JUSTIÇA

Toffoli critica PF e abre nova crise institucional no caso Banco Master

Ministro do STF aponta "falta de empenho" da corporação em operação sobre suspeitas de fraude e amplia tensões entre Judiciário, Polícia Federal e demais órgãos de controle

PF rebateu o ministro dizendo que o atraso ocorreu por razões operacionais, sem intenção de descumprir a determinação judicial -  (crédito: Gustavo Moreno/STF)
PF rebateu o ministro dizendo que o atraso ocorreu por razões operacionais, sem intenção de descumprir a determinação judicial - (crédito: Gustavo Moreno/STF)

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu uma nova frente de atrito com a Polícia Federal ao criticar duramente a atuação da corporação na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. As declarações foram feitas após o cumprimento de mandados na quarta-feira (14/1), autorizados pelo próprio ministro.

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Na decisão, Toffoli afirmou que houve “falta de empenho” e “inobservância expressa e deliberada” de sua ordem, que previa a execução das diligências em até 24 horas após a autorização concedida na segunda-feira (12). Segundo o ministro, a demora poderia ter causado prejuízos à investigação. A PF, por sua vez, sustenta que o cumprimento dos mandados ocorreu fora do prazo por razões operacionais, sem intenção de descumprir a determinação judicial.

O embate se intensificou quando Toffoli determinou que os bens e aparelhos apreendidos permanecessem lacrados no STF, em vez de seguirem imediatamente para a perícia da Polícia Federal. A medida gerou apreensão entre investigadores, que temiam acessos remotos, perda de dados e prejuízo à cadeia de custódia das provas. Diante da reação, o ministro recuou e decidiu que o material ficará sob responsabilidade da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A crise institucional também mobilizou outros órgãos. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, visitou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em um gesto interpretado como demonstração de apoio à corporação. O BC, por sua vez, está sob escrutínio do Tribunal de Contas da União (TCU) por causa da liquidação extrajudicial do Banco Master, e ainda há dúvidas sobre o alcance da inspeção e o acesso a documentos sigilosos.

Além do impacto político, os sucessivos choques entre STF, PF e demais instituições levantam preocupação sobre a segurança jurídica do processo. Parte dos parlamentares e investigadores teme que falhas procedimentais ou disputas institucionais possam abrir brechas para questionamentos e até para a eventual anulação das investigações contra o Banco Master.

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postado em 15/01/2026 10:27 / atualizado em 15/01/2026 10:28
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