado pelas vítimas foi a aparência do rosto ou do cabelo (30,2%), seguido por características corporais (24,7%) e cor ou raça (10,6%).
Quem é Felca
Felca começou a produzir conteúdo na internet em 2012, com vídeos humorísticos. Ele acumula mais de 17 milhões de seguidores no Instagram e 6 milhões de inscritos no YouTube. Em agosto de 2025, publicou o vídeo "Adultização", de 50 minutos, em que denunciou a exposição sexualizada de crianças e adolescentes nas plataformas digitais. O conteúdo teve mais de 40 milhões de visualizações em oito dias e mobilizou autoridades.
Após a publicação, Felca passou a circular com carro blindado e seguranças, em razão de ameaças de morte. Dois suspeitos foram presos em Pernambuco. Em fevereiro de 2026, os influenciadores Hytalo Santos e Israel Natã Vicente, o "Euro", foram condenados pela Justiça da Paraíba, com penas de 11 anos e 4 meses e de 8 anos, 10 meses e 20 dias de prisão, respectivamente.
A repercussão do vídeo também contribuiu para a aprovação da Lei nº 15.211/2025, o ECA Digital, conhecida como "Lei Felca", sancionada em setembro de 2025 e em vigor desde março de 2026. A norma amplia a proteção de crianças e adolescentes na internet. Em março, Felca estreou o quadro "Sobre Nós", no Fantástico, da TV Globo, com seis episódios sobre saúde mental.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e prevenção do suicídio pelo telefone 188, pelo chat em cvv.org.br ou por e-mail. O serviço funciona 24 horas, é gratuito e sigiloso.
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