
Paulo Figueiredo atribuiu à inteligência artificial (IA) os erros encontrados em uma carta de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgada na quarta-feira (28/10). Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (29/10), Figueiredo afirmou que o uso do ChatGPT levou à inclusão de um brasão antigo da República e de um trecho em que o senador se apresentava como o verdadeiro “presidente eleito”.
A carta ganhou repercussão por causa das diferentes versões que circularam. Segundo Figueiredo, os problemas ocorreram durante a preparação do documento, que passou por diversas revisões antes de ser divulgado à imprensa. “Por que o ChatGPT escolheu um brasão antigo da época em que Brasil se escrevia com Z, eu não sei. Mas nós achamos muito engraçado”, escreveu.
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De acordo com o relato, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) era o responsável pelo material e pediu ao ChatGPT que inserisse o brasão da República em uma das versões do texto. Na hora de gerar o documento, porém, a ferramenta teria recuperado uma versão anterior da carta, que continha a expressão “presidente eleito”.
Figueiredo afirmou que o grupo identificou os problemas pouco depois da publicação e providenciou as correções. Primeiro, o brasão foi substituído. Em seguida, o texto foi atualizado. Para evitar que continuassem circulando versões diferentes, segundo ele, Flávio publicou pessoalmente a versão corrigida. m“Como vocês devem imaginar, uma carta que expressa uma realidade tão complexa passa por várias versões, com a contribuição intelectual de mais de uma pessoa”, argumentou.
De “presidente eleito” a “verdadeiro líder”
Na versão corrigida, a expressão “presidente eleito” deu lugar a “verdadeiro líder”. Figueiredo justificou a mudança afirmando que a nova formulação representaria melhor a situação jurídica e o sentido político pretendido pelo senador. “Liderança carrega um valor MORAL, que traduz o sentido desejado pelo Flávio. A liderança não se exerce com a caneta, e sim com o exemplo”, escreveu.
O comentarista também afirmou que a escolha das palavras transmitiria um recado a possíveis adversários dentro do próprio campo político: a liderança do movimento continuaria sendo exercida por Flávio Bolsonaro.
A explicação foi apresentada após a circulação de especulações sobre as diferenças entre os documentos. Figueiredo classificou algumas das teorias como “mirabolantes” e disse que os problemas tiveram uma origem mais simples: falhas durante a elaboração e a edição do arquivo com auxílio de inteligência artificial.
Ele afirmou que Flávio não reconhece o resultado eleitoral e pretende continuar contestando o processo. “No fim, o essencial está expresso com precisão pelo Flávio: estas eleições foram ilegítimas, ele não reconhece o resultado e continuará lutando para restaurar a democracia no Brasil”, declarou.
Ao encerrar a publicação, Figueiredo criticou a repercussão dos problemas no documento e afirmou que o restante seria “fetiche da imprensa”.
A declaração, no entanto, representa a posição política de Figueiredo e de Flávio Bolsonaro. A afirmação de que as eleições foram ilegítimas não é acompanhada, no texto publicado pelo comentarista, de provas que sustentem a alegação.
Sobre as diferentes versões da carta do @FlavioBolsonaro publicada ontem: tenho visto teorias da conspiração mirabolantes, algumas até engraçadas. Como a explicação é bem mais banal, achei por bem esclarecer. Primeiro, o brasão antigo. Com as primeiras versões do texto finalizadas, o @BolsonaroSP pediu ao ChatGPT que inserisse o brasão da República. Por que o ChatGPT escolheu um brasão antigo da época em que Brasil se escrevia com Z, eu não sei. Mas nós achamos muito engraçado. O segundo erro foi que, ao gerar o documento, a IA acabou incluindo uma versão anterior do texto, em que o Flávio se apresentava como o verdadeiro "presidente eleito". Como vocês devem imaginar, uma carta que expressa uma realidade tão complexa passa por várias versões, com a contribuição intelectual de mais de uma pessoa. A versão final fala em "verdadeiro líder" por duas razões. Primeiro, porque descreve com mais precisão a situação jurídica. Segundo, porque liderança carrega um valor MORAL, que traduz o sentido desejado pelo Flávio. A liderança não se exerce com a caneta, e sim com o exemplo. E traz consigo um recado muito claro, inclusive a eventuais usurpadores: a liderança do movimento continuará sendo exercida. Quando me mandaram a versão tida como final, perguntei se podia distribuir para a imprensa e me deram o ok. Assim o fiz e publiquei no meu X. Pouco depois percebemos os equívocos e corrigimos: primeiro o brasão, depois o texto. Para evitar conflito de versões, deixamos inclusive que o próprio Flávio tuitasse a versão corrigida. Nada demais. No fim, o essencial está expresso com precisão pelo Flávio: estas eleições foram ilegítimas, ele não reconhece o resultado e continuará lutando para restaurar a democracia no Brasil. O resto é fetiche da imprensa.
— Paulo Figueiredo (8) (@pfigueiredo08) October 29, 2026
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