PROTESTO

Manifestantes marcham até a Embaixada dos EUA em protesto contra ações na Venezuela

Ato reuniu cerca de 250 pessoas em repúdio ao ataque atribuído aos Estados Unidos que terminou na prisão de Nicolás Maduro

Manifestantes de esquerda realizaram, na tarde desta segunda-feira (5/1), um ato unificado em protesto contra ações atribuídas aos Estados Unidos na Venezuela e em repúdio à prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. A concentração teve início em frente ao Museu Nacional da República e reuniu cerca de 250 pessoas, que representam diferentes movimentos sociais, estudantis e organizações políticas.

Com bandeiras, faixas e palavras de ordem, os participantes criticaram a política externa norte-americana com a América Latina e defenderam a soberania dos países da região. Durante o ato, foram entoados gritos como “Fora Trump da América Latina, "A América Latina vai ser toda socialista” e “Se cuida, imperialista”. Após a concentração inicial, o grupo seguiu em marcha até a Embaixada dos Estados Unidos, onde havia cerca de 10 viaturas policiais acompanhando a manifestação.

O protesto ocorreu de forma majoritariamente pacífica, mas houve momentos de tensão durante o trajeto. Algumas pessoas contrárias ao ato fizeram provocações verbais, o que gerou uma breve discussão entre manifestantes e opositores, sem confronto físico.

Entre os que se posicionaram contra a manifestação estava o cantor Hitalo Lisboa, 32 anos, que foi até a Embaixada, acompanhado de amigos, e gravou vídeos para as redes sociais criticando o protesto. Em tom exaltado, ele afirmou: “Isso é uma vergonha! Um bando de estudantes vagabundos e desocupados, que recebem dinheiro do PT, recebem dinheiro da esquerda para estar aqui. Não tem um venezuelano para protestar contra os EUA. Trump, prenda o Lula!”.

Ed Alves/CB/DA Press - Opositor gravou vídeo para as redes sociais criticando o protesto

Do lado dos manifestantes, o clima era de indignação e solidariedade ao povo venezuelano. O professor Raimundo Santos, 71, chamou a atenção ao erguer uma placa escrita: “Libertem Maduro e Cilia Flores, já”. Segundo ele, o que ocorreu representa uma ameaça. “Não é possível que vamos aceitar passivamente uma intervenção como está acontecendo na Venezuela. Estamos aqui para barrar o imperialismo, que é uma ameaça para o Brasil”, disse.

Ed Alves/CB/DA Press - Raimundo Santos: "Não é possível que vamos aceitar passivamente uma intervenção como está acontecendo na Venezuela"

Entre os jovens presentes estava o estudante da Universidade de Brasília (UnB) e militante do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores, Rosa Linh, 25. Ele destacou o caráter internacionalista do protesto. “Queria ressaltar todo o nosso repúdio a esse regime imperialista reacionário. Os EUA estão fazendo jus ao seu histórico golpista”, declarou.

A militante do movimento União de Negras e Negros pela Igualdade, Santa Alves, criticou a atuação dos EUA. “Foi um ato desumano o que fizeram com a população da Venezuela. Estamos juntos na luta para defender o nosso Brasil. A intenção deles é invadir o nosso continente e não podemos deixar”, afirmou.

A presidenta da União Brasileira de Mulheres no Distrito Federal, Maria das Neves, reforçou o discurso de defesa da soberania latino-americana e da articulação dos movimentos sociais. “Precisamos de uma América Latina que tenha soberania e autonomia dos povos. Nós estamos aqui para afirmar ‘Fora Trump na Venezuela’. Os movimentos sociais convocam esse ato”, disse.

Ed Alves/CB/DA Press - Foram entoados gritos como "Fora Trump da América Latina, "A América Latina vai ser toda socialista" e "Se cuida, imperialista"

A manifestação também contou com a presença da suplente de deputada federal Ruth Venceremos (PT), que acompanhou o ato e avaliou que o protesto vai além da situação específica da Venezuela. “Eu acredito que é menos sobre o Maduro e mais sobre o Brasil e a América Latina. O que ocorreu é um sinal e dá permissão para que os EUA possam fazer isso com qualquer país”, afirmou ao Correio.

Segundo a parlamentar, o episódio abre um precedente perigoso nas relações internacionais. “No fundo, o que aconteceu com a Venezuela pode acontecer com qualquer país. A gente não pode abrir esse precedente, porque isso rompeu todos os acordos internacionais já pré-estabelecidos. Isso é mais para refletir como pode impactar diretamente o Brasil”, completou.

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