CONGRESSO NACIONAL

PT reúne deputados e deve declarar apoio à reeleição de Motta

Motta já conta com apoio de outros 12 partidos para se manter na Presidência da Câmara dos Deputados

Os atuais e recém eleitos deputados do PT se reúnem nesta terça-feira (27) para debater, entre outros pontos, um apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) como presidente da Câmara dos Deputados. A eleição da Casa Baixa ocorre somente em fevereiro, mas as eleições presidenciais adiantaram as negociações e articulações, tendo em vista a predominância da direita no Congresso Nacional em 2027. 

Deputados do PT ouvidos pelo Correio afirmaram que o partido caminha para declarar apoio à reeleição de Motta, mas as negociações ainda estão em curso. Os parlamentares defendem que membros do partido ocupem cargos na Mesa Diretora, como o da vice-presidência ou a 1° Secretaria, cadeira atualmente ocupada pelo deputado Carlos Veras (PT/PE).

Atualmente, o deputado Altineu Cortês (PL-RJ) ocupa a vice-presidência. Parlamentares do PT ouvidos sinalizaram ser determinante a não manutenção do PL no cargo. Isso porque quando o presidente da Casa se ausenta, o vice que conduz as votações, o que poderia facilitar uma interferência da oposição nas votações de matérias importantes para o governo.

Outro ponto em discussão diz respeito ao comando das comissões da Casa, que o PT quer fazer parte. As comissões mais estratégicas são a de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e a de Finanças e Tributação (CFT). A primeira é caminho obrigatório de toda matéria a ser aprovada na Casa. A segunda também, quando envolve aspectos financeiros ou orçamentários públicos. 

Caso declare apoio a Motta, o PT se juntaria a outros 12 partidos: Republicanos, União Brasil, PP, PSD, MDB, Podemos, PSDB, Cidadania, Solidariedade, PRD, PDT e PSB. O apoio do Centrão ao deputado busca dificultar que o PL tenha maioria para eleger um membro do partido à Presidência da Casa. Nomes como o de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e o de Altineu Cortês são ventilados na oposição para ocupar o cargo. 

Para ser eleito, Motta precisa do apoio de, no mínimo, 257 deputados. Se todos os parlamentares dos 12 partidos que declararam apoio até então realmente votem nele, Motta contaria com 273 votos favoráveis. No entanto, vale lembrar que a votação é secreta e pode seguir para o segundo turno, caso dois candidatos sejam competitivos. Com isso, o apoio do máximo de partidos pode garantir a vitória. 

Durante o mandato, Motta deu andamento às pautas prioritárias do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Casa, como o fim da escala de trabalho 6x1. Em agosto, ele ainda declarou apoio à reeleição de Lula. No comando da Presidência, ele buscou manter uma interlocução com todos os campos políticos da Câmara. 

No início de outubro, ao receber apoio do líder do PSD, Motta defendeu a manutenção de um bloco de partidos de centro para garantir a “sobrevivência” do Centrão "nessa selva política e nesse país tão radicalizado”. “É peremptório para nós, eu diria até que é vital, nós estarmos juntos", disse.

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