TRAMA GOLPISTA

Foragido nos EUA, Ramagem presta depoimento ao STF via videoconferência

Ex-diretor da Abin negou crimes de dano ao patrimônio durante o 8 de janeiro em interrogatório, que durou 50 minutos; oitiva foi possível após a perda de imunidade parlamentar e retomada do processo pelo ministro Alexandre de Moraes

A oitiva foi possível porque Moraes determinou a retomada da ação penal, após a Mesa da Câmara cassar o mandato de Ramagem em 2025 -  (crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
A oitiva foi possível porque Moraes determinou a retomada da ação penal, após a Mesa da Câmara cassar o mandato de Ramagem em 2025 - (crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal cassado, Alexandre Ramagem, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (5/2), por meio de videoconferência. O interrogatório, que durou cerca de 50 minutos, foi conduzido por uma juíza auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes e acompanhado pelo advogado do réu.

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Atualmente foragido da Justiça e residindo nos Estados Unidos, Ramagem foi interrogado em uma ação penal que apura crimes de dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, ocorridos durante os ataques de 8 de janeiro de 2023.

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A oitiva foi possível porque Moraes determinou a retomada da ação penal após a Mesa da Câmara dos Deputados cassar o mandato de Ramagem em 2025. Anteriormente, a Casa havia votado pelo bloqueio da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), garantindo ao deputado imunidade parlamentar para fatos ocorridos após a sua diplomação.

Com a perda do cargo, a suspensão do processo deixou de ter efeito, permitindo que o Supremo desse continuidade aos procedimentos criminais sobre os atos praticados após ele se tornar parlamentar.

Durante o interrogatório, Ramagem teria adotado uma postura de defesa combativa, negando o uso ilegal de programas para monitorar adversários do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando ser vítima de uma “farsa” e proferindo ataques diretos a Moraes, além de alegar que os crimes imputados não foram cometidos por ele.

É importante lembrar que o depoente já possui uma condenação de 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado. Essa sentença se refere a três crimes cometidos antes de sua diplomação no fim de 2022: abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; e organização criminosa.

O deputado deixou o Brasil em setembro do ano passado, dois meses antes de sua condenação transitar em julgado. A Polícia Federal investiga se a saída ocorreu de forma clandestina pela fronteira com a Guiana, de onde ele teria embarcado em Georgetown com destino a Miami, utilizando um passaporte diplomático que já deveria ter sido cancelado por ordem judicial.

Em resposta à fuga, o ministro Alexandre de Moraes determinou o pedido de extradição de Ramagem. O Ministério da Justiça e Segurança Pública confirmou que o pedido foi formalmente encaminhado ao governo norte-americano via canais diplomáticos.

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postado em 06/02/2026 15:55 / atualizado em 06/02/2026 16:06
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