
O Brasil caminha para eleições cada vez mais influenciadas pelo envelhecimento da população. Um levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o número de eleitores com 60 anos ou mais cresceu 74% entre 2010 e 2026, um ritmo quase cinco vezes maior que o do eleitorado geral, que avançou 15% no mesmo período.
Em termos absolutos, o país passou de 20,8 milhões de eleitores 60+ em 2010 para 36,2 milhões em março deste ano. No total, o Brasil soma 156,2 milhões de pessoas aptas a votar, número que ainda pode aumentar até o fechamento do cadastro eleitoral, em maio.
Esse crescimento acelerado já altera o peso político dessa faixa etária. Hoje, aproximadamente um em cada quatro votos no país vem de eleitores com mais de 60 anos, o que coloca esse grupo no centro das estratégias eleitorais.
Participação e engajamento
Além de crescer em número, o eleitorado 60+ tem demonstrado maior engajamento nas urnas. Nas últimas eleições gerais, a taxa de comparecimento entre pessoas de 60 a 69 anos, faixa em que o voto ainda é obrigatório, chegou a 85,7%, acima da média geral, de 79,1%.
Entre os maiores de 70 anos, cujo voto é facultativo, a participação foi menor, de 41,1%. Ainda assim, os dados indicam aumento gradual no engajamento desse público ao longo dos anos.
A abstenção entre os eleitores mais velhos também caiu nas últimas três eleições: passou de 37,1% em 2014 para 34,5% em 2022. No mesmo intervalo, o índice geral de abstenção do país subiu levemente.
Diferenças regionais
O peso do eleitorado 60+ não é uniforme no país. As regiões Sul e Sudeste concentram as maiores proporções, com pelo menos 23% dos votantes nessa faixa etária em todos os estados. O Rio Grande do Sul lidera, com 29,3%, seguido por Rio de Janeiro (28%) e Minas Gerais (26%).
Nos três maiores colégios eleitorais — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os eleitores com mais de 60 anos já somam cerca de 16 milhões de pessoas.
Já o Norte apresenta um perfil mais jovem. Na região, a média de eleitores 60+ é de 16,5%, com estados como Amapá, Amazonas e Roraima registrando os menores índices do país.
Envelhecimento muda cenário político
O avanço do eleitorado idoso acompanha uma transformação demográfica mais ampla. Em três décadas, a proporção de brasileiros com mais de 60 anos saltou de 7% para 16% da população. Em 2022, esse grupo já somava cerca de 32 milhões de pessoas.
Esse movimento não impacta apenas as eleições. O envelhecimento também traz desafios econômicos, especialmente para a sustentabilidade da Previdência. A projeção é de que o país passe de cerca de dois contribuintes por beneficiário, em 2014, para menos de um trabalhador ativo por aposentado até 2060.
O crescimento da presença 60+ também aparece entre os candidatos. Nas eleições municipais de 2024, mais de 70 mil pessoas com essa idade disputaram cargos, o equivalente a 15% do total, o maior número da série histórica.

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