ELEIÇÕES

Flávio vai da política do Rio de Janeiro à disputa presidencial

Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador também exerceu quatro mandatos na Assembleia Legislativa fluminense

Flávio Nantes Bolsonaro nasceu em Resende, no interior do Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1981. Aos 45 anos, acumula mais de duas décadas de vida pública e ocupa uma cadeira no Senado pelo Rio de Janeiro desde 2019. Formado em direito pela Universidade Candido Mendes, é o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro e de Rogéria Nantes Bolsonaro.

Kleber Sales/CB/D.A.Press - flavio bolsonaro

Antes de chegar ao Congresso, construiu a carreira política na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde exerceu quatro mandatos consecutivos. Em 2026, tornou-se o nome escolhido pelo PL para disputar a Presidência da República no lugar do pai.

A origem familiar ajuda a explicar o caminho escolhido pelo senador. Jair Bolsonaro foi deputado federal por sete mandatos antes de chegar à Presidência da República, enquanto Rogéria, mãe de Flávio, também teve trajetória eleitoral: foi vereadora do Rio de Janeiro entre 1993 e 2000. Flávio é irmão de Carlos e Eduardo Bolsonaro, filhos de Jair com Rogéria, e meio-irmão de Jair Renan e Laura Bolsonaro. Rogéria permanece ligada à política e, em 2026, lançou candidatura à Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro.

Na vida pessoal, Flávio é casado com Fernanda Bolsonaro e tem duas filhas, Luíza e Carolina Bolsonaro, nascidas em 2012 e 2014. Fernanda é dentista. A família mantém ligação tanto com o Rio de Janeiro, base eleitoral do senador, quanto com Brasília. Em 2021, Flávio e a mulher compraram uma casa no Lago Sul, na capital federal, Setor de Mansões Dom Bosco (Condomínio Ouro Branco), adquirida em janeiro de 2021 por cerca de R$ 6 milhões, em uma operação que também despertou questionamentos públicos e foi alvo de apuração.

A passagem pela Assembleia Legislativa do Rio ajudou a consolidar a principal bandeira que acompanharia sua atuação no Senado: a segurança pública. Em 2026, o tema ganhou ainda mais espaço em sua atuação parlamentar. Flávio preside a comissão da área no Senado. Entre os textos que relatou está o PL 5744/2023, aprovado pela comissão em setembro, que prevê aumento de penas para homicídios e lesões corporais cometidos contra autoridades, agentes de segurança pública e outras categorias previstas no projeto. Também relatou proposta para restringir benefícios penais em determinadas situações envolvendo reincidência e prática criminal habitual.

Polêmicas

A trajetória política, entretanto, passou a ser acompanhada por uma série de episódios envolvendo suspeitas de irregularidades. O mais conhecido deles é o caso das chamadas “rachadinhas”, relacionado ao período em que Flávio era deputado estadual. A investigação ganhou força após relatórios do antigo Coaf apontarem movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo Fabrício Queiroz, então assessor do parlamentar. O Ministério Público do Rio chegou a denunciar Flávio por crimes como peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e apropriação indevida. Flávio sempre negou as acusações.

O desfecho judicial daquele processo, porém, não foi uma condenação. Em 2021, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal anulou quatro dos cinco relatórios de inteligência financeira utilizados na investigação. O colegiado entendeu que o compartilhamento das informações havia ocorrido de forma irregular. No ano seguinte, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio rejeitou a denúncia contra Flávio, Queiroz e outros investigados depois que as provas utilizadas na acusação foram anuladas pelo STJ e pelo STF. O próprio Ministério Público havia pedido a extinção do processo. A decisão do TJRJ registrou que a rejeição por falta de justa causa não impedia eventual retomada das investigações.

Em 2026, uma nova frente passou a ocupar espaço central no histórico político de Flávio. Trata-se da investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a vida de Jair Bolsonaro. O caso envolve Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. Segundo documentos que vieram a público, Flávio procurou Vorcaro para tratar de recursos destinados à produção. A partir das informações reunidas pela Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de inquérito para apurar a origem e o destino dos recursos.

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