
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (7/7) a sexta fase da Operação Unha e Carne, com o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro. As investigações apontam que o grupo criminoso movimentou mais de R$7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Entre os alvos da ação estão Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e atual presidente do União Brasil RJ, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário da Policia Civil do Rio de Janeiro.
A PF aponta que a organização é suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma para fazer a lavagem de capital. Os valores bilionários foram analisados conforme Relatório de Inteligência do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A corporação ainda indica que o esquema tem a participação de agentes públicos.
Na ação, policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende, e na capital fluminense, além de medidas de sequestro de bens e valores e de suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.
Os alvos
Entre os alvos, Márcio Corrêa de Oliveira, conhecido como Márcio Canella, que além de ex-prefeito de Belford Roxo, e atual presidente do diretório estadual do União Brasil, é pré-candidato ao Senado.
Canella se consolidou como uma das apostas do bolsonarismo no estado após construir uma aliança com Cláudio Castro, ex-governador do RJ. Foi ao lado do governador que Flávio oficializou sua candidatura, apresentando ambos como peças do mesmo projeto político para o Rio.
Outro alvo, o delegado Marcus Vinícius Amim Fernandes, ex-secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, consolidou sua carreira na segurança pública do Rio antes de assumir cargos de destaque na administração estadual.
Ele foi exonerado em 2024, em meio a uma onda de confrontos e operações à criminalidade no Rio. Depois, passou a coordenar o Departamento de Segurança da Assembleia Legislativa do Estado do Rio, função que exerceu até dezembro de 2025.
Operação Unha e Carne
A Operação Unha e Carne teve 5 fases desde dezembro de 2025 e apurava, no início, um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV), que teriam comprometido operações e beneficiado investigados ligados à facção criminosa.
A 1ª etapa da operação foi deflagrada em dezembro de 2025 e teve como alvo o então presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), o deputado Rodrigo Bacellar, hoje cassado e preso.
De acordo com a Polícia Federal, Bacellar teria vazado informações sigilosas da Operação Zargun, o que permitiu a destruição e ocultação de provas, frustrando a ação policial.
Ainda em dezembro de 2025, a segunda fase aprofundou as apurações sobre a origem dos vazamentos. Nessa etapa, a PF prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).
A terceira fase foi deflagrada em 27 de março de 2026, onde Rodrigo Bacellar foi preso novamente por determinação de Alexandre de Moraes após a cassação do mandato do político pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na 4ª fase, de 5 de maio de 2026, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso, suspeito de comandar um esquema de fraudes em procedimentos de compra de materiais e de aquisição de serviços, como obras para reformas, no âmbito da Secretaria Estadual de Educação do RJ (Seeduc).
Na 5 fase, deflagrada na quinta-feira da semana passada (2/7), a PF prendeu o pastor Márcio Pôncio, investigado por ligação com a Máfia do Cigarro, e o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.
As investigações que levaram a essa etapa começaram em 2021 e miraram Adilsinho. Uma delas foi a Operação Smoke Free, de novembro de 2022. Em um dos endereços de Adilsinho, a PF encontrou listas de políticos.
A PF não revelou nenhum nome, mas disse que esses agentes políticos são investigados por suspeita de receber doações de Adilsinho para a campanha de 2022.

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