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Lula ganha fôlego com vídeos de selfie na campanha do 2º turno

Uma das postagens do presidente superou 26 milhões de visualizações. Mesmo assim, relatório interno do PT levanta suspeitas de que chefe do Executivo está sendo prejudicado por algoritmo da Meta. Coligação pede abertura de ação de investigação judicial eleitoral

Lula com influenciadores: ele resistia a estar mais presente nas redes sociais, mas acabou convencido -  (crédito: Reprodução)
Lula com influenciadores: ele resistia a estar mais presente nas redes sociais, mas acabou convencido - (crédito: Reprodução)

Após apostar na mudança da comunicação para o segundo turno, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemora os resultados iniciais nas redes sociais. O primeiro vídeo em formato de selfie publicado pelo chefe do Executivo no Instagram ultrapassou 26,2 milhões de visualizações. Outros dois, em defesa do fim da escala 6 x 1 e questionando como Flávio Bolsonaro votará a proposta atingiram 18,1 milhões e 11,9 milhões. Mesmo assim, surgiram suspeitas, nessa sexta-feira, de que a Meta está restringido o alcance das postagens de Lula para beneficiar o candidato do PL.

Documento interno produzido pela inteligência da Secretaria Nacional de Comunicação do PT aponta que o algoritmo da Meta pode mesmo estar privilegiando a campanha de Flávio e prejudicando as ações de Lula nas redes. O documento, obtido em primeira mão pelo Correio, aponta que a página de Flávio teria, em média, 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, mesmo tendo 17,2% de seguidores a menos.

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Parte das informações sobre os eventos identificados nas plataformas da Meta estão sendo usadas para subsidiar uma ação apresentada na Justiça Eleitoral. "Flávio tem 17,2% menos seguidores, mas sua média de curtidas e comentários por publicação é cerca de 2,96 vezes a de Lula. A taxa normalizada pelo estoque de seguidores é 10,23% contra 2,86%. São escalas descritivas de contadores públicos; não percentuais de seguidores únicos que reagiram", destaca um trecho do relatório.

Em um pedido de abertura de Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), a coligação Brasil Pronto pra Mais, que inclui o PT, PV e PCdoB, alega que uma rede de páginas tem sido criada no Instagram para a realização de collabs, ou seja, publicações em parceria, para impulsionar conteúdos ligados a Flávio.

A solicitação de apuração foi aceita, e uma investigação está em andamento. "Diante da proibição de recomendação de páginas com propaganda eleitoral nas redes sociais, para além da rede orgânica dos candidatos e partidos políticos ou de contratação de impulsionamento pago nas referidas redes, inúmeras páginas têm sido criadas no Instagram para a realização de collabs e divulgação de propaganda eleitoral", destaca um dos trechos.

"Para piorar a situação, há páginas que se utilizam de conteúdo eleitoral e do engajamento trazido a partir de posts com desinformação, para auferir receitas financeiras, ou seja, para monetizar com conteúdo eleitoral, de maneira contrária à legislação eleitoral, que proíbe que influenciadores e pessoas em geral lucrem a partir de divulgação de propaganda eleitoral na internet. Em poucas palavras: produzir e divulgar desinformação com ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva virou um negócio extremamente atrativo e lucrativo", acrescenta.

A ação afirma ainda que não se trata de atuação de apoiadores ou militantes políticos, mas sim de pessoas ligadas à própria chapa do senador. "Não se cuida, portanto, de excesso cometido por apoiadores anônimos: o conteúdo ilícito é produzido pela própria chapa e distribuído pela estrutura coordenada, o que estabelece o vínculo direto entre o abuso e seus beneficiários", completa.

Anormalidade

Relatos que circulam nas redes sociais apontam que a contagem de visualizações de vídeos no Instagram deixaria de crescer de maneira considerada anormal justamente quando determinadas publicações começam a ganhar repercussão.

Até o momento, porém, não há confirmação de que a falha esteja relacionada a uma ação deliberada para reduzir o alcance de conteúdos políticos ou de publicações ligadas à campanha petista. Porém, a reportagem conseguiu constatar diferença em pelo menos um dos vídeos publicados pelo presidente Lula no reels do Instagram, que apresentava quantidade de curtidas maior que a de visualizações. Diferentemente de outras plataformas, o Instagram não exige um tempo mínimo de permanência no vídeo para contabilizar a visualização.

Procurada, a Meta alegou falha técnica. "Identificamos um problema técnico afetando algumas métricas de vídeos. Estamos trabalhando para resolver essa questão o mais rápido possível", informou. Apesar da declaração, a empresa não esclarece quais vídeos foram afetados, a dimensão do problema ou se houve impacto na distribuição das publicações.

"A combinação entre os expedientes ilegais da campanha de Flávio Bolsonaro com a recorrente falta de transparência da plataforma põe em xeque a integridade das eleições na medida que acaba por beneficiar a candidatura da extrema-direita. Não há 'paridade de armas', equilíbrio ou justa disputa no ambiente digital se uma rede social permite esse tipo de manobra ou se a Justiça demora em punir", disse o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares. "Nem a Meta explica por que há favorecimento aos conteúdos postados por Flávio, que têm 2,6 mais visualizações do que os postados pelo presidente Lula, nem o TSE desarticulada e pune a rede de collabs que burla a lei e ainda gera monetização para os envolvidos."

As suspeitas sobre o funcionamento das plataformas também foram acompanhadas por alegações envolvendo a estrutura de moderação de conteúdo da Meta no Brasil. Brian Mier, correspondente do programa de notícias TeleSUR English, afirmou, em publicação no X, que um denunciante da Meta Brasil teria relatado à repórter Laís Gouveia a demissão e a substituição da maioria dos moderadores de conteúdo por sistemas de inteligência artificial durante o período eleitoral.

Segundo o relato divulgado por Mier, as decisões de moderação passariam a ser concentradas em um comando automatizado, possivelmente emitido nos Estados Unidos, que seria capaz de impulsionar determinados conteúdos e reduzir a circulação de outros. A alegação, no entanto, não foi acompanhada, nas informações disponíveis, de evidências que permitam confirmar a existência desse suposto mecanismo ou estabelecer uma relação entre a moderação automatizada e a contagem de visualizações dos vídeos de Lula.

Na quarta-feira, Lula publicou nove vídeos nesse formato, ao longo do dia, acompanhado por jovens de esquerda eleitos no domingo. A estratégia representou uma mudança de postura do presidente, que já havia demonstrado resistência a gravar conteúdos diretamente pelo celular.

No primeiro vídeo, Lula convocou apoiadores a irem às ruas e a conversarem com outras pessoas sobre a campanha. O presidente associou a mobilização à defesa da educação, da democracia, do emprego e da continuidade do crescimento econômico do país. "Bora, gente para a rua, vamos conversar com as pessoas, você que gosta do Brasil, que gosta da educação, que gosta da democracia, que quer ter um emprego de qualidade, que quer continuar estudando e ver o Brasil crescer", afirmou.

 

 

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postado em 09/10/2026 03:55
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