CASO MASTER

Vorcaro escondia R$ 2,2 bi em conta do pai, aponta decisão de André Mendonça

Decisão do ministro André Mendonça, do STF, detalha esquema bilionário de lavagem de dinheiro que inclui corrupção de servidores do BC e uso de milícia privada para intimidar jornalistas e autoridades

Segundo Mendonça, enquanto o ex-banqueiro ocultava esse valor, o FGC precisou intervir para cobrir um rombo de R$ 40 bilhões deixado pelo Master -  (crédito: Luiz Silveira / STF)
Segundo Mendonça, enquanto o ex-banqueiro ocultava esse valor, o FGC precisou intervir para cobrir um rombo de R$ 40 bilhões deixado pelo Master - (crédito: Luiz Silveira / STF)

A Polícia Federal (PF), no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4/3), bloqueou pouco mais de R$ 2,2 bilhões que estavam sendo ocultados por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O montante foi localizado em uma conta em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro, mantida na empresa CBSF DTVM — conhecida como Reag.

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As informações foram trazidas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da investigação do caso Master na Corte. Em sua decisão, proferida ontem (3), ele diz que a descoberta foi feita no dia 14 de janeiro, evidenciando que a prática ilícita continuou mesmo após Vorcaro ter sido solto de uma prisão anterior, em 28 de novembro.

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“Nesse contexto, enquanto o Fundo Garantidor de Crédito sangrava para cobrir o rombo bilionário deixado pelo Banco MASTER no mercado financeiro, montante que alcança quase 40 bilhões de reais, DANIEL VORCARO ocultava de seus credores e vítimas mais de 2 bilhões de reais junto a empresa conhecida por lavar dinheiro das mais perigosas organizações criminosas do Brasil, conduta ilícita que se perpetuou mesmo após ter sido posto em liberdade”, destacou Mendonça.

Enquanto o ex-banqueiro ocultava esse valor, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) precisou intervir para cobrir um rombo de R$ 40 bilhões deixado pelo Master. As autoridades apontam que ele ocultava os valores de seus credores e vítimas enquanto utilizava uma empresa — a Reag — citada como facilitadora para lavagem de dinheiro de organizações criminosas.

O esquema consistia na captação agressiva de recursos via emissão de CDBs com rentabilidade muito superior à média de mercado. Esses valores eram direcionados para operações de alto risco, ativos de baixa liquidez e fundos vinculados ao próprio conglomerado Master.

As investigações da PF identificaram quatro núcleos:

  • Financeiro: responsável pelas fraudes e estruturação de investimentos fictícios;

  • Corrupção institucional: voltado à cooptação de servidores do Banco Central, especificamente Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que atuavam como “consultores privados” de Vorcaro dentro da autarquia;

  • Ocultação patrimonial: uso de empresas interpostas (como a Varajo Consultoria e a Super Empreendimentos) para lavagem de dinheiro;

  • Intimidação (“A Turma”): uma milícia privada liderada pelo “sicário” Felipe Mourão e pelo policial federal aposentado Marilson Roseno, usada para monitorar e ameaçar jornalistas, concorrentes e autoridades.

 

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postado em 04/03/2026 15:58 / atualizado em 04/03/2026 16:04
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