
A jogadora de vôlei trans Tiffany Abreu criticou, na manhã desta sexta-feira (27/3), a nova regra anunciada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que determina que apenas atletas biologicamente pertencentes ao sexo feminino poderão disputar competições na categoria feminina nos Jogos Olímpicos. A definição será feita por meio de teste genético obrigatório, realizado pela própria entidade, com validade permanente.
Após a decisão, a atleta usou as redes sociais para se posicionar contra a medida. Em uma sequência de stories, Tiffany afirmou que “essa notícia é muito triste” e que “representa um grande retrocesso para o esporte”.
“Muita gente tenta reduzir esse debate a um ataque exclusivo às pessoas trans, mas não é sobre isso. É sobre mulheres. Sobre todas as mulheres”, disse.
Segundo ela, as novas regras podem prejudicar diferentes atletas. “Com essas novas regras, muitas atletas podem ser prejudicadas, inclusive mulheres cis, por critérios cada vez mais questionáveis. Isso precisa ser discutido com responsabilidade, não com exclusão”, afirmou.
A jogadora também questionou o argumento de que a medida busca proteger o esporte feminino. “Existe um discurso de que tudo isso é para proteger o esporte feminino, mas na prática a gente vê outra coisa. Quando o assunto envolve pessoas trans, sempre surge uma tentativa de tirar, excluir, questionar sua presença, independentemente do contexto”, declarou.
Tiffany citou ainda o caso da deputada federal Erika Hilton ao comentar o debate. “Tivemos um exemplo claro recentemente com a Erika Hilton, que teve sua identidade questionada ao ponto de tentarem retirá-la de um espaço que é justamente de representação de mulheres. Se antes o argumento era vantagem ou força, nesse caso foi o quê?”, disse.
Para a atleta, a discussão vai além do desempenho esportivo. “Isso mostra que nunca foi só sobre desempenho. É sobre quem é reconhecida como mulher. Enquanto nós não entendermos que a luta precisa ser por todas, todas as mulheres, sem exceção, vamos continuar abrindo espaço para decisões que nos dividem e nos enfraquecem”, afirmou.
Ela também criticou o que classificou como retrocesso em direitos. “Direitos não podem andar para trás. O mundo não pode regredir. Ou a gente se posiciona agora, ou aceita ver conquistas sendo desmontadas pouco a pouco”, concluiu.

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